Michel Temer e o ‘Fica Bolsonaro’

Michel Temer e Jair Bolsonaro. Foto: Agência Brasil

Tenho dito que o movimento “Fora Bolsonaro” não teria e não terá sucesso, falta-lhe base social, política, parlamentar e comunicacional. Gostando ou não gostando, teremos o presidente até 2022 e candidato à reeleição.

Jair Bolsonaro vem conversando com Michel Temer desde fevereiro deste ano em curso. Temer não é só uma pessoa com longa experiência parlamentar e política nas regras do sistema político brasileiro desenhado entre 1985 e 1988, é uma “equipe” com Moreira Franco, Eliseu Padilha, Romero Jucá Baleia Rossi, Henrique Meirelles e Senador Eduardo Braga.

Michel Temer tem talento, paciência, persistência, simpatia, vocação e conversa de “Caixeiro Viajante”, como bom libanês que é. Parece um personagem de romance de Jorge Amado.

Michel Temer é o principal responsável pelo comportamento de paciência e tolerância que Rodrigo Maia tem com quase tudo de absurdo que Jair Bolsonaro faz contra o parlamento nacional e o STF – não digo judiciário pois Bolsonaro é bem acolhido pela maioria dos juízes e desembargadores dos TJs e TRFs.

O papel político de Michel Temer ganhou maior importância no final do mês de maio e foi decisivo nas conversas e acertos do governo com os fisiológicos, autodenominados “Centrão”, sem serem “Centro Político”, aliás não são nada em termos políticos e/ou ideológicos; são cínicos pragmáticos, “profissionais de governo”, operadores de interesses patrimonialistas onde o lícito, o ilícito, o público e o privado se imbricam, se mesclam, se confundem como nos ensinaram Victor Nunes Leal, Raymundo Faoro, Eli Diniz, Roberto DaMatta e Maria Herminia Tavares de Almeida.

Com o parlamento “pacificado” pela ação clientelista clássica, não se tem impeachment nem afastamento para investigação policial e judicial. Agora a relação de Jair Bolsonaro e Michel Temer sai dos encontros reservados e discretos para as luzes da visibilidade midiática e oficial.

Michel Temer vai comandar uma delegação diplomática humanitária oficial ao Líbano, com nomeação em diário oficial da união. É a publicização de uma parceria política bastante intensa deste fevereiro.

* Artigo de autoria de Paulo Baía (sociólogo e cientista político)










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