Milton Ribeiro compara alunos com deficiência a atletas paralímpicos: ‘Não queremos inclusivismo’

Milton Ribeiro. Foto: Fabio Rodrigues/Agência Brasil

Apesar das inúmeras críticas que recebeu, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, voltou a defender que algumas crianças com deficiência não estudem na mesma sala de outros alunos. Ele afirmou, durante entrevista à Rádio Jovem Pan, que o governo não quer “inclusivismo”.

“Nós não queremos o inclusivismo, criticam essa minha terminologia, mas é essa mesmo que eu continuo a usar”, disse.

Ribeiro afirmou ainda que 12% das crianças com deficiência nas escolas públicas têm um grau que “impede dela ter o convívio” dentro da sala de aula e as comparou com atletas paralímpicos.

“Isso é interessante, porque esse diagnóstico de limitações que as pessoas possuem é um diagnóstico feito pela sociedade. Estamos no meio das paralimpíadas, nós descobrimos que tem pessoas que têm limitações físicas, no caso, que não podem competir com outras que não tem. Nesse paralelismo, embora com grandezas
diferentes, foi que eu me referia a esses 11,9%, 12%”, justificou o ministro.

Na semana passada Milton Ribeiro afirmou que, de 1,3 milhão de crianças com deficiência que estudam nas escolas públicas, 12% têm um “grau de deficiência que é impossível a convivência”.

“Dentro desses 12%, temos algumas crianças que têm problemas de visão, elas não podem estar na mesma classe. Imagina uma professora de geografia: ‘aqui é o rio Amazonas’ para uma criança que tem deficiência visual, são elas também. Tem outras que são surdas, por exemplo, tem uma gama de crianças que têm alguns graus de
autismo e tem um grupo que a gente esquece que são os superdotados, que também estão nesse grupo, que precisam de uma atenção especial”, completou.

Contudo, Ribeiro defendeu que nenhuma escola tem o direito de se recusar a matricular um aluno: “Nenhum diretor tem autoridade de negar a matrícula de uma pessoa com deficiência em uma escola pública, eles não podem fazer isso, não é isso que estou falando”.

O chefe da pasta também disse que cometeu um erro ao dizer que crianças com deficiência “atrapalhavam” o aprendizado de outros estudantes, mas não abriu mão de dizer que o convívio atrapalha o desenvolvimento de ambos.

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