Dragões da Real aposta na alegria e na técnica para buscar título inédito

Desfile 2020 da Dragões da Real. Foto- SRzd – Ana Gabriela Moura

Por Guilherme Queiroz

A Dragões da Real levou para a Avenida o enredo A Revolução do Riso: A arte de subverter o mundo pelo divino poder da alegria.

Desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes, a escola da Vila Anastácio entrou na Avenida mostrando que vai brigar pelo título inédito do Carnaval paulistano. Fantasias e alegorias mostraram o bom gosto do carnavalesco.

A comissão de frente comandada pelo coreógrafo Ricardo Negreiros apresentou uma forte interação com o público. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rubens de Castro e Evelyn Silva desfilaram com fantasias leves.

Leve também foi o samba-enredo assinado por Aquiles da Vila, Rapha Sp, Marcus Boldrini, Leandro Flecha, Ítalo Pires e Salgado Luz, que fez não só os componentes, mas também os expectadores do Anhembi se contagiarem com a obra.

Sob comando do Rogerio Magalhães Felix, a evolução correta fez com que a escola fizesse um desfile tranquilo, terminando aos 64 minutos.

+ Vídeo: largada do desfile da Dragões da Real

Comissão de frente

Casal de mestre-sala e porta-bandeira

Alegorias

Musas

+ Vídeo: Entrevistas na dispersão da Dragões da Real

Presidente
Renato Remondini (Tomate)

Carnavalesco
Mauro Quintaes

Intérprete
Renê Sobral

Coreógrafo de comissão de frente
Ricardo Negreiros

1º casal de MSPB

Rubens de Castro e Evelyn Silva

Mestre de bateria
Tornado

Rainha de bateria
Simone Sampaio

“A Revolução do Riso: A arte de subverter o mundo pelo divino poder da alegria”

“Depois de o deus rir, nasceram os sete deuses que governam o mundo…
Quando ele rompeu às gargalhadas, surgiu a luz!
Gargalhou segunda vez, e tudo foram águas!
À terceira gargalhada, apareceu Hermes;
à quarta, a geração;
à quinta, o destino;
à sexta o tempo. 
Depois, antes do sétimo riso, o deus inspirou fortemente, mas tanto riu que até chorou, e das suas lágrimas nasceu a alma…”

Papiro de Leyde (Século III)

E riu-se Deus… e de Sua gargalhada primordial brotaram sete criações divinas que passaram a reger o universo. Esta outra versão do Gênesis a partir de um Big Bang cósmico e cômico, revelada no papiro alquímico de Leyde (Século III), põe-nos diante de uma nova perspectiva: a potência revolucionária do riso. Por meio dele, podemos subverter a ordem das coisas, virar tudo de pernas pro ar, mudar a percepção do que há em nossa volta. Rir é consagrar nossa melhor face às divindades. É a dádiva alcançada pela aventura de viver!
Se “no princípio era o riso”, a arte de gargalhar se tornou também um meio poderoso de brincar com a realidade. Assim, surge a “comédia”, representação cênica que deriva dekômos ou komoidia, termos ligados a festas, aos desvairados cortejos de Dionísio. O deus da alegria incontida dava aos seus discípulos a chance de subverter o mundo, proporcionando o sonho, a galhofa e a liberdade de serem o que quisessem. As lupercais e as saturnais, por sua vez, eram festivais de risos em Roma que burlavam a ordem social estabelecida no mais poderoso império da humanidade, que, no apogeu de suas conquistas, passava a gargalhar de si mesmo.
Se aos deuses o riso tinha uma potência mística, aos mortais propiciava uma outra forma de encarar tudo o que acontecia sobre a face da Terra. Desta forma, mesmo na Europa medieval, onde a sisudez e a contrição dominavam, a sátira se apresentou como um impertinente contraponto ao meio de vida austero na corte. Bobos, bufões e irônicas cantorias nas tavernas faziam parte do cardápio de gozações que garantiam o riso, ato não muito bem visto em épocas de domínio soberano da Igreja sobre a sociedade feudal. No Renascimento, a volta da razão humana ao centro das coisas virou tudo pelo avesso com as comédias de costumes de Molière e a visão irônica de Shakespeare sobre a sociedade da época. No mundo em revoluções, da francesa à industrial, charges colocavam as peripécias da realeza empoada e da elite abastada no devido lugar do ridículo.

E ao falarmos de “humor em tempos de cólera”, chegamos ao período em que o riso se assombrou. Os “donos do mundo” não escaparam do olhar mordaz de artistas como Charles Chaplin, em “O Grande Ditador”, uma crítica ácida em uma era na qual o planeta ainda respirava os ares da loucura totalitária. Nos anos de censura no Brasil, “Alegria, Alegria” se camuflava nas “receitas de bolo” que vinham estampadas nos jornais no lugar de matérias críticas ao regime vigente no então Brasil golpeado. Correndo “riscos”, os “heróis da resistência” montavam suas trincheiras armados de pincel e nanquim. Henfil, Millôr, Jaguar, Ziraldo, entre tantos outros “traçaram” as linhas de frente nas folhas pálidas dos “pasquins”.

Mas chegou enfim a hora de afastar o “cale-se” da mordaça e pintar o rosto com as tintas da alegria. Se só a arte expulsa coisas ruins das pessoas, ela é, mais que tudo, capaz de virar o jogo. A revolução pelo riso se dá ao transformar o nosso interior, dando o fora na tristeza, espantado o desamor, colorindo a vida e curando o baixo astral. Crise? Só se for de riso! Chorar? Só se for de tanto rir! Na nossa escola, conhecida por reunir gente feliz, cada componente é um artista com a inadiável missão de espalhar felicidade. Que sejamos doutores de todas as alegrias nesta lúdica terapia coletiva carnavalesca.

Há vinte carnavais temos aprendido que a verdadeira felicidade só tem sentido se for compartilhada. Por isso, VAMOS BUSCAR o nosso sonho, acreditando na fantasia de que, pelo menos por uma noite, o universo é governado pelo poder supremo do riso. Afinal, se Deus criou tudo ao nosso redor a partir do ato de gargalhar, é porque não há nada mais revolucionário, belo e divino que o milagre da ALEGRIA”.

A Dragões da Real terminou seu desfile com 64 minutos.

Pelo nono ano consecutivo, os destaques dos desfiles das escolas de samba da cidade de São Paulo receberão troféu exclusivo, oferecido pelo portal SRzd.

Voto popular, imprensa especializada e análise da equipe SRzd, que acompanha os bastidores das escolas de samba durante todo o ano; a somatória destes três levantamentos vai determinar o resultado do Prêmio SRzd Carnaval SP 2020, ação que valoriza a cultura do samba na capital paulista e seus protagonistas. Em caso de empate, prevalece sempre o voto dos profissionais do SRzd.

A votação popular, que estará disponível através de enquete na página da editoria do Carnaval de São Paulo no SRzd, será aberta após o final do último desfile dos Grupos Especial e de Acesso 1. O resultado será divulgado na terça-feira (25), antes da apuração oficial pela Liga Independente das Escolas de Samba. Clique aqui e conheça todas as categorias.

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