Técnica perfeita coloca Dragões em contagem regressiva para a disputa do título

Desfile 2019 da Dragões da Real. Foto: SRzd – Bruno Giannelle

O tempo… ah o tempo!

E como ele foi generoso com a escola de samba Dragões da Real, lhe colocando, em sua velocidade, uma de suas faces, entre as potências do Carnaval de São Paulo.

E foi justamente esse aliado tricolor o enredo da escola no segundo desfile da segunda noite do Carnaval 2019, já na madrugada deste domingo (3), no sambódromo do Anhembi.

“A invenção do tempo. Uma odisseia em 65 minutos” foi a história contada na pista do Anhembi, em apresentação marcada por uma técnica perfeita, de extremo bom gosto e que coloca a vermelha, preta e branca novamente da disputa por um título na cidade.

+ galeria de fotos do desfile da Dragões da Real

+ vídeo: largada do desfile 2019 da Dragões da Real

Presidente
Renato Rodrigues

Carnavalesco
Mauro Quintaes

Intérprete
Rene Sobral

Coreógrafo de comissão de frente
Anderson Rodrigues

1º casal de MSPB
Rubens e Evelyn

Mestre de bateria
Tornado

Rainha de bateria
Simone Sampaio

Mauro Quintaes estreou como carnavalesco da Dragões da Real.

Em 2018 ele assinou o desfile da Unidos do Peruche, e amargou o rebaixamento para o Grupo de Acesso 1 ao homenagear o cantor e compositor Martinho da Vila.

Numa primeira avaliação de seu desempenho, sobretudo nos quesitos diretamente ligados ao seu trabalho, os resultados podem assustar. Tanto em enredo, quanto em alegoria e fantasia, os descontos impostos ao Carnaval perucheano foram consideráveis, tendo inclusive nestes dois últimos itens, deixando a Peruche como a mais penalizada do Especial.

Mas, ao conhecer as justificativas dos jurados, fica bastante evidente que os problemas identificados pelos jurados, possuem ligação com erros relacionados ao acabamento visual e montagem do conjunto, o que efetivamente relativiza, em parte, a responsabilidade direta do carnavalesco, uma vez que o sucesso da finalização de todo um trabalho, depende de outros profissionais e de uma série de circunstâncias.

Ao longo de mais de trinta anos de carreira, Quintaes registra passagens pela Unidos de Vila Isabel, Unidos do Viradouro, União da Ilha do Governador, Imperatriz Leopoldinense, Caprichosos de Pilares, Unidos do Porto da Pedra, Leão de Nova Iguaçu, Mocidade Independente de Padre Miguel, Acadêmicos do Salgueiro, Império Serrano, São Clemente, Unidos da Tijuca e Estação Primeira de Mangueira. Em São Paulo, atuou também por Tom Maior e Gaviões da Fiel.

E assim como a nova agremiação, nunca experimentou o doce gosto de um campeonato na divisão principal. Sua chegada teve contornos de representação da força do encontro pessoal com a escola, ambos sedentos por essa conquista.

Quintaes assumiu a função após a dissolução da comissão de Carnaval tricolor, desfeita com as saídas de Dione Leite e Márcio Gonçalves. Além disso, a contratação dele representou uma mudança de diretriz por parte da diretoria comandada por Renato Rodrigues, o presidente Tomate. Desde 2014, quando teve a genialidade solo de Rosa Magalhães, vinha apostando na concepção coletiva de seus espetáculos através de comissões de Carnaval.

Em sua proposta, apostou num tema subjetivo ao falar de algo que mexe com o prático e o imaginário de qualquer um, todo o tempo, todos os dias:

“No correr dos ponteiros da história, a humanidade tem se lançado ao desafio de inventar o tempo dando-lhe a forma de anos, dias, horas, minutos, segundos… Um grande passo na direção de buscar compreender os ciclos da natureza que se repetem e se repetem e se repetem sem parar. Foi assim que simples mortais ousaram fatiar o tempo em camadas de instantes que se materializam nos deslocamentos da sombra do Sol sobre a pedra, nas areias que escorrem aprisionadas em vidros, na cadência compassada dos pêndulos suspensos no ar, no soar dos velhos carrilhões, no correr ligeiro dos dígitos… Enfim, fez-se da divisão do tempo um artifício para inventá-lo, entendê-lo… e controlá-lo. O ímpeto de desvendar os mistérios do tempo é também combustível para coletar os vestígios do passado e projetar-se na esperança do futuro. Num piscar de olhos podemos estar em 2019 antes da era cristã ou mesmo aportar em um dia qualquer do ano de 3019. A experiência de decifrar os códigos para navegar entre as épocas de glórias que se foram e as novas eras que virão é a mais atrevida das aventuras no tempo. Nesta Odisseia, o ontem e o amanhã podem se encontrar nos domínios do “hoje”, na esquina do “agora”, na travessia do “já”. Reger o vai e vem do tempo parece, por um instante, uma jornada possível. Mas ele sempre há de escapar entre os dedos. Ágil, astuto e movediço.

A tentativa audaciosa de controlar o tempo nos tornou cativos de um ciclo bárbaro que fabricamos. Caímos na armadilha de forjar nossos próprios grilhões feitos de pressa e ânsia. No frenético badalar das horas, cada um se torna mero ator num palco de urgências sem causa. Acorda. Corre. Trabalha. Gira. Acelera. Aperta. Para… Acorda, corre, trabalha, gira, acelera, aperta, para… acorda-corre- trabalha-gira- acelera-aperta (…) Para? Uma marcha insana que nos rouba o tempo livre de ser apenas… humanos. E ri-se o tempo do balé descompassado de corpos robóticos e da orquestra ruidosa regulada pelo veloz andamento da vida. É hora, enfim, de despertar para deter os ponteiros das horas e fazer um pacto com o tempo.

Contagem regressiva. Chegou o momento de viver a mais fantástica das odisseias em que toda a eternidade cabe em 65 minutos. São os instantes que ficarão para sempre na nossa memória pelo encanto que se manifesta no toque compassado da bateria, na palavra tomada de inspiração em poesia e na melodia sincopada a impulsionar a glória de um desfile memorável, no gingado de cada componente que risca o chão da Avenida na cadência bonita do samba, no calor que acende a chama da eterna felicidade. Por isso, roguemos ao tempo, poeta e compositor de afetos, que nos destine a perpétua alegria de, por alguns instantes de ilusão, sermos imortais. Porque somos corpo, alma e emoção em uma apoteótica Odisseia chamada Carnaval. É tempo de ser feliz. Quem sabe faz a hora. O nosso tempo é o já, agora e por todo o sempre. E nada será como antes …”, escreveu ele ao apresentar sua ideia.

As duas últimas décadas revelaram uma nova força no Carnaval paulistano.

Em 2001, a Dragões da Real, recém-fundada, integrava o Grupo 4 da Uesp, a União das Escolas de Samba Paulistanas, primeiro degrau na hierarquia dos concursos na cidade. E foi subindo, rapidamente, até chegar ao seleto grupo principal, onde já foi vice-campeã. Planejou-se para as disputas e, há alguns anos, não fica de fora de qualquer lista de favoritas.

Mas os bons resultados colhidos, não são frutos apenas daquilo que ela mostra na Avenida. Planejou-se, consolidando um projeto de longo prazo. Projeto que arregimenta pessoas, entendendo o Carnaval em toda a sua amplitude e contexto atual, destacadamente, as diretrizes vindas do regulamento. Com uma gestão elogiada e reconhecida por boa parte dos sambistas, segue sonhando com o inédito campeonato.

Desde que ascendeu ao Grupo Especial, no ano de 2012, registra uma performance irretocável. Dos sete desfiles na elite, por cinco vezes, esteve entre as campeãs.

Em 2018, apenas um décimo separou a agremiação das quatro primeiras colocadas, iguais em número de pontos e separadas apenas pelos critérios de desempate. E foi no quesito alegoria, justamente um dos pontos mais fortes da Dragões, que o sonho de levar a taça acabou. Duas notas 9,9 lhe custaram o desconto de um décimo.

Nos demais oito quesitos, somou todos os trinta pontos, avaliação que deixa evidente seu protagonismo na última disputa, algo que poderia ser contestado devido ao quinto lugar.

Além da mexida mais significativa, a chegada de Mauro Quintaes, o retorno do coreógrafo Anderson Rodrigues foi a outra ação mais destacada da diretoria na montagem de seu elenco. Rodrigues veio para o lugar de Roberta Melo, mesmo após a conquista dos quarenta pontos em comissão de frente no ano de 2018, e trouxe novamente, ao seu estilo, uma performance que foi um dos destaques da apresentação.

No mais, foram confirmadas, logo no pós-Carnaval, as permanências do intérprete oficial Rene Sobral, de mestre Tornado, do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Rubens e Evelyn, e do diretor Rogério Felix.

Plasticamente, a Dragões foi outra vez um show, de bom gosto e acabamento, tanto nos carros, que ainda contaram com coreografias integradas aos respectivos temas de cada alegoria, quanto nas fantasias.

No ano passado a eliminatória na Dragões da Real consagrou a parceria formada por Armênio Poesia, Xandinho Nocera, Léo do Cavaco, Galo, Ronaldo Maransaldi, Renne Campos, Paulo Senna, Alemão do Pandeiro, Fábio Brazza, CG e Wagner Rodrigues.

O grupo, que conhece bem a feição da escola, acertou novamente ao criar um hino que foi abraçado pela comunidade. Embora sem empolgar o público, cumpriu sua tarefa e deu a sustentação ao desfile, muito tranquilo e tecnicamente perfeito, assim como sua evolução. De tão bem preparada, ainda pôde brincar, justamente com seu tema, o tempo, e chegar com sobra na dispersão.

+ galerias de foto

+ comissão de frente

+ primeiro casal de MSPB

+ alegorias

+ veja o desempenho da escola nos últimos cinco anos

A partir das 14h30 da próxima terça-feira (5), o portal SRzd transmite ao vivo, em parceria com a Rádio Trianon AM 740, a apuração dos desfiles das escolas de samba do Carnaval de São Paulo 2019.

Pelo oitavo ano consecutivo os destaques dos desfiles das escolas de samba da cidade de São Paulo receberão troféu exclusivo, oferecido pelo portal SRzd.

Voto popular e análise da equipe SRzd, que acompanha os bastidores das escolas de samba durante todo o ano; a somatória destes dois levantamentos vai determinar o resultado do Prêmio SRzd Carnaval SP 2019, ação que valoriza a cultura do samba na capital paulista e seus protagonistas. Em caso de empate, prevalece sempre o voto dos profissionais do SRzd.

A votação popular, que estará disponível através de enquete na página da editoria do Carnaval de São Paulo no SRzd, será aberta após o final do último desfile dos Grupos Especial e de Acesso 1. O resultado será divulgado na terça-feira (5), antes da apuração oficial pela Liga Independente das Escolas de Samba. Clique aqui e conheça todas as categorias.

+ confira a ordem completa de desfiles no Anhembi

Grupo Especial

+ Sexta-feira, 1 de março

1ª – 23h15 – Colorado do Brás
2ª – 0h25 – Império de Casa Verde
3ª – 1h35 – Mancha Verde
4ª – 2h45 – Acadêmicos do Tucuruvi
5ª – 3h55 – Acadêmicos do Tatuapé
6ª – 5h05 – X-9 Paulistana
7ª – 6h15 – Tom Maior

+ Sábado, 2 de março

1ª – 22h30 – Águia de Ouro
2ª – 23h20 – Dragões da Real
3ª – 0h30 – Mocidade Alegre
4ª – 1h40 – Vai-Vai
5ª – 2h50 – Rosas de Ouro
6ª – 4h00 – Unidos de Vila Maria
7ª – 5h10 – Gaviões da Fiel

Grupo de Acesso 1

+ Domingo, 3 de março

1ª – 21h – Mocidade Unida da Mooca
2ª – 22h – Independente Tricolor
3ª – 23h – Barroca Zona Sul
4ª – 0h – Nenê de Vila Matilde
5ª – 1h – Leandro de Itaquera
6ª – 2h – Camisa Verde e Branco
7ª – 3h – Unidos do Peruche
8ª – 4h – Pérola Negra

Grupo de Acesso 2

+ Segunda-feira, 4 de março

1ª – 20h – Primeira da Cidade Líder
2ª – 20h50 – Amizade Zona Leste
3ª – 21h40 – Torcida Jovem
4ª – 22h30 – Estrela do Terceiro Milênio
5ª – 23h20 – Unidos de Santa Bárbara
6ª – 0h10 – Tradição Albertinense
7ª – 1h – Uirapuru da Mooca
8ª – 1h50 – Imperador do Ipiranga
9ª – 2h40 – Camisa 12
10ª – 3h30 – Combinados de Sapopemba
11ª – 4h20 – Dom Bosco
12ª – 5h10 – Morro da Casa Verde

+ veja os preços dos ingressos para todos os dias e setores de desfile em SP

Loja Quatro Estações. Foto: Divulgação

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