‘Foi uma ação desastrosa da PM’, diz advogado sobre mortes em Paraisópolis

Paraisópolis. Foto: Wikimedia Commons

Paraisópolis. Foto: Wikimedia Commons

Reportagem de Carta Capital

A morte de nove pessoas nesta madrugada em Paraisópolis, favela localizada na zona sul de São Paulo, foi consequência de uma “ação desastrosa da Polícia Militar” na visão do advogado Ariel de Castro Alves, que integra o Conselho Estadual de Direitos Humanos.

“É uma ocorrência gravíssima. Tem sido frequente esse tipo de ação repressiva da PM em bailes de jovens na periferia, e outras tragédias podem ocorrer”, diz Ariel.

Segundo nota divulgada pela polícia, uma patrulha da Rocam (Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas) perseguiu dois homens em uma motocicleta, que atiraram contra os agentes que realizavam a Operação. O baile tinha cerca de 5 mil pessoas.

Ariel pontua que, além de ser necessária investigação sobre a ocorrência ou não de perseguição, o fato não justificaria o número de mortos e feridos – além das oito pessoas mortas, sete ainda estavam no hospital pela manhã, diz a PM.

“Todas as circunstâncias precisam ser apuradas, como se de fato houve uma perseguição policial contra suspeitos ou se isso não foi inventado como um álibi dos policiais. Mesmo assim, deveria existir um planejamento maior já que ali estavam 5 mil pessoas. A polícia precisa estar preparada para evitar situações como essa, para evitar tragedias, mortes e tumultos”, analisa Ariel.

Em coletiva de imprensa concedida na tarde deste domingo, o tenente-coronel Emerson Massera, porta-voz da PM, reiterou a versão de que haveria tido uma troca de tiros entre os ocupantes da moto, mas também afirmou que seriam solicitadas imagens das câmeras de segurança da região, caso existam, para confirmar a ação. Segundo ele, os homens e a moto não foram apreendidos posteriormente.

“Criminosos usaram pessoas que frequentavam o baile como escudos humanos”, disse Massera. Em descrição da ocorrência policial, conta que os reforços pedidos pelos policiais que realizaram a perseguição teriam sido recebidos com “garrafadas, pedradas, etc”. “A atuação dos PMs foi de proteção aos policiais”, acrescentou o tenente.

Vídeos denunciam abusos da polícia
Em vídeos recebidos por CartaCapital e em demais imagens que circulam nas redes sociais, jovens que estavam no baile funk aparecem encurralados nas ruas por agentes policiais, que usam do cassetete para bater em algumas pessoas. Pelo menos dois tiros também são ouvidos.

Em um dos vídeos, um policial bate no rosto de um rapaz em uma viela não movimentada. Quem grava a ação grita “pelo amor de Deus” e depois para de filmar.

O tenente Emerson Massera afirmou que “é difícil analisar se o procedimento foi correto” nesse primeiro momento, confirmou que a PM também recebeu os vídeos que denunciam abusos e que iriam averiguar se eles são, de fato, da madrugada deste domingo. Mesmo assim, a polícia reitera que todas as vítimas fatais foram ocasionadas por pisoteamento.

“Não temos certeza que tudo tenha acontecido nesta madrugada. Algumas imagens sugerem abuso, ação desproporcional. Evidentemente, o rigor vai responsabilizar quem cometeu algum excesso”, disse Massera.

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