Original; Peruche cumpre seu papel em homenagem para Martinho da Vila

A primeira homenagem do Carnaval de São Paulo 2018 chegou junto com a tradição da Unidos do Peruche.

A “Filial do Samba” apostou no sambista, cantor e compositor Martinho da Vila para seu desfile deste ano, e foi a segunda escola pisar na Avenida do Anhembi na noite de abertura da folia paulistana.

E surpreendeu. Bonita, original, deu seu recado.

+ Galeria de fotos do desfile da Unidos do Peruche

+ Vídeo: assista ao esquenta do desfile da Unidos do Peruche

Desde 2014 sob o comando do presidente Ney de Moraes, a agremiação está em busca do equilíbrio.

Há 21 anos a Peruche não volta para o desfile das campeãs.

Nestas mais de duas décadas, rebaixamentos, acessos, bons e maus momentos. O anseio pela virada, se reproduz na palavra de importantes atores da atual gestão da agremiação: usar a técnica e cumprir o regulamento. Estes são termos cotidianos nos bastidores daqueles que preparam os desfiles de escolas de samba, não há mais como fugir. Foi um teste de fogo para a “Filial”.

A nova face da Unidos do Peruche contou com uma estreante, logo no primeiro setor.

Paula Gasparini, responsável pela comissão de frente, chegou nesta temporada.

Com o apoio de elemento alegórico, os dançarinos, trajados nas cores azul e verde, foram precisos na execução da coreografia e na interação com o tripé de apoio, simbolizando a união da brasilidade de Martinho com a África.

As transformações pelos lados da Peruche, também vieram na formação daqueles que têm a missão de conduzir o símbolo maior das escolas de samba; o pavilhão.

Destaque da dança por seus movimentos distintos e postura elegante e altiva, Jefferson Gomes chegou para fortalecer o quesito super importante dentro da disputa. Determinado, empregou todo o seu potencial no conjunto com Thais Paraguassu. Estilista, ela fez seu quinto desfile na condição de primeira dama perucheana.

Jefferson saiu do quadro da Mocidade Alegre, assumiu o posto de primeiro na Nenê de Vila Matilde, e “Sampa” se rendeu à um bailado limpo e protetor, que lhe proporcionou prêmios e ótimas notas.

Thais nasceu no berço verde, amarelo, azul e branco, onde começou a bailar como porta-bandeira. Porém, sua oportunidade “primeira” foi na Acadêmicos do Tucuruvi, onde ficou por muitos anos. Ao lado de Fabiano Dourado, Thais conquistou, em 2017, três notas 9,9 e apenas um dez.

Montados num belo figurino, logo atrás da comissão, foram corretos levando com competência o pavilhão verde, amarelo, azul e branco.

Profundamente identificado com a cultura popular e com a escola de samba carioca que carrega em seu nome, a Unidos de Vila Isabel, Martinho voltou ao sambódromo do Anhembi, onde foi um dos destaques da Tom Maior, em 2009, quando a entidade cantou o tema: “Uma nova Angola se abre para o mundo! Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade”. Colecionador de prêmios ao redor do mundo, é dono de uma vasta galeria de sucessos em seu repertório.

Na pista, o que se viu foi uma passagem ampla pela sua história artística, cidadã e espiritual.

Para cuidar do visual, alegorias e fantasias, a diretoria trocou a dupla Murilo Lobo e Sérgio Caputo Gall, por Mauro Quintaes, artista reconhecido, principalmente, pelo cuidado nos acabamentos, padrão nas formas dos carros alegóricos e harmônico jogo cromático dos figurinos.

Para reverter os nove décimos perdidos em alegoria e os seis em fantasia, no concurso de 2017, Quintaes tinha de apostar alto. E apostou. Logo no abre-alas, com três acoplamentos, mostrou suas credenciais. Trouxe alegorias bem acabadas, grandes e de boa leitura. Os figurinos mesclaram originalidade e luxo. Tudo de muito bom gosto. Destoou, um pequeno problema de acabamento no primeiro carro. Outras ocorrências aconteceram; uma ala, do quarto setor, todinha sem chapéu e pequenos problemas nas roupas de mais dois segmentos.

No comando da “Rolo Compressor”, a personalidade discreta de mestre Call cuidando do ritmo que contou com a juventude e brilho da rainha Sthepanye Cristinne. Sem arriscar maiores manobras, deu a sustentação necessária ao conjunto.

O hino para exaltar a trajetória de 50 anos de carreira do sambista Martinho da Vila teve a assinatura de inacreditáveis 25 autores: Toninho Penteado, Emerson Brasa, Nando do Cavaco, André Filosofia, Diley Machado, Alcides Júnior, Sérgio VJS, Marcelo Vila Isa, Leandro Bata´s, Jairo Roizen, Ronny Potolski, Sukata, Morganti, Claudinho, Tavares, Valêncio, Butti, Evandro Malandro, Tubino, Alberjan, Jr Fragga, Leo Rodrigues, Rogério Acioli, Meiners e Victor Alves.

Número impressionante inflado pelo fato da obra ser produto da junção de duas composições finalistas no concurso eliminatório na escola. Samba levado por Toninho Penteando, com precisão. Mas a obra não inflamou o público, nem suas alas, que comprometidas, fizeram seu papel.

Com o número adequado de componentes, a Peruche não teve dificuldade no trajeto pela Avenida, manteve, por quase todo o tempo, um andamento constante e alas bem agrupadas. No conjunto, uma queda, na comparação do primeiro setor, com os demais. A apoteose veio ao fim, com o “Rei Martinho”, todo de branco, no alto do quinto carro.

De olho no relógio!

A Unidos do Peruche encerrou seu desfile com 1h05

A apuração das notas atribuídas pelos jurados para os nove quesitos avaliados nos desfiles de 2018 serão conhecidas na tarde da próxima terça-feira, dia 13 de fevereiro, com cobertura do portal SRzd.

Foi assim no último concurso

(décimos perdidos pela Unidos do Peruche, por quesito, em 2017 – considerando os descartes)

A performance da escola nos últimos cinco Carnavais

Curiosidade

Prêmio SRzd Carnaval SP 2018

Na manhã da próxima terça-feira (13), na página principal da editoria de Carnaval do SRzd em São Paulo, será divulgado o resultado da sétima edição do prêmio. A votação para os internautas estará disponível após o encerramento da apresentação da última escola do Grupo Especial.

Agora é com você leitor! O SRzd quer saber a sua opinião. Vote e participe!

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