Rio Belo declara todo seu amor ao Brasil em seu enredo, conheça a sinopse!

Dia 02 de setembro de 2018, o Museu Nacional foi vítima de um incêndio. Um patrimônio inestimável da história do país foi perdido e um sentimento de descaso tomou conta de grande parte dos brasileiros. Pensando nisto, o Império do Rio Belo em 2019 escreverá uma carta declarando todo seu amor ao Brasil e ao mesmo tempo pedirá perdão pelo abandono com seu legado. “PS: Brasil, eu ainda te amo” será o próximo enredo do leão prateado no carnaval virtual.

 

PS: Brasil, ainda te amo!

Carta ao Brasil, 2018.

Página 1: O fogo que destrói a história reacende a memória.

Brasil, amado, jamais te esqueci. Fui engolido pelas mazelas diárias, fui sobrecarregado de obrigações, fui forçado a seguir a toque de gado e a deixar de lado nosso caso de amor; amor às suas paisagens incomparáveis, à sua cultura e ao seu jeito único de ser pátria. Hoje, ao perceber como te machucam diariamente, ao chorar sobre as cinzas de sua história, resolvi te dizer algumas palavras, mesmo que tardiamente. E te escrevo motivado pelas chamas que outrora machucaram minh’alma, mas que agora reacendem minha memória e aquecem meu coração, impedindo que eu te deixe. Quero novamente vislumbrar sua história, desfolhar e mergulhar em suas páginas marcadas pela força de um povo que sempre se pôs a lutar.

 

Página 2: Chorei sobre as cinzas de sua história.

Meu Brasil, como é bom relembrar o início de sua história, quando ainda não haviam te mapeado. Grandes criaturas por aqui pisaram, grandes povos aqui viveram em harmonia antes de te invadirem. Ah! Como era bom ouvir histórias dos donos da terra, de antes do encontro de culturas que subjugou a pele vermelha. Depois vieram os tumbeiros condenando os irmãos da pele negra, subordinados. E aquela realeza que desembarcou fugida, em meio a gritos de loucura para tentar novos ares por aqui? Queriam abrir espaço para a modernidade, mas acabaram jogando muitos para debaixo do tapete… Sinto falta de seus heróis e de reconhecer que a cada dia nasce um grito do Ipiranga pelas favelas, um “Eu fico” pelas ruas, as caras pintadas pelo sol que castiga o trabalhador, as repúblicas de diferenças. Quero ouvir mais uma vez as áureas vozes que ecoavam seus ideais em suas batalhas em busca de um Brasil melhor e foram violentamente caladas pelo chumbo. Retornar em marcha pelas ruas, erguendo nossa voz clamando o fim do descaso patrimonial. Apagar as chamas de uma política que incinera a identidade de um povo e fazer de nossas lágrimas e lamúrias a razão de seguirmos em resistência.

 

Página 3: És, de Norte a Sul, um paraíso.

Amada terra marcada pelo encontro de povos, onde nordestinos e nortistas se misturaram ao povo do sul e sudeste para se espalharem e desbravarem o centro-oeste. Quero mais uma vez ir por seus interiores e assim ver a vida brotar da lama de seus mangues, caminhar por entre as matas de cocais e me estender pela Atlântica. Quero sentir de novo a brisa dos pampas, o ar do cerrado, o calor da caatinga e então abraçar a Amazônia frondosa. Como é lindo ver a natureza oferecer o fruto, a flor, a pesca e a caça. Os pássaros voando, os insetos povoando, os répteis se esgueirando. Quero me banhar novamente em tuas águas, sentir suas cachoeiras, me cobrir em seus Lençóis, provar de seus lagos, me energizar em seus aqüíferos e ver correr os rios para seus belos mares.

 

Página 4: Pátria amada, de alegria e fé.

Quero voltar a foliar com seus reis e lavar minha alma no Bonfim. Como nos velhos tempos, ir de encontro ao asfalto decorado de ilusão arrastar minha fantasia coberta de confete e serpentina e me encantar com os estandartes festejando o divino em meio às procissões rodeadas de fitinhas e lindas imagens. Sonho vestir-me novamente com bandeirinhas coloridas e sair por aí correndo atrás do meu boi de chita e, enquanto a água não cobre minha ilha mágica, colori-la do mais belo azul e do mais forte vermelho. Quero sair pelas ruas tocando tambor e rodando minha saia rendada e então, como antes, me emocionar com seus ritos e rezas, ver a devoção de um povo tão marcado pela fé, sentir cada promessa amarrada na corda, cada lágrima rolada. Sentir que a esperança pode ser renovada a cada passo.

 

Página 5: Brasil, tens a arte de ser único.

Quero mais uma vez me deliciar com os sabores de cada gente e sentar-me à mesa para ouvir nossas rainhas brilharem nas ondas do rádio. Pelos palcos desejo de novo cantar, emocionar, ouvir cada canção. Desejo declamar aqueles teus versos lindos ao abrir das cortinas e ao acender dos holofotes, encarnar tua emoção no improviso, me encantar com teus grandes personagens de todas as artes para novamente te aplaudir. Pintar aquela semana que devorou os ideais, decorar igrejas com pérolas imperfeitas, riscar traços abstratos a céu aberto. Vou celebrar suas diferenças, amar tuas peculiaridades e vivenciar cada grupo, cada tribo, cada alma que por aqui vaga. Sentir de volta a alegria ao descer nosso morro onde fizemos lar, onde de cada viela brota tanta cultura, e não me espantar com as luzes ofuscantes da metrópole, com seus prédios escondendo nossas humildes casas, pois é aqui que fazemos resistência. É aqui que nasce a arte de vencer o dia-a-dia grafitada por entre os muros, rimada e dançada nesse chão batido, que ousa levantar a voz para denunciar as entranhas desse país.

 

Página 6: É teu o dom da esperança.

Não quero ver tua gente chorar, não quero ver descaso e nem dor. Não quero ver um caminho perdido. Preciso enxergar aquela luz no fim do túnel para não esquecer que “a esperança é a ultima que morre”. Preciso ver mais uma vez essa brava gente jovem erguendo suas bandeiras, plantando suas sementes de tolerância, liberdade e fé para um novo amanhã. Acreditar que tudo é possível para quem ama, para quem luta a cada dia e vence a cada noite. Brasil, a quem tanto peço perdão, resista! Você é sim a pátria da coragem e da esperança.

Quero-te muito!

Quero-te tantas coisas!

Quero te ver germinar de novo.

 

P.S: Brasil, eu ainda te amo!

Autoria desconhecida.

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