Bateria dá show, Rosas faz desfile surpreendente e sai da Avenida de cabeça erguida

Desfile 2019 da Rosas de Ouro. Foto: SRzd – Cláudio L. Costa

“Na esperança de um novo amanhã”.

Embalada por este verso de seu samba 2019 a Sociedade Rosas de Ouro chegou para ser a quinta a desfilar na segunda noite de espetáculo da folia paulistana, neste domingo (3), no sambódromo do Anhembi.

Esperança para voltar a ser protagonista nas disputas em São Paulo, onde é tantas vezes campeã.

Para isso, escolheu o enredo: “Viva Hayastan”. Traduzido, Hayastan quer dizer Armênia, em armênio. Esse é o título da história desenvolvida pelo carnavalesco André Machado e apresentada ao público em sete atos.

+ galeria de fotos do desfile da Rosas de Ouro

+ vídeo: largada do desfile 2019 da Rosas de Ouro

Presidente
Angelina Basílio

Carnavalesco
André Machado

Intérprete
Royce do Cavaco

Coreógrafa de comissão de frente
Helena Figueira

1º casal de MSPB
Edgar e Isabel

Mestre de bateria
Rafa

Rainha de bateria
Ellen Rocche

A Armênia é um País sem costa marítima localizado numa região montanhosa da Ásia, entre os mares Negro e Cáspio.

Foi república da extinta União Soviética, hoje, território Russo. Tornou-se um estado democrático com vasta e antiga herança histórica e cultural, sendo a primeira nação a adotar o cristianismo como religião.

Entre 1915 e 1923 sofreu, o que os historiadores consideram, o primeiro genocídio do século XX, imposto pelo Império Otomano e negado até hoje pela República da Turquia. As mortes são estimadas em 1,5 milhão de cidadãos e a deportação de outros milhões, fazendo seu povo espalhar-se pelo mundo, com descendentes na França, Estados Unidos, Argentina, Brasil e Líbano, principalmente.

E para contar esta história, André Machado. Além de estar numa das mais tradicionais e respeitadas escolas de samba de São Paulo, se sente em casa e feliz com este momento de sua carreira.

Porém, o sonho não vem se mostrado tão cor de rosa assim. Logo na estreia, ele próprio não escondeu as dificuldades enfrentadas na execução do desfile de 2017, também observadas pelo público e pela crítica. Foram justamente os quesitos plásticos; alegoria e fantasia, os mais penalizados pelos jurados da Liga Independente das Escolas de Samba.

Por outro lado, o “chão” da agremiação, por vezes rotulada como “técnica demais”, deu o recado na pista e, junto com o bom desempenho de outros segmentos, garantiu uma vaga entre as campeãs daquele concurso, um ano depois do pior resultado da escola em toda a sua história.

Em 2018, após voltar ao lugar onde está acostumada a figurar, parecia fortalecida e revigorada para mais uma disputa. André dizia-se animado com a oportunidade de mostrar sua arte e talento numa temporada mais calma de pré-Carnaval.

Mas, novamente, o percurso se apresentou tortuoso. Na Avenida, as dificuldades ficaram evidentes e a agremiação voltou para a parte de baixo da tabela, apontando os mesmos erros.

Apenas em três, dos nove quesitos, a roseira faturou a nota máxima; samba-enredo, harmonia e mestre-sala e porta-bandeira. Mesmo num ano em que, por determinação do manual do julgador, a penalização só deveria ser aplicada em caso de diversas incidências de erro, a Rosas de Ouro perdeu ponto nos outros seis itens.

Mas nesta madrugada, foi diferente. O trabalho revelou figurinos de extremo bom gosto, bem acabados e com boas soluções em finalização e uso das cores. Nos carros, também foi surpreendente, trazendo alegorias praticamente sem problemas de acabamento e num nível muito superior do que na comparação com os anos anteriores.

Assim que chegou ao Grupo Especial, nos anos setenta, a Sociedade Rosas de Ouro entrou rapidamente para o hall das grandes. Como se diz ultimamente: “Aquele pavilhão que você respeita”.

Diante das protagonistas daquele tempo, Camisa Verde e Branco, Vai-Vai e Nenê de Vila Matilde, se estabeleceu. Foi logo de cara bicampeã, em 1984. Ainda na década de oitenta, se destacou apresentando enredos e sambas históricos, que caíram no gosto popular. Tomou para si outra marca, a de cantar a capital paulista, sua cultura e sua gente, como ninguém.

Travou um  duelo particular com o “Trevo” da Barra Funda, com quem dividiu dois campeonatos, em 1990 e 1991, e foi tri, em 92. Ficou gigante. Além do ótimo desempenho nos concursos, tornou-se referência por ter a mais ampla e confortável quadra social da cidade, vendo seus ensaios entre os mais concorridos.

O tempo passou, o Carnaval mudou, e o concurso também. Surgiram novas forças para rivalizar e os títulos ficaram mais escassos, para todas. Neste milênio a Rosas de Ouro faturou apenas uma taça, em 2010, mas não deixou de ser protagonista.

Hoje, assim como em todo o segmento onde existe uma disputa, se reposiciona. Conhecida e respeitada pelo luxo, organização e gestão profissional, começa a ter consciência de que é preciso mais.

É notável a necessidade de um novo olhar, tanto em relação a estrutura, quanto a competitividade. A tradicional sede já não é mais vedete, uma vez que, nesse aspecto, muitas coirmãs avançaram em suas instalações e receptivo.

Para o concurso, tem buscado força na comunidade; comprometida, jovem e forjada, em boa parte, nos tempos do ex-carnavalesco Jorge Freitas. Claramente, procura uma nova feição, um novo estilo. A mais bela flor do Carnaval de São Paulo quer, e precisa, sorrir outra vez.

Nessa busca, destaque para mexidas em dois importantes segmentos da Rosas de Ouro para o desfile de 2019. Na comissão de frente, foi contratada Helena Figueira, profissional com passagem marcante de quase uma década na Gaviões da Fiel, substituindo Oyama Queiroz.

A outra, no quadro de casais. Para o lugar do mestre-sala Marquinhos, o retorno ao palco da folia paulistana de Edgar Carobina, afastado de São Paulo desde sua saída da Unidos de Vila Maria em 2017. Na estreia dele no Anhembi, faturou, ao lado da porta-bandeira Lais Moreira, o Prêmio SRzd Carnaval SP 2016 na categoria.

Seguiram defendendo as cores azul e rosa a porta-bandeira Isabel Casagrande, mestre Rafa e Royce do Cavaco. Finalmente, confirmou a formação de uma comissão de Carnaval formada por Karla Priscilla, Evandro do Rosas, Leandro Lion e Victor Lebro.

A decisão pela escolha do samba 2019 foi pela obra assinada por Didi Pinheiro, Vinicius, Marcinho JK, Fernando de Paula, Rafael Souza e Bolt Mascarenhas, que embora criticada no pré-Carnaval, cumpriu com a tarefa de ser a trilha da apresentação. Neste módulo musical, destaque para a bateria de mestre Rafa, com afinação impecável de seus instrumentos, bossas e convenções que lhe solidificam como uma das melhores ritmos do Carnaval. Bateria que ainda contou com a presença de mestre Mercadoria, baluarte do samba de São Paulo e nome importante da história azul e rosa.

Esse entrosamento harmônico entre a batucada, o carro de som e o canto dos componentes, foi um dos motores do desfile e funcionou muito bem ao longo de todo o trajeto, proporcionando uma boa evolução, que cometeu pequenos deslizes no primeiro setor.

Outro problema enfrentado pela escola esteve com o primeiro casal; na fantasia de Edgar e na apresentação da dupla na torre 6, quando um helicóptero provocou uma forte onda de vento complicando a dança, principalmente, da porta-bandeira Isabel, que teve muita dificuldade para conseguir conduzir o pavilhão.

+ galerias de foto

+ comissão de frente

+ primeiro casal de MSPB

+ alegorias

+ veja o desempenho da escola nos últimos cinco anos

A partir das 14h30 da próxima terça-feira (5), o portal SRzd transmite ao vivo, em parceria com a Rádio Trianon AM 740, a apuração dos desfiles das escolas de samba do Carnaval de São Paulo 2019.

Pelo oitavo ano consecutivo os destaques dos desfiles das escolas de samba da cidade de São Paulo receberão troféu exclusivo, oferecido pelo portal SRzd.

Voto popular e análise da equipe SRzd, que acompanha os bastidores das escolas de samba durante todo o ano; a somatória destes dois levantamentos vai determinar o resultado do Prêmio SRzd Carnaval SP 2019, ação que valoriza a cultura do samba na capital paulista e seus protagonistas. Em caso de empate, prevalece sempre o voto dos profissionais do SRzd.

A votação popular, que estará disponível através de enquete na página da editoria do Carnaval de São Paulo no SRzd, será aberta após o final do último desfile dos Grupos Especial e de Acesso 1. O resultado será divulgado na terça-feira (5), antes da apuração oficial pela Liga Independente das Escolas de Samba. Clique aqui e conheça todas as categorias.

+ confira a ordem completa de desfiles no Anhembi

Grupo Especial

+ Sexta-feira, 1 de março

1ª – 23h15 – Colorado do Brás
2ª – 0h25 – Império de Casa Verde
3ª – 1h35 – Mancha Verde
4ª – 2h45 – Acadêmicos do Tucuruvi
5ª – 3h55 – Acadêmicos do Tatuapé
6ª – 5h05 – X-9 Paulistana
7ª – 6h15 – Tom Maior

+ Sábado, 2 de março

1ª – 22h30 – Águia de Ouro
2ª – 23h20 – Dragões da Real
3ª – 0h30 – Mocidade Alegre
4ª – 1h40 – Vai-Vai
5ª – 2h50 – Rosas de Ouro
6ª – 4h00 – Unidos de Vila Maria
7ª – 5h10 – Gaviões da Fiel

Grupo de Acesso 1

+ Domingo, 3 de março

1ª – 21h – Mocidade Unida da Mooca
2ª – 22h – Independente Tricolor
3ª – 23h – Barroca Zona Sul
4ª – 0h – Nenê de Vila Matilde
5ª – 1h – Leandro de Itaquera
6ª – 2h – Camisa Verde e Branco
7ª – 3h – Unidos do Peruche
8ª – 4h – Pérola Negra

Grupo de Acesso 2

+ Segunda-feira, 4 de março

1ª – 20h – Primeira da Cidade Líder
2ª – 20h50 – Amizade Zona Leste
3ª – 21h40 – Torcida Jovem
4ª – 22h30 – Estrela do Terceiro Milênio
5ª – 23h20 – Unidos de Santa Bárbara
6ª – 0h10 – Tradição Albertinense
7ª – 1h – Uirapuru da Mooca
8ª – 1h50 – Imperador do Ipiranga
9ª – 2h40 – Camisa 12
10ª – 3h30 – Combinados de Sapopemba
11ª – 4h20 – Dom Bosco
12ª – 5h10 – Morro da Casa Verde

+ veja os preços dos ingressos para todos os dias e setores de desfile em SP

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