Artista compara Carnaval com Igreja e reflete: ‘Pensar numa forma dos profissionais não passarem fome’

Sambódromo do Anhembi. Foto: Claudio L. Costa

Sambódromo do Anhembi. Foto: Claudio L. Costa

Definir enredo, sinopse, samba e iniciar a confecção das fantasias para o próximo desfile. Em geral, essas atividades costumam ser realizadas entre os meses de março e setembro no calendário das escolas de samba.

Com as atividades suspensas desde março, por conta do avanço do novo Coronavírus, as agremiações têm tentado seguir o cronograma, na medida do possível, para não atrasar os preparativos.

No Grupo Especial paulistano, apenas três escolas ainda não divulgaram seus enredos, enquanto que outras três, já divulgaram publicamente os sambas que disputam a autoria das trilhas sonoras que irão embalar seus próximos desfiles.

Sambódromo do Anhembi. Foto: Fotos públicas – Rafael Neddermeyer

Nas redes sociais, ocorre uma divisão de pensamentos. Enquanto os sambistas apaixonados por seus pavilhões pensam positivo e torcem pelo retorno das atividades presenciais, há quem critique quem pense em Carnaval neste momento de pandemia. E isso não se restringe a capital paulista. Existe uma pluralidade de opiniões, entre os artistas e sambistas nas redes sociais.

Leandro Vieira. Foto: Leandro Milton/SRzd

Em entrevista recente à Veja Rio, o carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, refletiu sobre o futuro do Carnaval carioca. “Anunciar enredo agora é também dizer que, de alguma forma, as coisas estão normais. Mas temos de nos convencer de que a vida está diferente”, disse ele.

“Eu fico pensando, numa situação tão complicada, será que é a hora de falar em Carnaval? Anunciar enredo agora é também dizer que de alguma forma as coisas estão normais. Estou estudando, produzindo figurinos, mas mais para manter minha sanidade. Não vejo sentido em falar dos próximos desfiles agora”, completou.

Milton Cunha. Foto: Eliane Pinheiro
Milton Cunha. Foto: Eliane Pinheiro

Comentarista de Carnaval da Rede Globo, Milton Cunha externou seu ponto de vista. Em entrevista à jornalistas no último dia 21, ele afirmou que a escola de samba não pode ser mais importante do que a saúde, e que seria “maluquice” promover qualquer ação nas quadras e barracões neste momento, no entanto, se mostrou favorável a realização de atividades através da internet.

“Meu enredo vai ser esse, quando eu vou desfilar, não sei, mas eu quero fazer este enredo. Isso é bacana. A escola de samba está viva. Anunciar, tudo ok. Um dia vamos saber se será em fevereiro de 2021. Adoro saber que as escolas estão pensando. O problema é ser inconsequente na propagação da pandemia. O sambista precisa ser exemplo de cidadania. Tudo que é feito seguindo as regras dos órgãos de saúde é válido”, completou o artista.

Atuando em São Paulo desde 2010, e com passagens por agremiações do Rio de Janeiro, o carnavalesco Amarildo de Mello, responsável pelo desenvolvimento artístico da Leandro de Itaquera pelo segundo ano consecutivo, é defensor de uma discussão mais ampla sobre o assunto.

“O Carnaval também é uma indústria. Tratar o Carnaval como empresa não é irresponsabilidade. O Carnaval tem uma cadeia produtiva e propagadora de renda tal qual qualquer setor. Temos que pensar numa forma desta indústria não deixar os profissionais passarem fome. Não é só o carnavalesco, envolve muitos profissionais”, afirmou.

Amarildo de Mello. Foto: SRzd – Guilherme Queiroz

Amarildo ressalta ser a favor da realização de eventos apenas com autorização das autoridades da área de saúde e no momento adequado. Enquanto isso não ocorre, ele segue trabalhando nos desenhos de carros alegóricos e fantasias, além de atuar em reuniões via internet. A vermelha e branca da Zona Leste levará para a Avenida o enredo “No ecoar dos tambores e no feitiço da Leandro – De Dahomé as terras da encantaria – O cortejo da rainha Jeje e os segredos de Xelegbtá”.

“Me diga qual empresa, seja de qual for o setor, que apesar da crise ocasionada pela pandemia, parada pela quarentena, não está pensando, agilizando e se movimentando para criar meios de recuperação. Até as Igrejas estão preocupadas com a perda de rendimentos. Por que não o Carnaval, que gera emprego e renda, não pode pensar em como será executado com pandemia e pós-pandemia?”, questionou.

Amarildo de Mello. Foto: SRzd – Cláudio L. Costa










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