Apoteose mostra a relação entre a água e a fé do povo brasileiro em seu enredo para o Carnaval Virtual 2020.

O GRESV Apoteose apresenta seu enredo em busca de seu 2º título do Grupo de Acesso do Carnaval Virtual e retornar ao Grupo Especial, para isso a escola reforçou sua equipe com a contratação do carnavalesco Vanderson César, campeão do Grupo de Acesso em 2018. O enredo da escola trata da relação entre a água e a fé do povo brasileiro, com o título “Dentro do mar tem rio, dentro de mim tem o quê?” de autoria do enredista da escola Marcos Felipe Reis e do carnavalesco Vanderson César, o logo do enredo foi confeccionado por Leandro Thomaz.

 

FICHA TÉCNICA:

Presidente: João Carlos Martins
Presidente de Honra: Renan Rodrigues
Carnavalesco: Vanderson Cesar
Intérprete: João Carlos Martins

 

 

Dentro do mar tem rio, dentro de mim tem o quê?

Enredo e pesquisa: Vanderson César
Texto: Marcos Felipe Reis

 

APRESENTAÇÃO

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Virtual Apoteose se debruça sobre as águas, guiada pela fé; ou debruça-se sobre a fé, guiada pelas águas. “Dentro do mar tem rio, dentro de mim tem o quê?” busca, no Carnaval Virtual 2020, desvendar a mística da fé brasileira envolta em gotículas de água, elemento primordial da vida e das religiões.

Vamos nos despir de dogmas e ritos para mergulharmos na fé popular. Navegar no poder da crença. Nadar nas ondas das súplicas. Rezar para que a própria vida caia dos céus. Assim como um rio que segue seu rumo cortando matas, montanhas e cidades, e desagua no mar, nosso desfile segue seu rumo pela religiosidade popular – amparada em sincretismos, saberes, crenças, crendices, encontros, amarras, falas, rezas, banhos, lavagens, procissões.

Se fé é a crença naquilo que não se pode vê, água é a própria manifestação do divino na terra.

 

INTRODUÇÃO

Dentro de mim tem fé. A mesma que move montanhas move água. Água, da nascente, do rio, do mar, do ribeirão. Benta, santa, de cheiro, de reza, de pemba, de mandinga. De altares, andores, quartinhas, oratórios e corações. Água que sobe os altares e vira fé, fé que escorre pelas mãos e vira água. Água que personifica o divino, que conduz oferendas, que cura, que é morada de encantos. Duas forças que se confluem como afluentes de um rio, que corta matas e cidades desaguando num mar de esperanças. É a viagem pela fé de um povo materializada em gotas, rios, lagos, ondas e oceanos. Dentro de mim tem água, fonte de vida, movida a fé!

 

SINOPSE

Por entre várias faces, lendas e crenças, a água traz não só a vida. Ela enche o corpo, anima o espírito dessa gente de fé. Dá forma à espiritualidade rezada, cantada e recitada. Transborda-se de encantos e traz consigo seres místicos do saber popular. Sigam os caminhos, sereias e encantados! Que cheguem os marinheiros e marujos! E na mais alta sacralização, a água toma forma divina! Percorre lamaçais, poças e mangues – é sabedoria; se faz rio e cachoeira – é sedução e riqueza; e deságua no grande mar – é mãe de todos.

Aproximam-se pescadores, jangadeiros e canoeiros para manifestar sua fé. Erguem-se cantoria e foguetório. Pelas margens do grande rio, tem forró pé-de-serra. Banham-se os fiéis que desejam renovar suas promessas para não deixar a tradição junina secar. Na força da correnteza, a pororoca e a subida dos peixes dão àqueles necessitados filhos teus um pouco do que comer. No encontra do mar, navegantes atracam com seus barcos enfeitados de fitas e flores coloridas. Nos balaios, vão pentes, espelhos e champanhe, que levam pedidos, súplicas e gratidão de uma gente que acredita. Lá, no centro, tem um andor ornado com as mais belas flores; tem também uma imagem de Nossa Senhora, das Cadeias ou dos Navegantes. É o destino das promessas pela saúde dos rios e da fartura das águas. Diz a lenda que passando sete vezes pelos andores, o casamento é certo no ano seguinte.

A água atinge estado de graça. É promessa e oração dessa gente valente. Ornada por lírios, segue a caminhada para pedir que a chuva venha. Então, ela cai do céu, abraça a mata branca e a poeira batida. Faz renascer o sertão e a plantação. Traz consigo a alegria da colheita em sua enchente de prosperidade. Enquanto cai do céu, bate nas folhas e extrai delas sua essência. O banho conecta o corpo à natureza, revigora, une o sagrado ao profano. É banho que toma forma em garrafas. É beberagem que acorda o ancestral. Pelos verdes ramos, escoa a água de benzer das mães-senhoras, que entoam firmas de luz enquanto percorrem o corpo.

No centro daquela igreja, rodeados pelas pessoas mais sagradas da nossa família, a água e o óleo nos libertam do pecado original. Diante do gongá, todos de branco e contas coloridas, somos apresentados às vibrações do mundo espiritual. A água, que faz nascente de um pequeno filete, lava e purifica, entrelaçando mundos e trazendo paz. Enche as quartinhas para o senhor passar com seu axé. Ganha ares percorrendo os degraus da escadaria de promessas, mistificada pelo doce cheiro das tias baianas exalando sua fé. É lavagem da alma, tirando os maus fluídos e trazendo alívio para os corações.

Dentro do mar tem rio, dentro de mim tem fé!

 

REGRAS DA DISPUTA DE SAMBA-ENREDO

– Qualquer pessoa pode concorrer com quantos sambas quiser, seja em parceria ou individualmente.
– Os sambas deverão ser enviados até dia 26 de abril (domingo) para [email protected].
– No envio, devem conter o áudio, a letra do samba e o(s) nome(s) do(s) compositor(es).
– A final será realizada 10 de maio (domingo).
– A Apoteose poderá realizar fusão entre duas ou mais obras, bem como fazer mudanças no samba escolhido.

 

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