Procuradores veem indícios de crime; Bolsonaro crê em inquérito arquivado

Jair Bolsonaro. Foto: Foto: Marcos Corrêa/PR

A equipe do procurador-geral da República, Augusto Aras, vê indícios de que o presidente Jair Bolsonaro cometeu prevaricação, advocacia administrativa ou afronta a um dispositivo da lei de abuso de autoridade ao interferir na Polícia Federal.

A avaliação ainda é preliminar, mas a equipe considerou que no vídeo da reunião ministerial de 22 de abril e em outros elementos, como mensagens trocadas por celular, há evidências de que o presidente se movia pelo propósito de assegurar alguma vantagem a si próprio ou a terceiros.

A expectativa é de que, com o avanço das investigações, seja possível delimitar melhor qual é o tipo penal aplicável. Um dos desafios será identificar especificamente quem o presidente buscava beneficiar e em quais processos, o que dependerá do depoimento de testemunhas.

No entanto, segundo a equipe de Aras, tendo em vista as informações já obtidas no inquérito até o momento, em caso de denúncia, seria possível enquadrar o presidente em alguma das três infrações.

O inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) foi aberto a partir das acusações do ex-ministro Sergio Moro, quando ele pediu demissão do governo. Segundo ele, o presidente buscava interferir na PF com o objetivo blindar parentes e aliados políticos em investigações.

Bolsonaro crê em arquivamento de inquérito

Jair Bolsonaro. Foto: Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro divulgou uma nota nesta segunda-feira (25) para dizer que não interferiu na Polícia Federal e que acredita no arquivamento do inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o caso. Leia a íntegra:

“Diante da recente divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril do corrente ano, pontuo o seguinte:

1.Mantenho-me fiel à proteção e à defesa irrestritas do povo brasileiro, especialmente os mais humildes e aos que mais precisam. Sinto-me bem ao seu lado e jamais abrirei mão disso.

2.Nunca interferi nos trabalhos da Polícia Federal. São levianas todas as afirmações em sentido contrário. Os depoimentos de inúmeros delegados federais ouvidos confirmam que nunca solicitei informações a qualquer um deles.

3.Espero responsabilidade e serenidade no trato do assunto.

4.Por questão de Justiça, acredito no arquivamento natural do Inquérito que motivou a divulgação do vídeo.

5.Reafirmo meu compromisso e respeito com a Democracia e membros dos Poderes Legislativo e Judiciário.

6.É momento de todos se unirem. Para tanto, devemos atuar para termos uma verdadeira independência e harmonia entre as instituições da República, com respeito mútuo.

7.Por fim, ao povo brasileiro, reitero minha lealdade e compromisso com os valores e ideais democráticos que me conduziram à Presidência da República. Sempre estarei ao seu lado e jamais desistirei de lutar pela liberdade e pela democracia.

Brasília, 25 de maio de 2020.

Jair Messias Bolsonaro”










Comentários




    gl