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Saiba como está o processo de revisão do julgamento do Carnaval de São Paulo

O critério de julgamento dos desfiles das escolas de samba de São Paulo passa por uma reformulação, com a participação de artistas envolvidos diretamente no espetáculo. Todos os quesitos estão sendo revisados e alterados de acordo com a avaliação dos grupos, em reuniões periódicas na sede da Liga Independente das Escolas de Samba.

Desde março, grupos especializados, associações dedicadas a quesitos do Carnaval e agentes envolvidos diretamente na execução de um desfile estudam mudanças e rumos do julgamento que promete cara nova às disputas nos Grupos Especial, Acesso 1 e Acesso 2 em 2024.

Quesito a quesito, o presidente da entidade que organiza os desfiles, Sidnei Carriuolo, tem se encontrado com os artistas e trabalhadores do espetáculo para um bate-papo na Fábrica do Samba. Já foram reavaliados os quesitos Fantasia, Alegoria, Enredo, Samba-enredo e Mestre-sala e Porta-bandeira.

Anotação na apuração. Foto: Paulo Pinto/Liga SP/Fotos Públicas

Ação inédita marca início de nova era

Esta é a primeira vez na história recente que pessoas envolvidas diretamente nas notas, representando suas agremiações, participam de alterações no critério de julgamento.

“Foi de extrema valia o presidente Sidnei ter aberto a pauta de conversação com todos os representantes de cada escola, e ele também ter se posicionado, ter ajudado. Eu tenho certeza de que, no ano que vem, as pessoas vão notar a diferença no resultado da apuração do Carnaval 2024”, diz Douglinhas Aguiar, intérprete oficial da Águia de Ouro e um dos artistas que participaram da revisão do critério de julgamento de samba-enredo.

O texto apresentado aos avaliadores é de extrema importância e sofreu ajustes necessários ao longo dos anos, para se adequar à evolução natural do contexto no qual o Carnaval paulistano está inserido, uma vez que não é um mundo à parte, desconexo da realidade da capital. O encerramento do Carnaval São Paulo 2023 coincide com o fim de um ciclo na disputa e, consequentemente, o início de uma nova era, com colaboração e cocriação.

Com a palavra, os sambistas!

“As propostas apresentadas, as mudanças pontuais no texto de avaliação produzido por nós, os que estão a frente da criação, nos permite, sem dúvida, inovar, ousar e contribuir com a ascensão do espetáculo. A concepção artística, o conjunto (algo que não era visto) e subjetividade nos permitirá novas sensações. Será preciso ousar, se arriscar e inovar. O artista não deve ter medo de se arriscar, ele precisa trazer o diferencial”, adianta Fábio Gouveia, carnavalesco da Nenê de Vila Matilde, que fez parte da reformulação dos quesitos do módulo visual: Alegoria, Fantasia e Enredo.

“Essas oportunidades, junto à Liga, abrem uma nova era. O jurado passa a compreender com clareza e maior treinamento o que cada agremiação apresentará em seu desfile. Estamos num grande momento de crescimento e isso requer uma melhor avaliação”, completa.


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“Pra gente crescer, não pode ter medo de ser julgado”

Tendo o Carnaval das escolas de samba seus próprios ritos, tradições e ancestralidade, em cada passo pesa a preservação da cultura e o desenvolvimento do espetáculo. Um dos quesitos que se equilibra entre a essência e o futuro é o casal de mestre-sala e porta-bandeira, que tem um bailado singular e muitas particularidades, uma combinação que não é vista em outro lugar a não ser em uma agremiação, o que torna o entendimento um pouco mais difícil.

Adriana Gomes, porta-bandeira, em bate-papo para revisão do critério de julgamento. Foto: Comunicação/Liga-SP

Contornar isto passa, invariavelmente, pela vivência de quem pode ensinar: “Eu sempre sou muito a favor dos julgados serem escutados, acho que é uma forma de clareza, de ser justo, de ser leal para todas as escolas”, explica Adriana Gomes, porta-bandeira da Mancha Verde e uma das pessoas ativas e envolvidas na revisão do critério de julgamento do quesito.

“Qualquer tipo de iniciativa que conte com a colaboração de todos os participantes do evento acho que é super válida. Isso já sai com com meio ponto a mais, sabe? Então, a gente vai construindo um negócio bacana pra que todo mundo saia feliz e todo mundo entre na pista sabendo daquilo que vai acontecer, entendendo o critério, entendendo a regra do jogo”, diz.

Na disputa, o primeiro lugar consagra a escola campeã, mas todos ganham quando o Carnaval se permite evoluir. “Pra gente crescer, não pode ter medo de ser julgado. O erro acontece. Então se houve um erro, se houve um acerto, vocês que estão em casa, [é] porque nós estamos preparando um grande espetáculo, acredite, nós estamos fazendo o melhor pra vocês, sem pensar em nomes”, ressalta Rubens de Castro, mestre-sala da Dragões da Real.

Rubens de Castro, mestre-sala, em reunião sobre revisão do critério de julgamento.Foto: Comunicação/Liga-SP

Quem ganha o Carnaval de São Paulo?

A resposta para esta pergunta não é “a escola mais bonita”. Ainda que seja de uma beleza impressionante, um desfile de escola de samba precisa de mais do que um visual agradável para ser campeão.

Os mais antigos costumam dizer que “campeão se conhece na pista”. E quando a escola entra na Avenida com tudo certo e a comunidade faz o espetáculo, é comum ouvir que “o desfile aconteceu”. Por trás destas sabedorias, está o conhecimento dos quesitos e das regras do jogo.

A cada ano, há dois documentos que devem guiar a preparação de uma agremiação para o Carnaval: o regulamento e o manual do julgador. O primeiro expressa as regras que colocam todos em pé de igualdade, em disputa justa, observando as particularidades de cada grupo.

O segundo contém o famoso critério de julgamento, que orienta os jurados sobre quando despontuar, o que é uma falha, quantos décimos custa uma falha de acordo com a sua gravidade, o que deve ser avaliado dentro de cada quesito e como é a apresentação de um quesito nota 10.

No Carnaval de São Paulo, os jurados avaliam os desfiles no Sambódromo do Anhembi em nove quesitos: Alegoria, Fantasia, Enredo, Bateria, Samba-enredo, Harmonia, Mestre-sala e Porta-bandeira, Comissão de Frente e Evolução.

* Com informações do departamento de Comunicação da Liga-SP

Redação SRzd

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