Bolsonaro não quer que ‘garotada’ se interesse por política

Jair Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Walter Campanato/Agência Brasil

Jair Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Foto: Walter Campanato/Agência Brasil

Durante a posse do novo ministro da Educação Abraham Weintraub, o presidente Jair Bolsonaro indicou como um dos objetivos da pasta desestimular crianças e adolescentes a se interessarem por política nas escolas.

“Queremos uma garotada que comece a não se interessar por política, como é atualmente dentro das escolas, mas comece a aprender coisas que possam levá-las ao espaço no futuro”, disse. O projeto Escola Sem Partido foi uma das bandeiras de Bolsonaro na campanha eleitoral.

Em sua fala, o presidente defendeu que é preciso buscar a “inflexão” na área da educação, e também melhorar os índices educacionais até 2022, quando termina o seu mandato. Ele citou como foco o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), prova feita de três em três anos. A última avaliação ocorreu no final de 2016 e o Brasil teve queda nas áreas avaliadas. O Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática.

Bolsonaro deixou claro que “deu carta branca” para Weintraub formar sua equipe e indicar os cargos de primeiro escalão e que espera que esse novo time “jogue para frente”. Disse, ainda, que escolheu o nome de Weintraub entre “uma dezena de bons currículos” porque ele “não tinha deficiência” e era o melhor entre os pré-requisitos estabelecidos.

“Queremos uma garotada que não esteja ocupando os últimos lugares no Pisa. Queremos que não mais 70% dessa garotada não saiba fazer uma regra de três simples, não saiba interpretar textos, não saiba perguntas básicas de ciências. Nós queremos uma garotada que comece a não se interessar por política, como é atualmente dentro das escolas, mas comece realmente aprender coisas que possam levar a quem sabe ao Espaço no futuro”, declarou o presidente nesta terça-feira (9).

Abraham Weintraub. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Abraham Weintraub. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Pouco antes, o novo ministro disse que está no cargo para servir o povo, não apenas os que elegeram Bolsonaro, e que é preciso respeitar a todos. Ele fez questão de exaltar o fato de não ser filiado a partido político e elencou sua experiência como gestor.

“Na função de ministro da Educação, meu papel é entregar o que está no plano de governo, mais com o mesmo que a gente gasta”, disse Weintraub, após afirmar que o objetivo é acalmar os ânimos, colocar a bola no chão e respeitar as opiniões. Ele chegou a dizer que o educador brasileiro Paulo Freire é uma unanimidade.

Abraham Weintraub foi anunciado na segunda-feira como substituto de Ricardo Vélez, que foi demitido na esteira de diversas críticas em razão de sua gestão à frente do ministério. O ex-ministro não compareceu à cerimônia de posse do novo ocupante do cargo.

As polêmicas envolvendo Ricardo Vélez Rodríguez

Ricardo Vélez durou menos de 100 dias no governo como ministro da Educação. Nesse período ele demitiu 92 pessoas do alto escalação do MEC deixando o ministério em total paralisação, chegando a ameaçar inclusive o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Na semana passada, o presidente indicou que decidiria o status do cargo nesta segunda e confessou que o ministro “não está dando certo”.

Ricardo Vélez Rodriguez. Foto: Andre Sousa/MEC
Ricardo Vélez Rodriguez. Foto: Andre Sousa/MEC

No último dia 26, por exemplo, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Marcus Vinicius Rodrigues, foi exonerado, após a publicação de uma portaria que adiava para 2021 a avaliação da alfabetização de crianças. A medida foi revogada.

Outra iniciativa de Vélez permitiria a compra de livros com propagandas ou até mesmo erros de português. O edital foi anulado.

Em fevereiro, o então ministro disse à revista “Veja” que o brasileiro é um “canibal”“Rouba coisas de hotéis, rouba o assento do salva-vidas do avião. Ele acha que sai de casa e pode carregar tudo”, afirmou.

Também no final daquele mês ele assinou uma carta para ser enviada a diretores de escolas pedindo a filmagem de crianças cantando o hino nacional e que proferirem o slogan da campanha de Bolsonaro – “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”.

O ministro disse que a declaração sobre os brasileiros foi infeliz. No caso da carta, ele também reconheceu o erro de fazer o pedido sem autorização dos pais.

Vélez esteve na desta segunda-feira (8) no Palácio do Planalto, em reunião com o presidente Jair Bolsonaro, e deixou o local pela saída privativa, sem falar com a imprensa.

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