Empresas se posicionam após youtuber Monark apoiar criação de partido nazista

Youtuber Monark. Foto: Reprodução/Flow Podcast

Youtuber Monark. Foto: Reprodução/Flow Podcast

O youtuber e influenciador digital Bruno Aiub, mais conhecido como Monark, de 31 anos, voltou a ser o assunto mais comentado no Twitter nesta terça-feira (8).

Durante o seu podcast “Flow”, na Twitch, que é apresentado também por Igor Coelho, na última segunda-feira (7), em que os convidados eram os deputados federais Kim Kataguiri, do Podemos, e Tabata Amaral, do PSB, Monark tocou no assunto “liberdade de expressão” e disse que o Brasil deveria liberar um partido nazista e pessoas que se intitulam “antijudeu”.

“A esquerda radical tem muito mais espaço que a direita radical, na minha opinião. As duas tinham que ter espaço, na minha opinião […] Eu acho que o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido pela lei”, disse Monark.

O podcaster foi rebatido na própria entrevista por Tabata, que afirmou que o nazismo coloca a população judaica em risco. “Liberdade de expressão termina onde a sua expressão coloca em risco a vida do outro. O nazismo é contra a população judaica e isso coloca uma população inteira em risco”, destacou a parlamentar.

“As pessoas não têm o direito de ser idiotas?”, questionou o apresentador.

Na sequência, Monark pergunta à deputada como o nazismo coloca os judeus em risco. “De que forma [isso acontece]? Quando [o nazismo] é uma minoria, não põe. Mas era [um risco] quando era uma maioria”, emendou.

“A comunidade judaica até hoje tem que se preocupar com sua segurança porque recebe ameaça. O antissemitismo é uma coisa que tem que ser combatida todos os dias”, respondeu Tabata.

O deputado Kim Kataguiri também entrou na discussão. “Quando o Rui Costa, do PCO, fala em fuzilar burguês, por exemplo, aquilo está contemplado pela liberdade de expressão. Pelo menos no entendimento de hoje”, disse. “E isso entra em contradição com violação de Direitos Humanos. Então, por essa definição, o Partido Comunista não deveria existir”, completou.

Crime

Vale lembrar que no Brasil é considerado crime fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas e objetos de divulgação do nazismo, conforme o artigo 1º da Lei 7.716/89. Caso seja caracterizado o ato de divulgar ou comercializar materiais com ideologia nazista, a pena pode variar entre um a três anos de prisão e multa.

Repercussão negativa nas redes sociais

O comentário de Monark foi duramente criticado por usuários de redes sociais. No Twitter, termos como “nazismo”, “Monark” e “flow” ficaram entre os assuntos mais comentados durante todas as manhãs.

*A maioria das reações foi extremamente negativa. Os internautas também pressionaram a MasterCard, empresa de cartões de crédito, a cancelar a parceria.

*Em nota enviada para a redação do portal SRzd, a empresa MasterCard esclareceu que não patrocina a atração e informou que “Trata-se de uma ação de marketing de uma empresa parceira”“Não apoiamos ou toleramos as declarações feitas pelo podcast em questão. Como empresa, valorizamos a tolerância, o respeito, a igualdade e a decência, e não nos desviaremos desses princípios. Para deixar claro, o programa não é patrocinado pela Mastercard. Trata-se de uma ação de marketing de uma empresa parceira. Estamos trabalhando com nossos parceiros para garantir que eles tenham as análises e controles adequados para gerenciar proativamente os canais onde nossa marca é exibida”, diz o texto enviado pela MasterCard.

No kit de mídia publicado no site oficial do “Flow”, o podcast diz que, nos últimos 30 dias, teve 20 milhões de streamings (acessos nas plataformas de áudio digital) e contabilizou uma audiência de 1,3 milhão de pessoas. No YouTube, o canal do “Flow”, que exibe as entrevistas ao vivo, contabiliza mais de 3,6 milhões de inscritos e mais de 15,3 milhões de visualizações.

Com essa grande audiência, o podcast tem patrocínio e apoio de várias marcas. Nas redes sociais, as pessoas estão publicando a imagem dessas empresas e cobrando delas um posicionamento acerca da fala do apresentador.

Podcast Flow. Foto: Reprodução/Youtube/Flow Podcast
Podcast Flow. Foto: Reprodução/Youtube/Flow Podcast

Não é a primeira vez que as falas de Monark no podcast acabam gerando consequências. Em outubro do ano passado, também após uma fala em que o apresentador questionou se era crime ter uma opinião racista, o iFood fez uma declaração informando que estava encerrando a relação comercial com o “Flow”.

Nota de repúdio Flash Benefícios – Flow Podcast

A primeira empresa a se posicionar foi a Flash Benefícios, que enviou uma nota de repúdio às declarações de Monark e comunicou o encerramento da parceria comercial. Leia a íntegra:

“Diante do absurdo, é preciso se posicionar. No último dia 07 de fevereiro, durante a exibição do episódio 545 do Flow Podcast, um dos apresentadores fez comentários inadmissíveis e dos quais discordamos de forma veemente. Diante disso, solicitamos o encerramento formal e imediato de nossa relação contratual com os Estúdios Flow.

A Flash Benefícios acredita em uma sociedade igualitária, sem qualquer tipo de discriminação. Não há sociedade livre quando há intolerância ou busca de legitimação de discursos odiosos, nazistas e racistas, tecidos a partir de uma suposta liberdade de expressão. Reforçamos que todo e qualquer tipo de opinião jamais pode ferir, ignorar ou questionar a existência de alguém ou de um grupo da sociedade.

Acreditamos que liberdade de expressão, diálogo, pluralidade, e até mesmo a individualidade, só existem em uma sociedade onde há respeito mútuo. Qualquer atitude que fere e subjuga a existência de qualquer ser humano é crime e deve ser encarada como tal.”

Puma

A marca de materiais esportivos Puma disse nas redes sociais que discorda e repudia a declaração. A conta oficial da empresa no Twitter informou ainda que não é patrocinadora do Flow Podcast, apresentado por Monark, mas que já realizou uma ação com o programa no passado.

“Discordamos e repudiamos veementemente as declarações e ideias expressas durante o último Flow Podcast, transmitido nesta segunda-feira (7). Elucidamos ainda que não somos patrocinadores do podcast, tendo feito no passado somente uma ação pontual e isolada. Já havíamos pedido para nosso logo ser retirado como patrocinadores e reforçamos isso novamente”, diz a publicação.

Monark diz que foi mal-interpretado

Após a repercussão negativa, Bruno afirmou através das redes sociais que foi mal-interpretado: “Fala manos, muita gente interpretou minha defesa a liberdade de expressão como a defesa de opiniões hediondas como racismo ou homofobia. Só reforçando que tais opiniões são abomináveis e eu gostaria que ninguém as tivesse. Todo discurso de ódio é maléfico a sociedade”.

*Reportagem atualizada às 22h16

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