Crise no Carnaval: Laíla pede reunião e defende valorização da comunidade e cultura brasileira

Laíla trabalha na Unidos da Tijuca no Rio e na Águia de Ouro em São Paulo. Foto: SRzd/Fábio Capeleti

A esperança de dias melhores se renova a cada ano. Mas na virada de 2019, sambistas terão que mentalizar ainda mais forte para que a nuvem negra que paira sobre o Carnaval se afaste e leve com ela a crise que afeta as escolas de samba cariocas. Dentre as pessoas que torcem por um próspero ano novo à folia está o diretor de Carnaval da Unidos da Tijuca, Laíla. Para ele, além dos pedidos de Réveillon, atitudes importantes devem ser tomadas para que Momo levante a cabeça e não deixe a coroa cair.

“Precisamos ter uma grande reunião das pessoas que fazem o Carnaval, para que nós possamos achar um caminho de baratear a festa. Esse é o primeiro ponto”, disse o experiente sambista ao SRzd.

A busca de Laíla por soluções mais em conta não é recente. Um ano atrás, em entrevista à reportagem, ele defendeu o número de três alegorias por escola do Especial. Nessa época, a subvenção ainda era de R$ 1 milhão para cada agremiação. Com o novo corte de 50%, anunciado no início de dezembro, cada grêmio recreativo do grupo de elite terá direito a somente R$ 500 mil da prefeitura.

A situação piora nas divisões inferiores. Na Série A, por exemplo, cada escola receberá R$ 250 mil. Já as 60 agremiações dos grupos B, C, D e E, além das escolas mirins e blocos de enredo, terão de dividir uma quantia de cerca de R$ 3,5 milhões.

Sem apoio da Uber e com pouca subvenção da prefeitura, desfiles da Intendente Magalhães são os mais afetados. Foto: Divulgação

Na opinião de Laíla, é hora de valorizar o chão da escola: “Precisamos trabalhar nossas comunidades, porque está todo mundo perdendo. Estamos perdendo espaço para gêneros de músicas diferentes, perdendo para aqueles que acreditam, através da sua fé, em outras religiões que automaticamente não têm o caminho do samba. Vai ficar difícil daqui a um tempo.”

Se não fossem as comunidades hoje, estaria muito ruim para fazer o espetáculo

Ele deu exemplo do trabalho iniciado na Beija-Flor, sua ex-escola, há mais de vinte anos: “Graças a Deus, quando eu comecei lá atrás na Beija-Flor em 1995, buscando o caminho de fazer comunidade, todo mundo se assustou. Mas se não fossem as comunidades hoje, estaria muito ruim para fazer o espetáculo”.

Na conversa com o SRzd, Laíla também priorizou, mais uma vez, a essência do desfile de escola de samba. De acordo com o diretor, é preciso que a festa seja cada vez mais brasileira para ter sucesso e ser valorizada fora da bolha de sambistas.

“Eu acho que está na hora de se dosar e buscar fazer história única e exclusivamente brasileira. Os caras estão viajando, veem coisas faraônicas de outros países e acham que podem introduzir no Carnaval. Esse Carnaval nosso é Carnaval de escola de samba. É o que eu estou me propondo junto com a diretoria da Tijuca”, finalizou.

Para Laíla, valorizar a comunidade de uma escola de samba é um dos pontos principais para o Carnaval sair da crise. Foto: SRzd

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