Embalada por sua bateria, Tijuca aposta em suas raízes esperando dias melhores

Desfile das escolas de samba do Rio 2024. Foto: SRzd/Juliana Dias

Embalada por sua bateria, Tijuca aposta em suas raízes esperando dias melhores:

Rio 2024: Começou, na noite deste domingo (11), o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro na Marquês de Sapucaí com as apresentações do Grupo Especial carioca.

Seis agremiações no cardápio da folia: Unidos do Porto da Pedra, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos da Tijuca e Imperatriz Leopoldinense.

A Unidos da Tijuca foi a 5ª da noite de espetáculo na Passarela do Samba e com a esperança de, ao menos, voltar ao Desfile das Campeãs, de onde está ausente desde 2016.

Veja o que disseram os comentaristas do SRzd sobre o desfile da Tijuca:

+ como foi o desfile?

Wallace Safra: “A ala de passistas se apresentou de maneira íntegra, bonita e vibrante. Um bom samba no pé e com um conjunto de passistas coerente. O trabalho é linear e adequado. Acredito que o costeiro do figurino não contribuiu para um bom resultado e uma boa evolução da ala. Precisamos olhar para os passistas com mais carinho e entendimento. Contudo, gosto da ala e acredito que o trabalho foi bem apresentado, dentro das possibilidades”.

Célia Souto: “Os componentes da escola de samba Unidos da Tijuca passam pela Avenida cantando o samba, mas é possível observar que alguns não estavam cantando a letra na sua totalidade, ou seja, cantam uma parte e em outras perdem a tenacidade. Em relação à evolução, as alas se apresentam normalmente, andamento moderado e dança contida. A escola foi passando pela pista realizando um desfile onde podemos sentir a necessidade de mais garra e empolgação para defender o canto e a dança”.

Bruno Moraes: “A bateria da Tijuca passou o carro, como eles gostam de falar. Impressionante a qualidade técnica mesmo com um andamento mais pra frente, já que o samba pedia isso. Mestre Casagrande estava mordido e fez grandes apresentações ao Júri. A ala de tamborim, que é liderada pelo diretor desse naipe mais experiente do Carnaval, foi muito bem. O conjunto de bossas parecia ser executado em um estúdio de gravação. O povo do Borel veio brincando e feliz. Uma bateria que toca samba de enredo”.

Eliane Souza: “Destaque para Rafael Gomes e Thainá Teixeira, o segundo casal da escola, que apresentou com garbo e alegria o bailado neste desfile. Matheus André; Ele dança! Um dançarino que corteja com elegância, executa com maestria os movimentos característicos do bailado, com destaque ao CRUZADO com beija-flor, executado com extrema leveza! O toque da PEGADA DE MÃO, ele transforma em reverência! A execução do VOLEIO com falsa queda é de tirar o fôlego. Abusado, se joga na realização dos movimentos que executa com destreza e segurança, tudo isso perfumado com um lindo sorriso, sedutor e consciente desse poder de sua dança! Manuseando um bastão, conduz a dança e a dama, para qual abre espaço para que ela dance, enquanto, tão protagonista quanto ela, domina a cena! A Lucinha, experiente e sestrosa, bailando sorridente, assim plenamente cortejada, apresentou giros perfeitos no ABANO ocupando o espaço com leveza e determinação. Maravilhoso bailado do casal da Tijuca”.

Jaime Cezário: “O povo da Unidos da Tijuca trouxe para esse Carnaval um samba fadado, ou melhor, ‘Um conto de Fados’. Num momento em que o que vale exaltar nos enredos são as ancestralidades indígenas e africanas, a escola teve a ousadia de homenagear nossas raízes portuguesas. Isso mesmo, nossas raízes, não adianta torcer o nariz, pois corre em nossas veias o sangue lusitano. Dessa forma, corajosa, trouxe um enredo com grande leque de temas para explorar, pois a história lá pelas bandas da Península Ibérica começa por volta do século VI ac. até os dias de hoje. De uma forma linear, clara, objetiva e sem erros, o enredo foi apresentado. Fantasias e alegorias com a assinatura de um carnavalesco super campeão que é o Alexandre Louzada. E ele não errou na escolha das cores aos materiais usados. ‘Ah, eu não gosto’, você pode dizer. Lamento, problema seu. Estamos numa disputa, e as escolas vão ser avaliadas por quesitos, e nisso ele é mestre! Dessa forma, a Unidos da Tijuca toda perfumada de alecrim, saiu defumando a pista com benjoim, com esperança em dias melhores, vamos aguardar”.

Wallace Safra: “Contada por Orfeu, a comissão de frente trouxe para a Avenida de maneira original mais uma versão sobre a origem de Lisboa. Com movimentos sincronizados e extremamente expressivos, os bailarinos agregam valor à coreografia dos seus figurinos em forma de raiz e suas trocas dinâmicas. Sinto que o elemento cenográfico poderia ser melhor aproveitado na coreografia, mas a plástica estava adequada e dentro da proposta do enredo. Importante destacar que existem formatos de comissão que já não saciam e precisamos olhar para a inovação com carinho. Trabalho coerente”.

+ VÍDEO: MELHORES MOMENTOS DO DESFILE

+ GALERIA DE FOTOS DO DESFILE

+ ENTREVISTAS NO DESFILE

+ Carnaval 2024:

O conto de fados, assinado por Alexandre Louzada. Este é o enredo da escola que ficou com o 9º lugar do Grupo Especial no Carnaval de 2023.

O samba é de autoria dos compositores Júlio Alves, Cláudio Russo, Jorge Arthur, Silas Augusto, Chico Alves e D’Sousa.

+ desempenho da escola nos últimos seis carnavais:

+ ordem oficial de desfiles do Grupo Especial 2024:

Domingo, 11 de fevereiro:

1º – Unidos do Porto da Pedra (Campeão do Acesso 2023)
2º – Beija-Flor de Nilópolis
3º – Acadêmicos do Salgueiro
4º – Acadêmicos do Grande Rio
5º – Unidos da Tijuca
6º – Imperatriz Leopoldinense (Campeã do Grupo Especial 2023)

Segunda-feira, 12 de fevereiro:

1º – Mocidade Independente de Padre Miguel (11ª colocada do Grupo Especial 2023)
2º – Portela
3º – Unidos de Vila Isabel
4º – Estação Primeira de Mangueira
5º – Paraíso do Tuiuti
6º – Unidos do Viradouro

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