Após polêmicas, Bolsonaro exonera Vélez e anuncia economista no MEC

Ricardo Vélez Rodriguez. Foto: Andre Sousa/MEC

Ricardo Vélez Rodriguez. Foto: Andre Sousa/MEC

Após intensas polêmicas envolvendo o Ministério da Educação, o presidente Jair Bolsonaro decidiu anunciar nesta segunda-feira (8) a demissão de Ricardo Vélez. Assume a pasta o professor Abraham Weintraub.

“Abraham possui mestrado em Administração na área de Finanças pela FGV e MBA Executivo Internacional pelo OneMBA, com título reconhecido pelas escolas: FGV/Brasil, RSM/Holanda, UNC/Estados Unidos, CUHK/China e EGADE-ITESM/México. Tem ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta”, escreveu Bolsonaro em sua conta no Twitter.

Professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Weintraub foi executivo do mercado financeiro, atuou no grupo Votorantim e foi membro do comitê de Trading da BM&FBovespa. Em 2016, coordenou a apresentação de uma proposta alternativa de reforma da previdência social formulada pelos professores da Unifesp. Weintraub atua como secretário executivo da Casa Civil, sob o comando de Onyx Lorenzoni. Ele assumirá o lugar do colombiano Ricardo Vélez.

“Aproveito para agradecer ao Prof. Velez pelos serviços prestados”, acrescentou o presidente.

Abraham Weintraub, novo ministro da Educação de Bolsonaro. Foto: Rafael Carvalho/Divulgação Casa Civil
Abraham Weintraub, novo ministro da Educação de Bolsonaro. Foto: Rafael Carvalho/Divulgação Casa Civil

As polêmicas envolvendo Ricardo Vélez Rodríguez

Ricardo Vélez durou menos de 100 dias no governo como ministro da Educação. Nesse período ele demitiu 92 pessoas do alto escalação do MEC deixando o ministério em total paralisação, chegando a ameaçar inclusive o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Na semana passada, o presidente indicou que decidiria o status do cargo nesta segunda e confessou que o ministro “não está dando certo”.

No último dia 26, por exemplo, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Marcus Vinicius Rodrigues, foi exonerado, após a publicação de uma portaria que adiava para 2021 a avaliação da alfabetização de crianças. A medida foi revogada.

Outra iniciativa de Vélez permitiria a compra de livros com propagandas ou até mesmo erros de português. O edital foi anulado.

Em fevereiro, o então ministro disse à revista “Veja” que o brasileiro é um “canibal”. “Rouba coisas de hotéis, rouba o assento do salva-vidas do avião. Ele acha que sai de casa e pode carregar tudo”, afirmou.

Também no final daquele mês ele assinou uma carta para ser enviada a diretores de escolas pedindo a filmagem de crianças cantando o hino nacional e que proferirem o slogan da campanha de Bolsonaro – “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”.

O ministro disse que a declaração sobre os brasileiros foi infeliz. No caso da carta, ele também reconheceu o erro de fazer o pedido sem autorização dos pais.

Vélez esteve na desta segunda-feira (8) no Palácio do Planalto, em reunião com o presidente Jair Bolsonaro, e deixou o local pela saída privativa, sem falar com a imprensa.

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