Altaneiros do Samba cantará Obá no Carnaval Virtual 2022

Logo oficial do enredo

O GRESV Altaneiros do Samba divulgou o enredo que vai levar para a disputa do Grupo de Acesso I do Carnaval Virtual 2022.

Pavilhão oficial da agremiação.

A escola de Imperatriz/MA cantará “Obá Siré, Guerreira Mulher”, de autoria do seu carnavalesco Thales Porto.

Confira abaixo a sinopse do enredo:

Obá Siré, Guerreira Mulher

Obá Siré, Obá!
A Senhora do conhecimento
Nasceu de Inaê e Oxalá
É quem domina a força da mata
E nos ensina o fundamento

Obá Siré, Obá!

A guerreira que derrubou Obatalá
Tirou Oxossi de combate
No chão deixou Orunmilá
Oxumaré não resistiu ao seu embate
A senhora que desafiou Obaluaê
A senhora que pôs Exu para correr

Obá Siré, Obá!

Aquela que desafiou o deus da guerra
Mas foi trapaceada com a ajuda do Ifá
Escorregando no pisado de milho e quiabo
Foi levada direto à terra
Ogum se libertou dos panos que vestia
E com Obá então disse que se casaria

Obá Siré, Obá!

Com Xangô descobriu o amor
Mas era obrigada a dividir com outras duas deusas
Que o disputavam com vigor
Sua ingenuidade te deixou vulnerável
E com requinte de crueldade Oxum te enganou

Obá Siré, Obá!

A senhora que sua própria orelha cortou
Para preparar um Amalá
Para o marido que pouco a amou
O oxé naquele dia estremeceu
Expulsa em forma de rio, a senhora desaguou

Obá Siré, Obá!

Tu é orixá resiliente
A que protege com sua espada qualquer família
A que tem como elemento o fogo mais ardente
Aquela que abriu sua morada para Exu
A senhora que qualquer guerreiro se rende

Obá Siré, Obá!

A força feminina vem da sua energia
Tantas mulheres que lutam
Recebem sua benção com valentia
Para o povo na fogueira queimou
Em imagem cristã, no Brasil, a tua história renasceu
E no terreiro da Altaneiros do Samba
Mais uma vez foi a senhora quem venceu!

Obá Siré, Obá!

Texto auxiliar

Capítulo I – A essência

A Orixá Obá é uma guerreira e feiticeira de grande força, que fazia parte de uma sociedade secreta de mulheres guerreiras de Elekô. Estas mulheres realizavam seus encontros em meio a mata fechada, e ali invocavam as forças da natureza.

Obá é filha de Iemanjá e Oxalá, e é a senhora das águas doces revoltas, buscando sempre equilíbrio e justiça. É também chamada de Rainha do Rio Níger, principal rio da África, que chega a ser conhecido ainda como Rio Obá. Ela anda lado a lado com Nanã, que conduzem juntas o lodo, as enchentes.

Guerreira, forte e protetora, Obá contava sempre com a força das águas revoltas e as energias da natureza para, de forma justa, as batalhas que vivia. E até hoje dá forças a todas as mulheres, para que vençam suas batalhas.

Capítulo II – A guerreira

Obá sendo forte, e tendo grandes habilidades para a luta, optou por viver como guerreira, e ousou desafiar outros grandes Orixás. Obá derrubou Obatalá, tirou Oxossi de combate, e derrubou Orunmilá. Ela venceu Oxumarê e desafiou Obaluaê, e colocou Exu para correr.

Ao ser desafiado por Obá, e sabendo do seu histórico de vitórias, Ogum consultou Ifá um pouco antes da luta. Este oráculo deu ao deus da guerra a receita de um pisado de milho com quiabo, uma mistura extremamente gosmenta que o daria a vitória. E assim Ogum fez, espalhando toda a pasta em um canto da arena da luta.

Começando a batalha, seguindo todos passos do Ifá, Ogum permitiu que Obá acreditasse estar ganhando a batalha, e a levou para o canto que se encontrava a oferenda esparramada. Ao pisar, Obá foi direto ao chão. Ogum de imediato se livrou dos panos que ele estava envolto, e ali mesmo a possuiu. E assim se casaram.

Capítulo III – A apaixonada

Casada com Ogum, Obá ainda não havia conhecido de fato o amor. Até acompanhar seu marido em uma batalha contra Xangô, o orixá da justiça. Ali se apaixonou  à primeira vista, deixou Ogum e se casou com o amado. Xangô então era casado com mais duas esposas, Oxum e Oyá, e possuía certa preferência por Oxum. A partir daí surgiu a rixa entre as duas deusas.

Com a pretensão de conquistar seu amado, Obá presenteou Xangô com um lindo cavalo branco, que se tornou o predileto do seu dono. Após partir em uma batalha no qual Obá não pode acompanhar, no decorrido 6 meses, ela ficou aflita pela demora no retorno, e resolveu consultar Orunmilá para saber o que poderia fazer. Ele então instruiu um sacrifício, um espanta-moscas feito de rabo de cavalo e colocar no teto da casa.

De pronto, Obá encomendou a Eleguá o iruquerê indicado pelo orixá. Oxum, com a pretensão de interferir e atrapalhar os planos de Obá, orientou que que utilizasse o rabo do cavalo branco que Xangô tanto amava, para que seu retorno fosse mais breve.

Logo oficial do enredo

Seu amor a tornava ingênua, e assim Obá seguiu as orientações de Oxum, retirando o rabo do animal de seu marido, que sangrou até a morte. Ao retornar e ver o iruquerê pendurado no teto, Xangô foi informado pelas suas outras esposas que havia sido Obá a autora do sacrifício. Ele repudiou com extrema fúria a Orixá.

Ficando insatisfeita, Obá resolveu não deixar tal feito de Oxum passar despercebido. Um certo dia, sem que Oxum percebesse, Obá derramou um caldeirão de dendê em fervura nos pés da Orixá, causando um grave ferimento. Há ainda a lenda que diz que é possível reconhecer os filhos de Oxum por seus pés.

Extremamente incomodada com a perceptível preferência de Xangô por Oxum, Obá optou por perguntar a Orixá do ouro o que ela fazia para encantar seu marido de tal forma. Constatando a inocência de Obá, ela contou que o Amalá, comida preferida de Xangô, que ela preparava, tinha um feitiço. Oxum passou a receita do prato a Obá, usando um turbante cobrindo suas orelhas, e contou que o principal ingrediente se colocava no fim da receita, acrescentar sua própria orelha como oferenda.

Mais uma vez cega por amor, Obá seguiu inteiramente a receita, decepando uma de suas orelhas e colocando na receita. Xangô quando foi servido, ao perceber a orelha de Obá em seu prato, repugnou e sentiu forte ira. Fez seu Oxé tremer e expulsou as duas esposas, transformando-as em rios que, todas as vezes que se encontram, causam fortes ondas. 

Capítulo IV – A resiliente

Obá ao ser expulsa por seu grande amor, sentiu muita dor e sofrimento. Mas Obá é resiliente. Assumiu plenamente sua forma de Orixá, forte e poderosa, controlando seu rio interior, e fazendo perdurar sua sabedoria e justiça. Obá defende com sua espada qualquer família que precisar de sua força.

Apesar de controlar o elemento fogo, seu elemento principal é o fogo, o mais ardente e bonito. Seu senso de justiça e o controle das coisas permitiu que ela fosse a verdadeira senhora dos mistérios, sendo a única yabá a receber em sua morada o Exu. Aquela que todos respeitam e temem.

Capítulo V – A força feminina

Todas as mulheres que decidem por ter uma vida de guerreira, lutando por suas batalhas dia a dia e decidindo tornar a sociedade mais justa e correta, recebem força e energia de Obá. Desde os tempos mais antigos, como por exemplo na era Viking, já haviam mulheres que decidiam defender sua comunidade e batalhar juntamente com os mais bravos exércitos, tendo como exemplo disto Lagertha, grande guerreira que liderou o exército viking.

Isabel I de Castela, Anita Garibaldi, são mulheres que também se destacam em suas histórias lutando bravamente por seu povo, recebendo as forças vindas da Orixá Obá. É importante ainda ressaltar que Obá é feminina, e feminista. Lutas não são apenas guerreadas com espadas, e a senhora Obá sabe disso, iluminando também a vida e sabedoria de mulheres como Simone de Beauvoir e Maria da Penha, que mudaram toda uma sociedade sem levantar lâminas.

O sincretismo no Brasil também foi luta de várias mulheres, e com a semelhança de Obá com Santa Joana D’Arc, nesta imagem a Orixá fez morada. Para os que veem, Santa Joana foi a que morreu na fogueira, mas para os que acreditam, ela renasceu do fogo, assim como Obá. Obá vive no fogo, vive na água, vive na força de cada um que hoje lembram e saúdam seu nome. Obá é sinônimo de luta, mas que sempre resulta em sucesso, e com esta força a Altaneiros do Samba faz mais um carnaval, levando Obá a mais uma vitória.

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