Carnaval/RJ

Rachel Valença analisa ensaios técnicos do último domingo

Rachel Valença, comentarista do SRzd Carnaval. Foto: Reprodução Youtube

São Clemente

Ensaio técnico da São Clemente (16/02/19). Foto: SRzd

A chuva forte – fortíssima – todo o tempo de ensaio da São Clemente não abateu o ânimo da escola. A escola sabe o que é enfrentar a adversidade e aprendeu a sobreviver a ela. Não é fácil a vida de uma escola de samba da Zona Sul. Nascida no asfalto de Botafogo, na rua que lhe dá nome, ela foi vítima de várias violências culturais. Na década de 60, a comunidade de morro vizinho, que lhe dava sustentação, foi removida para muito longe. Vinte ou trinta anos depois, perdeu sua quadra, porque o samba não era considerado um bom vizinho. Ainda assim, persiste, tem conseguido manter-se no Grupo Especial e fez hoje um bonito ensaio. Pena que a ideia de reedição de sambas já está um tanto ultrapassada, e apesar da atualidade do enredo certamente a ala de compositores teria muito a dizer em uma nova composição.

Mangueira

Ensaio técnico da Mangueira (17/02/19). Foto: SRzd

São Pedro deu um tempo para que a Mangueira entrasse sem chuva na passarela alagada. A escola estava pequena, o que pode significar que muita gente desistiu na concentração por causa do temporal, ou que a escola realmente vira com número de componentes mais reduzido este ano. O que me encheu os olhos: o naipe de pratos na bateria. Isso mesmo. A bateria não tinha à frente um ritmista tocando pratos , tinha uma fila completa de pratos. Que efeito magnífico! O que me decepcionou: o desempenho do samba-enredo. Esperava dele muito mais emoção. O intérprete Marquinho Art’Samba não estava inspirado. Como faltam duas semanas, ainda é tempo de corrigir. Para isso servem os ensaios.

Portela

Ensaio técnico da Portela (17/02/19). Foto: SRzd

A chuva voltou para desfilar com a Portela, não tão forte quanto na São Clemente, mas bem incômoda. Temporal anima o componente, desafia. Chuva fraca e insistente aborrece e desanima. Não, a Portela não desanimou. Estava organizada e muito empenhada no canto. A ala das Baianas, divina, com sua saia rodada de tecido estrelado, evoluindo lindamente e à vontade. Bom. Porque um excesso de alas coreografadas, como vimos hoje na escola, é cansativo e não ajuda muito. Creio que é algo que faz parte da cultura da escola, mas talvez possa ser repensado. Uma escola do porte da Portela não precisa lançar mão de um recurso como esse: tem samba de sobra. E provou isso com o ensaio de qualidade e emoção que fez hoje.

Comentários




    gl