Governo cancelou em agosto de 2020 compra de medicamentos para pacientes em UTI

UTI. Foto: Reprodução

O governo do presidente Jair Bolsonaro cancelou a importação de medicamentos para intubação de pacientes da Covid-19 em agosto do ano passado, “sem explicação”, segundo o Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Em julho de 2020, medicamentos foram adquiridos pelo governo de empresas uruguaias, numa ação que ficou conhecida como “Operação Uruguai”. Um mês depois, o governo federal cancelou a chamada “Operação Uruguai II”, que tinha o mesmo objetivo.

Já no final de agosto o Conselho Nacional de Saúde alertou para o risco de falta de insumos e pediu que o Ministério da Saúde e a  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomassem providências para regularizar o estoque desses insumos.

Além do CNS, também alertaram o Ministério da Saúde o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Falta de medicamentos para intubação no Brasil

Secretários municipais de saúde alertam para baixo estoque de medicamentos para pacientes intubados e informam que em vários estados, os estoques públicos de medicamentos para intubação estão em níveis críticos e podem acabar em menos de três semanas.

O chamado “kit intubação” tem, entre outros itens, remédios para anestesia, sedação e relaxamento muscular.

O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, no dia 17 deste mês, calculou que as reservas atuais durarão apenas 20 dias e pediu que o Ministério da Saúde garanta com a indústria a continuidade do fornecimento.

A falta de medicamentos ocorre em meio ao avanço das internações causadas pela Covid-19. Estados começaram a registrar escassez de medicamentos usados para intubação, como sedativos e relaxantes musculares.

Governadores alertam risco

Nesta sexta-feira (19), o Fórum Nacional de Governadores encaminhou um ofício a Jair Bolsonaro alertando para problemas no abastecimento de medicamentos utilizados em UTIs.

Treze governadores assinaram o documento solicitando a compra emergencial de 11 medicamentos cujos estoques se encontram no fim. Os governadores pedem também a compra de medicamentos no exterior.

Estoques acabando nos hospitais privados

A decisão do Ministério da Saúde de requisitar medicamentos para intubar pacientes e destiná-los ao SUS pode fazer com eles acabem em até 48 horas em alguns hospitais privados, segundo a Associação Nacional de Hospitais Privado (Anahp).

A Anahp representa os 118 maiores hospitais privados do Brasil, que atendem cerca de 8.000 pacientes da Covid-19.

A decisão do Ministério da Saúde ocorreu após receber a informação que os estoques de medicamentos para pacientes em UTI do SUS poderiam terminar em 15 dias. Faltam medicamentos essenciais para intubar pacientes com casos graves da doença, como sedativos, anestésicos e bloqueadores musculares.

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