Apostando no conjunto, Barroca prepara comissão de frente e abre-alas diferentes dos padrões

Logotipo do enredo 2020 da Barroca Zona Sul. Foto: Divulgação.

Após 15 anos, a tradicional Barroca Zona Sul está de volta ao Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. A expectativa da comunidade e dos sambistas em geral tem justificativa. Além do ótimo desempenho apresentado na Avenida nos últimos anos, a verde e rosa aposta na força do trabalho coletivo para abrir com chave de ouro os desfiles de 2020.

O enredo “Benguela… A Barroca clama a ti, Tereza!” será desenvolvido por um comissão artística. Os membros que compõem o grupo são: Rodrigo Meiners, Rogério Sapo e Yuri Aguiar.

Em entrevista ao SRzd, dois integrantes da comissão, Rodrigo e Rogério contaram detalhes do desenvolvimento do projeto e de que forma é realizada a divisão de trabalhos entre eles no processo de criação.

Outro ponto citado no bate-papo foi o incêndio ocorrido no mês de outubro na Fábrica do Samba 2. Na ocasião, a diretoria da escola divulgou através de nota, que a “fuligem comprometeu as peças, estruturas e decorações já terminadas“. A dupla ainda revelou alguns destaques do desfile que irá abrir a primeira noite da divisão de elite do samba paulistano no dia 21 de fevereiro. Confira:

Rogério Sapo: “Abrir o Carnaval em grande estilo”

SRzd: De que forma será desenvolvido o enredo sobre Tereza de Benguela?

Rogério Sapo: No Carnaval 2020, a Faculdade do Samba Barroca Zona Sul levará para a Avenida mais que uma página de nossa história. Levará luta, suor, ideais, legados, liberdade e superação. Mostrará em forma de enredo, a verdadeira personificação de uma mulher. Levaremos para a Avenida, Tereza de Benguela. Todas as mazelas que ela passou no Brasil , quando o país vivia a divisão do ciclo do ouro entre portugueses e espanhóis serão apresentadas. Vamos passar por toda parte geográfica e histórica, chegando até o estado de Mato Grosso, que era considerado o eldorado brasileiro. Lá nasceu o Quilombo do Quariterê, onde havia uma miscigenação de vários povos mestiços, caboclos, negros e índios, e pela cobiça do ouro esse quilombo foi destruído. A Barroca vem mostrar que seu legado perdura até o dia de hoje.

SRzd: Como toda essa história será materializada em fantasias e alegorias?

Rogério Sapo: Isso será materializado nas fantasias nas alas dos portugueses, espanhóis e bandeirantes. Mostraremos os índios, escravos, caboclos, mestiços em fantasias de fácil leitura, e com tecidos exclusivos projetados para nosso desfile. A Barroca Zona Sul vai abrir o Carnaval de São Paulo em grande estilo, com um enredo fantástico e com uma comunidade cantando forte o nosso belo samba. Aproveito para agradecer ao nosso presidente Ewerton Cebolinha e nosso diretor de Carnaval Marcão que estão sempre junto correndo com a gente.

SRzd: Como é feita a divisão dos trabalhos da comissão artística?

Rogério Sapo: Funciona da seguinte forma: o Rodrigo é responsável pela condução e desenvolvimento do barracão, o Yuri é nosso desenhista, e a minha parte é a confecção de adereços e costura de todas as fantasias.

SRzd: Conte para os nossos leitores a sua trajetória no Carnaval.

Rogério Sapo: Comecei no Carnaval com um ateliê há 10 anos, junto de minha esposa Karina Monteiro, na parte de reprodução de fantasias de diversas escolas. Em 2016 fui chamado pra fazer algumas alas na Barroca para o Carnaval 2017, na época que o carnavalesco era o Danilo Dantas. Fiz as alas e a escola foi campeã do Grupo 1 da Uesp (atual Grupo de Acesso 2). O Danilo saiu, e permaneci na escola. Em 2019 o diretor de Carnaval Marcão me convidou para fazer parte da comissão artística e subimos. Estou pelo segundo ano fazendo parte dessa comissão, cuidando da parte das fantasias.

Rodrigo Meiners: conjunto e equilíbrio entre todos departamentos

SRzd: No Carnaval 2019 você teve a missão de abrir o Grupo de Acesso 1, pela coirmã Mocidade Unida da Mooca e agora terá a tarefa de abrir o Grupo Especial. Qual a expectativa?

Rodrigo Meiners: Abrir o Acesso 1 em 2019 foi muito difícil, mas com certeza evolui e aprendi demais como profissional. Abrir o Especial e o Carnaval de São Paulo também vai ser muito difícil, e um dos nossos maiores desafios a serem superados. Mas com a experiência vivida em 2019, fiquei mais “calejado”. Converso todos os dias com o presidente, chefe da decoração e chefe da ferragem para buscar opções de minimizar o trabalho de montagem lá no terreno, pois a primeira escola a desfilar além de menos tempo de montagem, acaba se preocupando mais com outras coisas, como a chegada dos componentes e outras atribuições.

SRzd: O quanto impactou no cronograma de barracão o incêndio ocorrido no último mês de outubro?

Rodrigo Meiners: Se a gente comparar com as escolas afetadas diretamente pelo incêndio, nosso prejuízo é até irrisório, mas nosso grupo é outro, e do nosso grupo, fomos a única que foi prejudicada, mesmo que indiretamente. Perdemos uma semana de trabalho só para limpeza do barracão e das alegorias. Após essa semana de limpeza, com o retorno das equipes, perdemos mais alguns dias fazendo a troca de materiais aplicados em peças já prontas que não conseguimos limpar, então basicamente foram aproximadamente 10 dias que não produzimos nada novo, apenas corrigimos peças que já estavam prontas, e 10 dias no processo de construção do Carnaval da pra se fazer muita coisa. A perda financeira é assunto da direção da escola, mas como membro da comissão artística acho importante explanar o registro de gratidão para diretoria que resolveu as questões dos materiais imediatamente, e para diversos departamentos da comunidade que no mesmo dia da tragédia já estavam no barracão dispostos a ajudar no que fosse preciso. Hoje nós já conseguimos normalizar nosso cronograma e graças a Deus que o pior não aconteceu conosco e que ninguém se feriu em nenhum barracão com o ocorrido. Um susto e um dia muito triste e difícil de esquecer.

Incêndio atinge barrações na Fábrica do Samba II. Foto: Divulgação – Corpo de Bombeiros da PMSP

SRzd: Quais elementos você destaca como destaques do desfile que está sendo construído?

Rodrigo Meiners: O principal destaque do nosso desfile, por mais clichê que seja a resposta, é o conjunto e o equilíbrio entre todos departamentos e quesitos, como se cada um fosse uma engrenagem, sem qualquer vaidade, e que ao funcionarem todos juntos fazem “acender” todo projeto do Barroca Zona Sul. Uma linha que a escola vem seguindo e vem dando certo nos últimos anos. Falando individualmente do visual, aposto em uma abertura de desfile muito forte, com uma comissão de frente e um abre-alas diferente dos padrões. No carro 5 faremos algumas homenagens que com certeza irão fazer com que o público, principalmente mulheres, se sintam honrados e reconhecidos por nós.

SRzd: Do virtual para o real. Fale um pouco sobre sua trajetória como artista do Carnaval.

Rodrigo Meiners: Sou mais “um cria” do Carnaval Virtual que graças a Deus hoje trabalha no Carnaval. Comecei com 13 anos a desenhar e projetar para carnavalescos e atuar como assistente de alguns em barracões. Realizo todos os dias meu sonho de menino. Trabalhei e estudei bastante para “ganhar” essas oportunidades, mas sei que preciso trabalhar e estudar o dobro para continuar atuando nessa área.

SRzd: Deixe sua mensagem final.

Rodrigo Meiners: Gostaria de agradecer primeiramente ao presidente Ewerton Cebolinha, ao diretor de Carnaval Marcão e demais diretores pela confiança e principalmente pelas condições de trabalho não só pra mim, mas para todos os outros membros da comissão artística e funcionários do barracão. Claro que tenho noção da realidade financeira da escola, mas todos materiais que pedi para utilizar nas alegorias, a direção correu atrás e em poucos dias estava no barracão para executarmos o trabalho, e esse empenho e vontade de fazer acontecer acaba contagiando positivamente o ambiente.

Logotipo da Barroca Zona Sul para o Carnaval 2020. Arte: Divulgação.

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