Lula: ‘Nenhum país pode discutir questão do clima sem levar em conta o Brasil’

Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Em conversa com jornalistas brasileiros em Dubai, antes de partir para a Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez uma avaliação positiva de sua participação nas reuniões de chefes de Estado na 28ª Conferência dos Estados-Partes do Acordo Quadro de Mudança Climática da ONU (COP28).

Lula respondeu a perguntas dos jornalistas sobre as declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, a respeito do acordo entre o Mercosul e a União Europeia; a entrada do Brasil na OPEP+; e a crise envolvendo a Venezuela e a Guiana, que atualmente estão em disputa territorial. Acompanhe os principais pontos da entrevista, reportados pela Agência Gov neste domingo (3).

“Eu volto agora para a Alemanha, e depois para o Rio de Janeiro, para reunir o Mercosul, e eu volto muito feliz. Muito feliz porque estamos saindo de um encontro internacional que a cada ano que passa ganha mais envergadura, ganha mais responsabilidade, e ganha mais representatividade. Nenhum país do mundo pode discutir a questão do clima sem levar em conta a existência do Brasil, sem levar em conta a nossa experiência, e sem levar em conta o que vai acontecer no Brasil nessa questão da transição energética”.

Ele enfatizou a importância da bioeconomia, economia verde e renovação energética que o Brasil pode liderar: “Não existirá nenhum país do mundo em condições de oferecer ao planeta a quantidade e as variáveis de opção de energia limpa que o Brasil pode oferecer.”

Brasil na próxima década

O petista também ressaltou a responsabilidade do Brasil na próxima década: “A partir de agora até 2025 é um passo. Parece que está longe, mas quando a gente tem mais responsabilidade o tempo passa muito mais rápido, e aí nós vamos ter que trabalhar muito”.

Sobre a participação do Brasil na OPEP+, Lula explicou: “A nossa participação na OPEP Plus é para a gente discutir com a OPEP a necessidade dos países que têm petróleo e que são ricos começar a investir um pouco do seu dinheiro para ajudar os países pobres do continente africano, da América Latina, da Ásia a investir.”

Ele enfatizou o papel do Brasil em influenciar essa discussão e promover alternativas energéticas: “É participando desse fórum que a gente vai convencer as pessoas que uma parte dos recursos ganhos com o petróleo deve ser investida para a gente ir anulando o petróleo e criando alternativas.”

Mercosul e União Europeia

Lula abordou a posição da França em relação ao acordo entre o Mercosul e a União Europeia: “A França sempre foi o país que criou o obstáculo no acordo do Mercosul com a União Europeia, porque a França tem milhares de pequenos produtores e eles querem produzir os seus produtos.”

O presidente defendeu a posição brasileira de buscar um equilíbrio nas negociações: “Nós não somos mais colonizados. Nós somos independentes. E nós queremos ser tratados apenas com respeito de países independentes, que temos coisas para vender e as coisas que nós temos para vender têm preço.”

Sobre a disputa territorial entre Venezuela e Guiana, Lula destacou a importância do bom senso na América do Sul: “Se tem uma coisa que a América do Sul não está precisando agora é de confusão. Precisamos baixar o facho, trabalhar com muita disposição de melhorar a vida do povo, e não ficar pensando em briga”. Por fim,
o presidente enfatizou a necessidade de focar no desenvolvimento e evitar conflitos desnecessários na região.

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