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Porque Rute Alves, a competente porta-bandeira da Viradouro, na Estácio de Sá?

Porta-bandeira da Viradouro, Rute Alves contou sua superstições para a virada. Foto: Nicolas Barbosa/Eliane Pinheiro/SRzd

*Por Eliane Souza

E conversando com Rute Alves, ela respondeu que era um desafio! Mulher de Yansã, tatuada no corpo, não foge da luta. E foi assim, me contou: “Há um tempo que eu já vinha pensando nisso, penso que posso contribuir, já havia ensaiado alguns casais que foram meus segundos e amigos, mas sem algo “firmado”, era quando podia e dava, agora eu queria assumir esse compromisso. Foi levado o meu nome e mais dois ensaiadores para o casal, Feliciano e Thaís, que escolheram meu nome”.

E quem é ela, que dança no grupo da elite do Carnaval carioca?

Ela é a primeira porta-bandeira da Unidos do Viradouro, figurinista teatral e profissional de áudio visual.

Em 2024 ela completará 27 carnavais como porta-bandeira, sendo 17 anos ao lado de Julinho Nascimento.

Campeã do Carnaval no Grupo de Acesso em 2001 pela Porto da Pedra, em 2004 pela Vila Isabel e 2018 pela Viradouro. No Grupo Especial, em 2007 e 2013 pela Vila Isabel, em 2014 pela Unidos da Tijuca e em 2020 pela Viradouro!

Agraciada com prêmios do site Carnavalesco, Gato de Prata, SRzd, Vai dar Samba e dois Estandartes de Ouro pelo Jornal O Globo.

Em 2024, Rute Alves, abraçando o convite, estreia como diretora artística do primeiro casal da Estácio de Sá.

E quem é o primeiro casal do GRES Estácio de Sá? Um casal com uma trajetória no samba: “ele, Feliciano Júnior é o que genuinamente chamamos de ser da comunidade. Morador do Morro do São Carlos e tendo a Estácio de Sá, não somente como a escola do seu bairro, mas também a escola do seu coração.

Como os frutos vem do pé, com treze anos ele defendia o pavilhão da Nova Geração do Estácio e aos dezessete já alçava voos pelo Paraíso do Tuiuti, passando também pela São Clemente , Alegria da Zona Sul, Mocidade Independente de Padre Miguel, Camisa Verde e Branco (São Paulo), Império Serrano , Beija-Flor de Nilópolis e Rouxinóis (Uruguaiana-RS).

E em 2021, Feliciano retorna à sua escola de origem realizando seu sonho e no carnaval de 2024 estreará com duas portas bandeiras novas. É isso, no próximo carnaval estará em dupla jornada, com a porta bandeira Thaís Romi pela Estácio de Sá e pela Caprichosos de Pilares com a porta bandeira Graci Araújo!”

E me falando sobre sua vida acadêmica e profissional:

“Eu sou formado em Produção Cultural e Enfermagem. Atualmente trabalho no CTI da policlínica de Botafogo como técnico de enfermagem.”

E ela, essa linda porta-bandeira?

Thaís Romi nasceu em setembro, carioca, estudou na Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch e depois, formou-se em Fonoaudiologia na Universidade Veiga de Almeida.

Ela iniciou sua trajetória no projeto do Manoel Dionísio.

Tem passagem pelas escolas Vizinha Faladeira, Vigário Geral, Paraíso do Tuiuti, Porto da Pedra, Cubango, Alegria da Zona Sul, Tradição e em 2024, Estácio. Em 2017, foi comentarista do quesito mestre-sala e porta-bandeira no SRzd.
Formada em Fonoaudiologia, com Pós-Graduação em Geriatria e Gerontologia, atualmente se especializando em questões da Voz Humana, essa artista acumula um título poderoso: ela é mãe da Helena!!! e, no samba, afilhada de Babi Cruz, a grande porta-bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel!

Eu perguntei, quem é você? Ela, com uma singeleza e grande simplicidade me respondeu: “ Sou fonoaudióloga, trabalho em hospital. Hoje estou trabalhando no Getúlio Vargas e Samaritano Botafogo. Além de atender particular duas vezes na semana.

Gosto muito de viajar com a minha família e sair para curtir uma boa música.

Moro em Ramos, com meu marido e minha filha de 1 ano e 6 meses.

Meus pais são meus melhores amigos e alicerce.

Todos eles são meus parceiros!”

Na segunda-feira, dia 4 de dezembro, dia dedicado a Yansã, fui apreciar o casal em sua preparação para o carnaval, porque vibrei ao saber da função de Rute Alves na equipe. Fiquei bastante satisfeita ao acompanhar o ensaio do dia, pois aconteceu na rua! Um ensaio na Avenida Salvador de Sá, descendo do cruzamento com o Sambódromo até a porta da quadra, lá no Largo do Estácio. O casal chegou acompanhado da diretora artística e do diretor de harmonia e mestre de cerimônia Leandro Rufino que, há dez anos cumpre esse ritual com o primeiro casal da escola.

O trabalho sério, no ritmo de exigência da diretora artística, que a luz dos ensinamentos de Bruno Germano, ditou a regra para dar início a performance da noite. Trabalhar o movimento para a excelência na execução!

Aquecimento, concentração, preparação espiritual e determinação que, mesmo diante de adversidades e intercorrências, impulsionaram a ação do dançarinos, conduzindo sua forma para recuperação e superação! Corpo e alma em harmonia.

Unindo a todo esse planejamento, percebemos a importância para o casal em ter como preparadora e diretora artística, uma porta-bandeira experiente e audaciosa que, seguindo ao lado, coloca à disposição sua energia, baseada no viver a arte do bailado, promovendo a segurança, pois sua presença é de quem vive no corpo a arte que então dirige! Eu me emociono e me encanto, ao perceber o saber ancestral sendo trocado, no espaço sagrado da procissão do samba, num reconfortante assegurar o mistério de conduzir a dança, louvar o pavilhão e cortejar a dama divina que o conduz!

Para um dia consagrado a dona dos ventos e tempestades, dos raios e trovões, atravessar a avenida Salvador de Sá, foi um lindo momento de enfrentamento, disciplina e superação, para o casal e sua equipe!

E eu, coração disparado e feliz, pude apreciar, durante todo o percurso, o bailado em atualização, sendo preparado para desfilar na Passarela.

Parabéns, Rute Alves por aceitar esse desafio! Da mesma forma a Leandro Rufino, o veterano da equipe, pela acolhida as duas damas. E parabéns ao casal pela maravilhosa escolha e por se entregar, confiante, ao trabalho proposto.

Axé!

Eliane Santos de Souza é professora e pesquisadora do tema: dança, dança do samba, bailado do mestre-sala e porta-bandeira. Lecionou, como substituta, no curso de Bacharelado em Dança da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ. É Doutora em Arte pelo PPARTES-UERJ com a tese: Daqui de onde te vejo: reflexões de uma porta-bandeira sobre o mestre-sala, com publicação em formato de livro com o mesmo título. É Mestre em Ciência da Arte- UFF com a dissertação: Uma semiologia do samba: O bailado do mestre-sala e da porta-bandeira. Ainda é especialista em Educação pela Universidade Federal Fluminense, Docente do Ensino Fundamental e especializada em Educação Infantil. Porta-bandeira aposentada, é apoio, orientadora e apresentadora de casais. Foi membro de comissões julgadoras do quesito mestre-sala e porta-bandeira, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, São Paulo e Uruguaiana.

Crédito das fotos: portal SRzd
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do portal SRzd

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