Coronel Jairo pretendia disputar presidência da Mocidade em 2019

Ex-deputado, Coronel Jairo. Foto: Alerj

A ação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 8, desdobramento da Operação Lava Jato, prendeu 20 pessoas, das quais duas delas com proximidade com o Carnaval: Chiquinho da Mangueira (PSC), deputado estadual reeleito e presidente da escola de samba, preso na Barra e Coronel Jairo (MDB), deputado estadual não reeleito, que tinha seu nome cogitado para a disputa da presidência da Mocidade Independente de Padre Miguel no ano que vem.

A complexa articulação política em favor do Coronel Jairo ao principal posto da Mocidade ainda estava nos bastidores, mas evoluindo muito bem. Fontes confiáveis disseram ao SRzd que um dos entusiastas por trás da movimentação pró-Jairo estaria o ex-presidente da agremiação, Paulo Vianna, que procurado, até a publicação desta reportagem, não nos deu retorno.

Dos 22 mandados de prisão, 10 são contra deputados estaduais do Rio de Janeiro. Entre os alvos da Operação Furna da Onça está Affonso Monnerat, secretário de governo de Luiz Fernando Pezão (MDB). As investigações apontam que os envolvidos recebiam propinas mensais que variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil – além de cargos.

Edson Albertassi, Paulo Mello e Jorge Picciani. Foto: Montagem/Internet
Edson Albertassi, Paulo Mello e Jorge Picciani. Foto: Montagem/Internet

Três dos parlamentares foram presos no ano passado: Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do MDB. O deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PSC), presidente da escola de samba, foi preso por volta das 7h25 desta quinta-feira; André Corrêa (DEM), seu colega de Alerj e ex-secretário de Meio Ambiente, às 8h10.

Segundo a política federal,  “o ‘mensalinho’ era resultado de sobrepreço de contratos estaduais e federais. De forma ilícita, os parlamentares eram beneficiados ainda com o loteamento de cargos em diversos órgãos públicos do estado, como o Detran, onde poderiam alocar mão de obra comissionada ou terceirizada”.

Alguns dos alvos são:

Affonso Monnerat, secretário estadual de Governo;
André Correa (DEM), deputado estadual e ex-secretário estadual de Meio Ambiente, preso na Barra;
Chiquinho da Mangueira (PSC), deputado estadual reeleito e presidente da escola de samba, preso na Barra;
Coronel Jairo, deputado estadual não reeleito;
Edson Albertassi (MDB), deputado afastado – já preso em Bangu;
Jorge Picciani (MDB), deputado afastado – já em prisão domiciliar;
Leonardo Jacob, presidente do Detran;
Luiz Martins (PDT), deputado estadual reeleito;
Marcelo Simão (PP), deputado estadual não reeleito;
Marcos Abrahão (Avante), deputado estadual reeleito;
Marcus Vinícius Neskau (PTB), deputado estadual reeleito;
Paulo Melo (MDB), deputado afastado – já preso em Bangu;
Vinícius Farah (MDB), ex-presidente do Detran, eleito deputado federal.

Quem é Coronel Jairo

Coronel Jairo. Foto: Facebook
Coronel Jairo. Foto: Facebook

Conhecido como Coronel Jairo, tem o seu eleitorado baseado em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro. Em 2002, foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro pelo PSC, sendo reeleito em 2006 e 2010. É o presidente do Céres Futebol Clube, agremiação esportiva que disputa a Série B do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.

Contra ele surgiram suspeições de envolvimento com milícias do Rio de Janeiro, acusação fortemente rechaçada pelo ex-parlamentar. Ficou como suplente em sua reeleição para a Legislatura 2015-2019, mas assumiu no decorrer do mandato.

No dia 20 de fevereiro de 2017, foi um dos 41 deputados estaduais a votar a favor da privatização da CEDAE.

Em 17 de novembro de 2017, votou pela revogação da prisão dos deputados Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, denunciados na Operação Cadeia Velha, acusados de integrar esquema criminoso que contava com a participação de agentes públicos dos poderes Executivo e do Legislativo, inclusive do Tribunal de Contas, e de grandes empresários da construção civil e do setor de transporte.

Na biografia referente ao Coronel Jairo disponível no site da Alerj consta algumas das suas realizações como parlamentar: “Ao longo de sua vida parlamentar, o Coronel Jairo tem se dedicado a construir uma sociedade mais justa e igualitária, trabalhando em benefício da população carente do estado. É de sua autoria o projeto de lei 702/2003, que serviu de base para a construção da primeira universidade pública da Zona Oeste. A Uezo foi inaugurada em 2005, com o objetivo de capacitar trabalhadores para as indústrias que estão chegando à região e também para o Polo Gás-Químico de Duque de Caxias. Hoje, a instituição tem cerca de 1.500 alunos em diversos cursos técnicos. Os moradores da Zona Oeste podem concluir seus estudos sem precisar sair da região”.

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