Não curtiu! Torcida da Mangueira reclama de mudança em samba e pede versão original

Marquinho Art’Samba é o intérprete da Mangueira. Foto: Thiago Mattos

O tão comentado samba da Mangueira para o Carnaval 2020 ganhou ainda mais repercussão após as mudanças realizadas pela escola. A saída de dois versos da obra, um deles do refrão principal, não caiu no gosto da torcida verde e rosa. Nas redes sociais, mangueirenses reclamaram das modificações e pediram a volta da versão original.

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A principal crítica dos torcedores foi em relação ao verso do refrão principal “Se alguém por acaso despreza, teme a força que ele tem”, um dos mais comentados durante as eliminatórias. O trecho “E num domingo verde e rosa”, na parte final da composição, também foi cortado da obra. O verso fazia referência ao dia da ressurreição de Cristo e também à data do desfile da Mangueira, que será a terceira escola do primeiro dia de Grupo Especial.

Na página oficial da verde e rosa no Facebook, as reclamações foram tantas que não se limitaram à publicação que divulgou a nova versão do samba. Torcedores também usaram postagens que abordavam outros assuntos para pedir que a escola voltasse atrás nas mudanças.

Compositora sai em defesa das mudanças

Manu da Cuíca e Luiz Calos Máximo comemoram vitória na final da Mangueira 2019/2020. Foto: Thiago Mattos/Divulgação

Campeã do concurso de samba-enredo da Mangueira ao lado de Luiz Carlos Máximo, a compositora Manuela Oiticica, conhecida como Manu da Cuíca, saiu em defesa das mudanças realizadas pela verde e rosa.

Em texto publicado em rede social, a autora da obra concordou que é “esquisito ver versos se despedindo do samba”, mas alertou que a composição precisa “se encaixar no peito da Avenida”. Manu disse que, ao longo da disputa, percebeu duas “arestas” em sua obra: os versos “domingo verde-e-rosa” e “se alguém por acaso despreza, teme a força que ele tem” – trechos retirados pela Mangueira nas modificações.

“‘Domingo verde-e-rosa’ introduzia uma nova ideia de verso e melodia, alongando uma estrofe que precisava ser estrofe, mas também preparação pro refrão. Com isso, ofuscava um pouco o verso seguinte. Na versão atual, ‘Ressurgi’ vem com mais cara de fechamento de ideia. No refrão (se alguém por acaso despreza/teme a força que ele tem), sempre soubemos que havia um risco. Bancamos na hora da disputa, entendendo que a mensagem, o ritmo das palavras e acentuação valiam a aposta. O suingue que queríamos rolou bonito e a mensagem também. Mas não foram poucas as vezes em que a palavra ‘teme’ (fraca e anasalada) era substituída por outra pelas pessoas e que o verso saía meio embolado porque exigia precisão na respiração e rápida alternância de fonemas. Levar a aposta pra Avenida significaria dobrar uma aposta que, já na quadra, tinha lá suas osciladas”, afirmou Manu da Cuíca.

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