‘Bolsonaro é um serial killer’, diz governador do Maranhão

Flávio Dino e Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Correa/PR/Divulgação

Nenhum governante do planeta agiu tão mal, diante da pandemia do novo Coronavírus, nem pode ficar impune em razão de um desempenho tão desastrado e intencional. A avaliação sobre o presidente da República, Jair Bolsonaro, é do governador do Maranhão, Flávio Dino, do PC do B.

Em entrevista nesta quinta-feira (15) ao programa “Bom para Todos”, da TVT, Dino falou sobre os vários crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro, a quem classificou como “serial killer”.

“Ele pega os tipos penais da Lei 1.079 e percorre ‘com maestria’”, afirmou. E defende a necessidade de interromper o mandato “desatinado” do presidente da República, para parar o “ciclo de danos” promovidos por ele contra o Brasil.

“Não há dúvida que essa é uma necessidade tanto sob a ótica jurídica quanto sob a perspectiva política”, avalia o governador. “Jurídica uma vez que estão configurados crimes de responsabilidade do artigo 85 da Constituição e da Lei 1.079/50. E politicamente porque estamos vendo os efeitos terríveis, danosos, danos irreparáveis, traduzidos nessa lesão máxima no mundo do direito que é a perda do direito à vida. O perecimento de centenas de milhares de brasileiros e brasileiras, por uma doença muito grave, mas muito mal coordenada, muito mal enfrentada no nível nacional, fazendo com que tenhamos chegado a essa escalada muito triste, muito sofrida.”

Sobre as perseguições de Bolsonaro aos governadores do Nordeste, Flávio Dino fez ironia. “Ser perseguido pelo Bolsonaro é uma honraria para mim. É um selo de qualidade. Vou colocar até no meu currículo Lattes.”

Para Dino, não fosse a ação dos governos de estado e o Brasil estaria chegando perto de um milhão de mortos. “Porque aí mesmo que não teria política sanitária alguma, nenhuma. Porque a ampliação de leitos, a busca de medicamentos, insumos, respiradores, máscaras, de luvas, agora de vacinas, sempre teve pressão dos governadores”, explica.

“Agora mesmo, se pegar a imunização, 85% das vacinas aplicadas no prazo são Sinovac/CoronaVac/Butantã, iniciativa do governador do estado de São Paulo, apoiada por todos os governadores e sabotada pelo presidente da República”, diz, lembrando que Bolsonaro mandou o ex-ministro da saúde Eduardo Pazuello rasgar compromisso que havia feito com os estados um dia antes de incorporar a CoronaVac ao Plano Nacional de Imunização.

“Quando os governadores disseram ‘se o governo federal não comprar do Butantan, nós vamos comprar’, aí que ele voltou atrás. Praticamente já no fim do ano. Isso mostra o papel essencial que os governadores tiveram”, completou.

O governador do Maranhão acredita que esse e outros entraves de Bolsonaro no combate à pandemia serão levados à CPI da Covid-19. “E numa perspectiva, como eu disse, tanto jurídica quanto política, espero muito que essa abreviação, essa interrupção desse mandato desatinado ocorra, inclusive para interromper esse ciclo de danos que Bolsonaro tem causado ao país na dimensão sanitária, mas não só”, faz questão de frisar.

“Vejamos que nós estamos no dia 15 de abril e o país não tem orçamento”, lembra. “E porque não tem orçamento, as micro e pequenas empresas estão sem nenhum apoio, não tem auxílio emergencial direito. O nível de desorganização é inacreditável. E isso também leva à perda de vidas”, avalia. Para Dino, isso revela a “falácia” da dicotomia usada pelo governo entre cuidar da saúde ou da economia. “Nem uma coisa nem outra. Essa é a situação brasileira atual.”

Sobre a possibilidade de os estados também serem investigados pela CPI, o governador do Maranhão é categórico. “Quem não deve, não teme, Quem deve, teme. Não vejo nenhum problema. Se quiser olhar os recursos federais aqui no Maranhão, vou mostrar tudo em relação ao governo do estado. O que não aceitamos é que recursos que não foram repassados para o estado sejam colocados na nossa conta por politicagem do presidente da República”, avisa.

E denuncia uma “mentira” dita por Bolsonaro. “Ele espalhou que mandou para o governo do Maranhão R$ 36 bilhões. Está muito agoniado, atormentado, cada dia mais irritado. Deve saber o motivo. Quem sabe o Pazuello conte a verdade sobre o que aconteceu lá.”

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