Presidente da Uesp avalia erros e acertos da gestão, projeta novo mandato e adota ‘cautela’ para o Carnaval 2022

Alexandre Magno (Nenê). Foto: Uesp – Daniel Amorim

No dia 1º deste mês de junho, teve início o mandato da nova diretoria da União das Escolas de Samba Paulistanas (Uesp), para o quadriênio 2021-2025.

Em Assembleia Geral realizada no dia 13 de maio, a Chapa “Evolução” foi eleita por aclamação, tendo como presidente, Alexandre Magno, o Nenê; vice-presidente, Demis Roberto; diretora financeira, Débora Justino; diretor secretário, Gilberto Domânico, Nenê TJ; e diretor de Carnaval, Francisco Júnior, o Smedley.

Em entrevista ao SRzd, o presidente da “Matriz do Samba” avaliou os erros e acertos de sua gestão em 2017 e 2021, projetou seu novo mandato e comentou sobre a possibilidade do Carnaval 2022. O dirigente também falou sobre as ações sociais das agremiações ao longo da pandemia da Covid-19.

Diretoria da Uesp. Foto: Divulgação

SRzd: Como você avalia seu último mandato à frente da Uesp?

Alexandre Magno: “Fomos impactados por algumas situações que atrapalharam nosso planejamento e nos fizeram considerar mudanças estratégicas na gestão, sendo a principal, contenção de gastos. Foi um momento de transição delicado, pois se tratava de investimentos diretos em infraestrutura nos desfiles, porém com o apoio do plenário, que na ocasião entendeu a necessidade de deixar o projeto de Carnaval enxuto, conseguimos relativizar o índice de endividamento da casa.”

SRzd: Quais foram os principais erros – se é que ocorreram – durante sua última gestão?

Alexandre Magno: “Podemos considerar um em especial que foi a demora em absorver os impactos com a saída do antigo Grupo 1. Ou seja, potencializar os outros grupos está sendo um diferencial desta administração. Voltar as atenções, totalmente, aos desfiles de bairros nos proporcionou uma visão em 360º a ponto de superdimensionar nosso plano de negócios, já que, entendemos que os espetáculos apresentados em cada uma de nossas Avenidas se transformaram no atrativo que a cidade quer e necessita e, derrubar o muro das lamentações foi providencial para tal conclusão.”

SRzd: E quais foram os principais acertos deste mandato?

Alexandre Magno: “Podemos destacar o fortalecimento nas relações institucionais pelo novo modelo de gestão. Foram criadas alianças políticas, sobretudo, com o prefeito Bruno Covas (in memoriam), o presidente da Câmara dos vereadores Milton Leite, o vereador Ricardo Teixeira e, mais recentemente, a reaproximação com a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, através do presidente Sidnei Carriuolo. Relações nestes níveis, stakeholders, nos ajudaram na implantação de um novo modelo de gestão que apontam avanços significativos, prejudicados pelo momento pandêmico, sim, mas que trarão melhorias vindouras à UESP.”

SRzd: Chamou atenção do público o fato da chapa “Evolução” não enfrentar oposição e ter sido aclamada pelos presidentes das agremiações. Como foi este processo?

Alexandre Magno: “Desde o ano passado, alguns presidentes nos alertaram sobre uma possível eleição com chapa única, na qual, confesso, não acreditava. Esperamos até o último dia de inscrições para constatar tal realidade. A estratégia foi: apostar em uma coalizão entre a diretoria e o plenário, no qual, a todo momento, mantivemos uma postura ‘apartidária’, esquecendo assim, situação versus oposição e, com isso, focamos no trabalho sem nos preocupar com a política interna. Ou seja, naturalmente, o desfecho foi a aclamação de nossa ‘Chapa Evolução’ e estamos muito felizes porque fizemos história em um processo democrático como o da UESP.”

Pavilhão da Uesp. Foto: Reprodução

SRzd: Quais os novos desafios da nova diretoria para os próximos quatro anos?

Alexandre Magno: “Certamente será: como se adaptar ao mundo pós-pandemia? A maior crise sanitária mundial de nossa época, impactou, principalmente, os setores da economia criativa, cultura, eventos e turismo, no qual, estamos inseridos e precisamos encontrar caminhos que nos proporcione o equacionamento das dificuldades que, hoje, estão postas. Este novo mandato nos dará possibilidades de enfrentamento desse cenário que está mudando os conceitos empresariais no mundo todo e não será diferente conosco. O fato é que necessitamos do reposicionamento da marca, UESP, através de algumas mudanças drásticas como a reformulação do projeto de marketing e do plano comercial de transmissões dos nossos desfiles, através de plataformas YouTube, Facebook, ou streaming que é uma nova tendência.”

SRzd: No aspecto social, chama a atenção o empenho das entidades ligadas ao samba para ajudar os mais necessitados. Quais ações a Uesp têm realizado?

Alexandre Magno: “Além de ações pontuais de distribuição de marmitas aos moradores em condição de rua, a UESP está voltada à entrega de cestas básicas. Estamos recebendo doações e redistribuindo as nossas filiadas, que por sua vez, mantêm uma rede de apoio com cadastros próprios. Devemos destacar que no último mês fomos convidados a participar do Carnaval Solidário, em parceria com a Liga, e foi um evento maravilhoso, em todos os aspectos, onde as Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Fantasia da Cidade de São Paulo, puderam mostrar aquilo que fazem de melhor em sua essência, a ajuda humanitária. As cestas básicas arrecadadas estão salvando a vida de muitas famílias e estamos felizes por contribuir em amenizar, mesmo que por um tempo, o sofrimento das pessoas.”

Alexandre Magno (Nenê). Foto: Reprodução/Facebook

SRzd: Após a definição do cancelamento do Carnaval 2021, houve conversas com o poder público sobre o próximo Carnaval?

Alexandre Magno: “A prefeitura está se colocando sempre à disposição para nos atender, porém, alguns questionamentos ainda são difíceis neste momento, pois estamos ameaçados por uma nova onda e com variantes agressivas que podem, novamente, levar os governantes a impor regras restritivas. Posto isso, os diálogos sobre o Carnaval 2022 ficam prejudicados, mas a intenção, tanto do executivo como do legislativo, é de encontrar meios em apoio a cadeia produtiva do Carnaval paulistano.”

SRzd: Entre os presidentes das agremiações, qual é o sentimento sobre a perspectiva da realização dos desfiles de 2022? E qual a sua opinião?

Alexandre Magno: “As opiniões estão divididas em nosso plenário. Dirigentes com receio de investir em um espetáculo incerto, sem saber se haverá um contrato em 2022, já outros se apegam na esperança que se renova com as últimas notícias sobre as vacinas que garantem a imunização da população brasileira até o final do ano. Já minha opinião diverge entre o raciocínio lógico e o emocional. Ao mesmo tempo em que espero que aconteça o evento, mesmo que no meio do ano, não posso deixar de colocar minha apreensão, pois o momento é delicado, justamente, porque não podemos afirmar se o cronograma de vacina irá ser cumprido e as condições que o país e o mundo estarão em fevereiro, maio, junho ou julho, enfim. Portanto, se eu for resumir minha opinião através de uma palavra será ‘cautela’.”

Saiba mais sobre a Uesp

Fundada em 10 de setembro de 1973 com o objetivo de unir as escolas de samba e blocos carnavalescos da cidade de São Paulo e representá-los junto ao poder público, a Uesp é membro do Conselho Municipal de Cultura e filiada à Confederação Brasileira de Escolas de Samba.

A entidade é responsável pelos desfiles oficiais das escolas de samba paulistanas dos Grupos Especial de Bairros, Acesso de Bairros 1 e Acesso de Bairros 2, Acesso de Bairros 3, além dos Blocos Especiais e Acesso de Blocos, espalhados em diversos bairros da cidade, atraindo grande público.

Além de organizar os desfiles, a “Matriz do Samba” desenvolve projetos em conjunto com suas filiadas visando a construção e o fortalecimento das comunidades e a valorização da cultura popular brasileira através de diversos eventos, entre eles, o “Dia Nacional do Samba”, a escolha do Cidadão e Cidadã do Samba Paulistano, a realização do concurso “Repinique de Ouro” e “Rainha do Samba”, além de cursos para formação de jurados.

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