Após morte de neto, Neguinho da Beija-Flor quer deixar o país: ‘Negros já nascem suspeitos’

Neguinho da Beija-Flor. Foto: SRzd

Neguinho da Beija-Flor. Foto: SRzd

Lenda viva do Carnaval carioca, Neguinho da Beija-Flor quer deixar o Brasil. A ideia antiga voltou à tona com a morte de seu neto Gabriel Ribeiro Marcondes, de 20 anos, no último domingo (18). O jovem foi baleado durante uma troca de tiros entre policiais militares e bandidos na tentativa de impedir um baile funk em Nova Iguaçu.

Em entrevista ao O Globo, o cantor deixou claro que pretende sair do país para oferecer outras condições de vida para a filha mais nova, Luisa Flor Morena, de 12 anos: “Ter filho negro no país, se pensar legalzinho, é uma responsabilidade muito grande. A gente fica preocupado”, declarou.

Neguinho também afirmou que seu filho, o pai de Gabriel, processará o Estado, e lembrou de tantos negros que morrem vítimas do racismo da sociedade brasileira.

“A justificativa é a seguinte: “seu neto estava no lugar errado, na hora errada”. Queria que ele estivesse onde? Num shopping na Barra? Aqui em Copacabana? Se todo lugar no Rio é perigoso. É muito fácil fazer justiça em cima do negro sem defesa. Uma vez perguntei a um amigo, um grande jurista, sobre o que aconteceria se a pena de morte fosse aceita no país. Ele disse: “só vão viver os brancos, vão matar todos os negros”. Negros já nascem suspeitos. Em negro, atiram primeiro para depois saber quem é”, desabafou.

Intérprete da Beija-Flor desde 1976, o sambista não deu data de quando pretende deixar o país. O plano já poderia ter sido posto em prática, mas foi interrompido pela chegada da pandemia de Covid-19, que impactou diretamente a economia da família.

“Penso nisso há muito tempo. Só não aconteceu com a pandemia. Sem show, tive que gastar tudo, só saiu. O suporte que eu tinha, com essa finalidade, foi tudo. Não vou criar minha filha aqui depois do que aconteceu com o Gabriel. Não vou mesmo”, afirmou.










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