Apoteose traz as “Cirandas” em seu retorno ao Carnaval Virtual

Logo do enredo da Apoteose para o Carnaval Virtual 2018. Foto: Divulgação

Em seu retorno ao Carnaval Virtual o GRESV Apoteose apresentará o enredo: “Cirandas” de autoria do presidente e intérprete João Carlos Martins. Escola foi campeã do Grupo de Acesso em 2016 e participou do Grupo Especial em 2017, ficou inativa durante o ano de 2018.

Pavilhão da Apoteose. Foto: Divulgação

 

FICHA TÉCNICA

Nome: Grêmio Recreativo Escola de Samba Virtual Apoteose
Cidade sede: Rio de Janeiro
Data de fundação: 22/12/2015
Cores: Verde e amarelo
Simbolo: Arco da Apoteose

Presidente: João Carlos Martins
Carnavalesco: Isaac Neves da Hora
Intérprete: João Carlos Martins
Presidente de honra: Renan de Oliveira Rodrigues
Diretor de Carnaval: Gabriel Henrique Caldas Pinheiro

 

ENREDO:

Cirandas

Autor: João Carlos Martins

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Virtual Apoteose te convida a dançar ciranda. O folguedo popular, expoente da cultura brasileira, é o tema-enredo da agremiação que traz, em seu pavilhão, as cores da bandeira do Brasil e reforça, a cada ano, a missão de ‘carnavalizar’ produtos tipicamente verde, amarelo, azul e branco. Após a homenagem às baianas e aos pescadores, a Apoteose encerra a trilogia nordestina e, na maior passarela virtual, samba em “Cirandas”.

 

INTRODUÇÃO

Logo do enredo da Apoteose para o Carnaval Virtual 2018. Foto: Divulgação

Vamos te levar a uma viagem por quatro formas de cirandas no Brasil, que demonstram a evolução e a rica história da dança de roda. A partir do convite da Apoteose para que cirandemos rumo ao Grupo Especial, dançaremos a beira da praia com as mulheres que aguardavam seus pescadores retornarem da lida diária. Ao por fim na angústia da espera, as esposas cantavam e dançavam em roda. E fincaram as raízes da ciranda nas areias da Ilha de Itamaracá.

Não demorou muito para que a dança ganhasse o estado de Pernambuco. De roupas coloridas, dançaremos a ciranda nordestina pelo estado, na voz marcante de Lia do Itamaracá – a rainha da ciranda, chamada de “diva da música negra” pelo The New York Times e comparada a ‘nossa’ Clementina de Jesus.

De mãos dadas, vamos abrir a roda no Norte brasileiro, tal como Antonio Felício, responsável por levar o folguedo de Pernambuco ao munícipio de Tefé, no Amazonas. A Arena do Parque do Ingá em Manacapuru recebe a Apoteose, que se junta à Flor Matizada, aos Guerreiros Mura e à Tradicional num grande festival de samba e ciranda.

Como toda tradição, a ciranda é perpetuada e passada aos filhos através da oralidade. Fora do Norte e Nordeste, a forma do folguedo mais conhecida é a infantil. A dança, pela simplicidade e facilidade, foi incorporada às brincadeiras de criança. Cantemos e dancemos as cantigas de roda. A criança Apoteose de três anos só quer cirandar.

 

SINOPSE

Vem, me dá a mão. Que o toque lento da zabumba vai abrir a roda. Hoje você é cirandeiro. A Apoteose convidou.
“Minha ciranda não é minha só
Ela é de todos nós” *1

Roda que gira. Gira pra direita. Ou pro lado que você quiser. Roda da inclusão. De gente de qualquer idade, gênero, raça. Roda da cultura brasileira. Do folguedo popular. Da alegria e felicidade em dançar sem saber dançar. Uma dança marcada com o pé no chão. De dois passos para frente e dois passos para trás. Cantada ou improvisada por um mestre. Ritmada por tarol e ganzá. Caixa e maracá. E roda… vai girando a ciranda, que se mistura com o samba no desfile da Apoteose.

“Vejo o firmamento, vejo o mar sem fim
E a natureza ao redor de mim” *2

Vai pescador… vai buscar teu sustento no mar. Trazer o peixe vivo para viver fora da água fria. E trazer a emoção de reencontrar teu amor na areia. Essa que guardou a espera de uma vida inteira, guarda as raízes da ciranda. Vai mulher… mãos dadas com a outra que sofre como você. Pé no chão, na areia. Canta, dança e roda. Rompe o silêncio da angústia, “cirandando a vida na beira do mar, cirandando a vida na beira do mar”. *3

“Esta ciranda quem me deu foi Lia
Que mora na Ilha de Itamaracá” *4

E a ciranda sai da beira da praia para tomar a Ilha de Itamaracá. Conquista Pernambuco. Ganha o Nordeste. A roda cresce. Cresce colorida nas fitas e nos detalhes das vestimentas. É dança nas pontas-de-rua, nos terreiros das casas dos trabalhadores. É ciranda nas avenidas, nos bares, nas esquinas, nos clubes. É ciranda do povo, dos artistas, dos turistas. E de Lia. A “diva da música negra” *5, rainha cirandeira. “Morena queimada do sal e do Sol” *6. Abençoada por Iemanjá. Que na mistura do samba, é Clementina de Jesus.

“Ciranda cirandinha foi Tefé que viu nascer
Eu também brinquei ciranda
Pro meu sonho acontecer” *7

Salve Antonio Felício! Mulato pernambuco que faz a Apoteose cirandar no Norte. Gira a roda em Tefé. É simplicidade dançada ‘contra’ o povo de Nogueira. É tradição que se une a modernidade. Em Manacapuru, a escola de samba abraça a escola de ciranda. A flor se abre para manter tradição de guerreiros, que levam a ciranda a todos os brasileiros.

“Atirei o pau no gato-to
Mas o gato-to não morreu-rreu-rreu
Dona Chica-ca admirou-se-se
Do berrô, do berrô que o gato deu: miau!” *8

É chegada a hora de passar a herança aos filhos. Filhos do Brasil inteiro. A ciranda também é brincadeira infantil. Entra na roda, criança! Canta essa cantiga. Vira escravo de Jó ou soldado da cabeça de papel. Ladrilha esta rua de alecrim dourado, mas não deixe o cravo brigar com a rosa, tá? E cuidado com o boi da cara preta. Vai, gira. Gira essa roda pra vida inteira. A Apoteose, essa criança de três anos, também quer entrar na brincadeira!

*1 Trecho de “Minha Ciranda” – Lia do Itamaracá
*2 Trecho de “Eu sou Lia (Ciranda de Lia)” – Paulinho da Viola
*3 Trecho de “Eu sou Lia (Ciranda de Lia)” – Paulinho da Viola
*4 Trecho de “Lia” – Antônio Baracho da Silva
*5 Forma como o jornal americano The New York Times se referiu à Lia do Itamaracá em reportagem especial
*6 Trecho de “Eu sou Lia (Ciranda de Lia)” – Paulinho da Viola
*7 Trecho de “Sonho de criança” – Flor Matizada
*8 Trecho da cantiga de roda “Atirei o pau no gato”

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