Componente barrada na Mangueira por ser branca usará indenização para desfilar na escola

Desfile da Mangueira de 2015. Foto: Riotur

Depois de ser impedida de desfilar na Mangueira em 2015, a torcedora Kátia, de 56 anos, quer dar a volta por cima. A sambista, que deverá ser indenizada em R$ 10 mil pela escola por ter sido barrada por ser branca, já sabe o destino do dinheiro: usará para finalmente desfilar na verde e rosa.

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Mangueirense fervorosa, Kátia, em entrevista ao Extra, afirmou que nem o constrangimento vivido em 2015 abalou o sentimento pela agremiação: “Vou desfilar e lavar a alma. Frequentei a quadra por 15 anos, ainda sou apaixonada. Já me convidaram pra sair em outras escolas, mas não consigo”.

Cinco anos atrás, Kátia foi barrada minutos antes de entrar na Sapucaí pelo fato de ser branca. Ela foi retirada da ala ‘Mãe Menininha’ já na concentração. Segundo diretores, a fantasia se destinava apenas a mulheres negras. Além dela, sua irmã e outras três mulheres também foram impedidas de desfilar.

“Falaram que a gente era branca e não podia desfilar na ala de mulheres negras. Mas por que deixaram outras pessoas brancas desfilarem na ala? E por que venderam as fantasias pra gente?”, questionou a componente.

Kátia havia viajado de Barra Mansa à capital para debutar no Sambódromo pela escola de coração. Horas antes do desfile, ela e a irmã compraram a fantasia por R$ 850 cada. Naquele ano, a Mangueira fazia uma homenagem às mulheres com o enredo “Agora chegou a vez vou cantar: mulher de Mangueira, mulher brasileira em primeiro lugar”.

“Fiquei constrangida e fui embora. Chorei a noite inteira. Naquele desfile, que estava falando da mulher guerreira, a gente ter aquela decepção, foi muito triste. Era meu sonho, mas ainda vou realizar”, disse.

Na decisão, o desembargador da 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio fixou o valor da indenização em R$ 10 mil como compensação pelas despesas de Kátia com fantasia e hospedagem, além do trauma de não ter realizado o sonho de desfilar. Na ação, a mulher foi representada pelo advogado Saulo Alencar.

A  Mangueira informou que a situação ocorreu na gestão anterior e o atual presidente da escola, Elias Riche, está buscando junto aos advogados que cuidaram do caso mais detalhes sobre a decisão em questão.










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