História do Carnaval carioca é contada em livro de crônicas

Livro Enredando. Foto: Divulgação

Livro Enredando. Foto: Divulgação

Uma coletânea de sinopses de enredos – alguns ainda inéditos – para escolas de samba e blocos de carnavais, reunidos desde 1984. Assim nasceu o livro “Enredando Ilusões (Autografia)”, de José Leonídio, cuja finalidade é falar desses temas que viraram antologias musicais e se tornaram marcas da história do Carnaval carioca. A obra chega ao mercado na edição de 2019 da festa popular, em março.

Apesar de ser o terceiro livro publicado por José Leonidio, “Enredando Ilusões” representa a primeira incursão do autor na literatura, quando, em 1984, escreveu e desenvolveu o enredo “33: Destino, Dom Pedro II”, feito para o GRES Em Cima da Hora.

Livro Enredando. Foto: Divulgação
Livro Enredando. Foto: Divulgação

Ele caiu no gosto do povo por abordar o cotidiano do trabalhador pegando o trem da Central do Brasil, prefixo 33, na estação de Japeri até a estação Dom Pedro II. Como representação do dia a dia do operário, usuário dos trens da Central do Brasil, e pela beleza poética e melódica do samba composto por Guará e Jorginho das Rosas. O samba rendeu um Estandarte de Ouro e possibilitou à escola retornar ao Grupo Especial. Sob a direção do cineasta Nelson Pereira dos Santos, virou, ainda, clipe para a Rede Manchete.

Já um outro, “de Geração em Geração, nas Asas da Tradição”, sobre a sabedoria popular no passado, presente e futuro, foi motivo de crônica elogiosa do acadêmico Austregésilo de Athayde.

Em “Enredando Ilusões”, o autor escolheu crônicas para representar a viagem que os compositores fazem através das sinopses e que resultaram na interpretação do enredo e na criação do samba enredo. Entre os recursos utilizados no livro, para provocar a criatividade dos compositores, estão as rimas e a oportunidade de divagação poética dentro dos temas. O uso de sinalizações, entre elas pontos, vírgulas e ponto-e-vírgulas ajudam os compositores a identificarem momentos da crônica considerados importantes para a confecção do samba.

A imagem da capa e ilustrações da obra são da artista plástica Branca Paixão, cujo reconhecimento do trabalho dá-se, principalmente, pelos quadros sobre desfiles carnavalescos que pinta.

“Foram mais de duas dezenas de enredos para escolas de sambas e blocos, entre muitos temas”, conta. “Alegrias do Segundo Caderno”, outro dos 21 exemplos contados em “Enredando Ilusões”, foi o primeiro a mostrar a importância sócio político cultural desses suplementos dos jornais para formação e informação do leitor.

“Quando o enredo está em nossa imaginação, nos pertence. Ao dividirmos com os componentes da escola de samba (diretoria, compositores, ritmistas, baianas, passistas) deixa de ser nosso. O samba enredo traz dezenas de interpretações diferentes que permitem ao público opinar qual o de sua preferência. A entrar na Avenida, da versão original restam menos de 50% porque, democraticamente, enredo e samba foram se adequando às exigências de seus verdadeiros donos, os componentes da comunidade de sambistas que formam as Escolas de Samba, o universo livre do Carnaval”, define José Leonídio.

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