Viradouro 2019: Sapucaí vê agremiação sorrir em grande desfile e sonhar com primeiras posições

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/SRzd

Quem viu a Viradouro chorar, viu a vermelho e branco sorrir neste domingo (3), na Marquês de Sapucaí, quando foi a segunda a se apresentar no Grupo Especial. De volta à elite, a agremiação mostrou que está longe de ser aquela escola que sobe e briga para não cair. Em um desfile muito bom tecnicamente, que reuniu os famosos efeitos do carnavalesco Paulo Barros, a Viradouro pode sonhar com as primeiras posições na Quarta-feira de Cinzas.

Com o enredo “Viraviradouro”, sobre encantos e magias, a vermelho e branco teve todos os quesitos muito bem defendidos e ainda levantou boa parte do público, que geralmente ainda está frio no início de uma noite de desfiles. Ao final da apresentação, o carnavalesco Paulo Barros foi ovacionado pelo público.

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

Para a comentarista do SRzd Rachel Valença, o carnavalesco da vermelho e branco fez um dos seus melhores trabalhos nos últimos anos: “Um Carnaval claro e bonito, em que aqueles sustos típicos de seus enredos redundam em brincadeira alegre. A sensação que se tem é que Paulo está feliz, de bem consigo mesmo. Ainda que o desalinhavo do enredo incomode, um bonito Carnaval”.

Comissão de frente

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

Ao representar “Viraviradouro vai virar”, a comissão comandada por Alex Neoral, que reedita a dupla com Paulo Barros – ambos estavam na Vila Isabel em 2018 -, mostrou uma síntese do enredo. Baseada na teatralização, o grupo trazia o neto interagindo com a avó. Em determinado momento, ele roubava o livro de encantos e magias, o qual soltava fogo ao ser aberto pelo menino. O fato arrancou aplausos do público.

A segunda parte trazia elementos alegóricos que cercavam a avó e, após efeito de gelo seco, a transformavam em uma bruxa. O truque voltava a se realizar no final da coreografia, quando príncipes viravam sapos. Os recursos complexos funcionaram e o grupo vai para apuração com bastante confiança da nota máxima.

Para o comentarista do SRzd, Márcio Moura, o quesito da Viradouro foi bem defendido e abriu o desfile da escola com pé direito: “Alex Neoral absorveu maravilhosamente a estética de Paulo Barros em comissões de frente. Trouxe uma comissão cheia de truques que agradou muito a plateia. Uma forte rajada de fumaça transformava príncipes em sapos! A cereja do bolo era Suzy Brasil, uma das mais importantes artistas performáticas do RJ, que interpretou a avó”.

Casal de mestre-sala e porta-bandeira

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

“O amor está aqui” foi o tema da fantasia de Julinho e Rute, e o casal fez jus ao significado da roupa. Com sorrisos, simpatia e carinho na cumplicidade, o veterano casal, que volta ao Grupo Especial, mostrou porque é um dos grandes da história do Carnaval carioca.

A belíssima roupa branca contribuiu para a beleza da apresentação da dupla, que também foi aplaudida pelo público do Sambódromo. Para a comentarista do SRzd no quesito, Eliane Santos Souza, o casal da Viradouro teve desempenho exemplar na Avenida.

“Novamente, o mestre-sala Julinho, em sua exuberância de dançarino veterano, escreveu suas “letras” com maestria e conduziu a dança da porta-bandeira, manuseando com perfeição e habilidade o bastão! A divina Rute Alves, pés plantados no chão, com segurança e firmeza, durante o “patinete”, encadeando seus movimentos realizou o “abano” com giros horário e contra horário com perfeita coordenação e sintonia com o mestre-sala. O bailado do mestre-sala e da porta-bandeira apresentado pelo casal da Viradouro, com elegância, sutileza e bom gosto, estava preservado. Podemos observar um casal maravilhoso deslizando na passarela.”

Alegorias e adereços

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

Um trabalho primoroso de Paulo Barros, um dos seus melhores nos últimos anos. Repletas de efeitos, as alegorias conseguiram unir a boa estética, o acabamento correto e o uso da tecnologia a seu favor. O único porém se deu em frente ao primeiro módulo de jurados, quando o carro 3, “A Bela e a Fera”, chegou apagado em frente à cabine, mas acendeu antes de sair de frente dos julgadores. As arquibancadas reagiram positivamente a todos os carros alegóricos. As formas e cores também funcionaram. Também vale destacar a boa leitura.

Dentre os pontos que mais chamaram atenção, estão: o abre-alas, “Histórias e mistérios sem fim”, que trazia livros em movimentos e chuva de papel picado; o carro 4, “Holandês voador, que um homem rodava a alegoria pendurado em uma corda; e o carro 5, “Motoqueiro fantasma”, que apostou numa encenação de mortos vivos em um cemitério e ainda contou com um motoqueiro que descia pilotando da alegoria para a pista.

Fantasias

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

Outro ponto de destaque do desfile da Viradouro foi o conjunto elaborado por Paulo Barros, que contribuiu para a construção de um visual que, além de belo, conseguiu passar o que o enredo propôs. O trabalho envolveu alternativas luxuosas que não deixaram os figurinos pesados. A maquiagem, em mais da metade dos componentes, também funcionou e trouxe mais realidade ao desfile.

Para o comentarista do SRzd no quesito, Wallace Safra, o conjunto de fantasias foi excelente:

“A escola mergulhou no mundo mágico com seres, divindades e deuses poderosos, construindo um recomeço das cinzas. Com uma plástica perfeita, a agremiação de Niterói surpreendeu com fantasias bem desenvolvidas e bem realizadas. Bons acabamentos foram a marca da escola, apresentando amplitude em suas construções e visíveis tipos de materiais, além de uma grande diversidade de perucas e cabeças muito bem desenvolvidas. As maquiagens artísticas também marcaram presença de uma maneira predominante e rica, somando ainda mais em caracterização. Destaque para as fantasias das composições no quarto carro, bem realizadas e que juntamente a interpretação dos componentes prendeu a atenção do público, belíssimo trabalho”.

Enredo

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

Aliado ao belo trabalho plástico, “Viraviradouro” foi bem desenvolvido e se mostrou de forma clara na Sapucaí. O universo de encantos e magias foi transportado para a pista e envolveu, por completo, o público presente no Sambódromo. Para o comentarista do SRzd no quesito, Hélio Rainho, o enredo da Viradouro, junto do trabalho de Paulo Barros, arrebatou a Avenida.

“Paulo Barros é um autêntico contador de histórias. Sua paixão pelo lúdico e pelo fantástico aparece em todos os seus trabalhos, e potencializa-se em enredos como este, onde o carnavalesco mais uma vez deu um show na narrativa e esbanjou originalidade na concepção. A marca autoral de um grande artista! Com a virtude de estar perfeitamente integrado à alma da escola.”

Samba-enredo

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

O samba da Viradouro pode não figurar entre os melhores do ano, mas garantiu uma passagem segura e empolgante da escola, mérito também de Zé Paulo Sierra, sempre um ‘monstro’ na interpretação. O destaque ficou para a letra e melodia do refrão principal, que tocava na emoção dos componentes.

O comentarista do SRzd no quesito, Rômulo Ramos, elogiou a composição que deu vida a “Viraviradouro” e o trabalho do carro de som na sustentação da obra na Avenida: “Um samba de enredo que foi cantado inclusive pelas performáticas composições dos carros, o que aconteceu porque a voz guia sustentou a obra dentro do ritmo dado pela bateria”.

Bateria

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

Vestidos de “Mago Merlin”, os ritmistas comandados por Ciça, que retornou à vermelho em branco para o Carnaval 2019, passaram com a característica mais marcante do mestre: conseguir a comunicação com o público. A Sapucaí correspondeu nas bossas realizadas na parte final e refrão do samba e contribuiu para uma passagem empolgante da escola.

Para o comentarista do SRzd no quesito, Bruno Moraes, a bateria da Viradouro teve bom desempenho na Avenida: “A bateria da Viradouro levantou a Sapucaí, principalmente na bossa do tamborim, onde mestre Ciça, que além do show de ritmo, fez um show pirotécnico. Com o ritmo mais acelerado, a bateria lembrou os últimas anos do Ciça na escola”.

Harmonia

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

Um show de canto da comunidade de Niterói. O que era visto nos ensaios se confirmou na pista. As alas entoaram o samba-enredo, com destaque para os três últimos setores, que passaram tão empolgados que conseguiam fazer o público presente nas frisas cantar junto da escola.

O comentarista do SRzd no quesito, Rômulo Ramos, elogiou o trabalho da equipe da vermelho e branco: “Essa Diretoria de Harmonia da Viradouro tem o tempo de cada passo dado nessa pista de dança, tornando fácil o seu trabalho, conseguindo trazer a escola na mão desde a concentração, o que faz com que a agremiação cante e se mantenha compacta”.

Evolução

Desfile Unidos do Viradouro 2019. Foto: Leandro Milton/Srzd

Sem buracos, compacta e empolgada, a comunidade da Viradouro passou brincando, evoluindo e sambando pela Marquês de Sapucaí. A agremiação manteve o mesmo ritmo de desfile e não precisou correr. Vale também destacar a comunicação que várias alas conseguiram manter com o público das frisas.

Para o comentarista do SRzd no quesito, Rômulo Ramos, a evolução da Viradouro se deu de forma correta e coesa na passarela do samba: “Quando a direção de Harmonia tem a escola na mão, realizando os ensaios de quadra e também de rua, consegue executar a evolução sem que a agremiação deixe de cantar e dançar evoluindo”.

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