O ‘risco do Brasil virar uma Venezuela’ voltou sob outra lógica

Bandeira da Venezuela. Foto: Alex Lanz

Bandeira da Venezuela. Foto: Alex Lanz

Durante o processo de deposição da presidente eleita Dilma Rousseff, os seus detratores argumentavam, entre outras coisas, que se o governo dela continuasse o Brasil viraria uma Cuba, uma Venezuela. Apeada do poder, diziam eles, o Brasil voltaria aos trilhos do capitalismo(!) e o fantasma do comunismo estaria mais uma vez retirado do caminho.

O Brasil, mesmo capenga, é capitalista. Talvez um capitalismo estatal mais entupido do que outra coisa. Mas, comunista, ou socialista, é o que o país está longe de ser.

O discurso “medo de ser uma Venezuela” insuflou os opositores da confusa presidente, que se comunicava mal, não era nada simpática, não sabia negociar com o Congresso, mas tinha sido eleita pelo povo, um ponto central – e precioso – para todo democrata que se preza.

Pois bem, a cantilena “estamos indo para um república bolivariana” funcionou, e assustou o empresariado multinacional que passou a levar em consideração o argumento como algo que de fato poderia ocorrer. Eles investem bilhões no Brasil e a última coisa que querem é ver os seus negócios virarem pó num país que não respeita marcos regulatórios.

Eu me recordo que fui procurado por vários investidores estrangeiros que me consultavam sobre o que era “verdade” e o que era “espuma”. Fiz várias análises, e nenhuma passava por “sim, levem a sério, estamos rumando para um modelo semelhante ao da Venezuela”. Eu não estava errado.

Eis que o Governo Temer e os seus estrategistas trapalhões assumiram o poder e conseguiram devolver o medo alardeado pela direita e estão se esforçando para empurrar o Brasil para ser algo parecido com a Venezuela. Só que sob outra lógica. Epa, como assim?

A Venezuela vive um quadro com elementos de convulsão social. É aquele momento em que falta um legítimo poder moderador, lideranças confiáveis e instituições sólidas. O desnível social no país é alarmante; a imprensa de lá, um desastre.

Temer pode levar o Brasil a ser parecido com a Venezuela neste aspecto: o da implosão de pontes para o entendimento. E se isto acontecer, a própria eleição de 2018 talvez não seja o antídoto necessário para acalmar o povo. Estamos num limite perigoso. Muito perigoso.

“Os centros de votação na Venezuela estão funcionando neste domingo (16) desde às 7h local (8h de Brasília) para a participação dos eleitores em uma consulta popular promovida pela oposição ao presidente Nicolás Maduro. Isto poderia ter uma aparência de normalidade. Mas isto não é verdade.

Os participantes da consulta devem responder se estão ou não de acordo com o processo constituinte proposto pelo chavismo e, além disso, se são favoráveis a um governo de transição.

A Assembleia Nacional (parlamento), que é controlada pela oposição ao chavismo, informou, através do Twitter, que os pontos para a consulta popular abriram na hora estipulada em todo o país.

A votação da consulta, feita à margem do Poder Eleitoral, é considerada um plebiscito pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Além disso, centenas de eleitores começaram a votar, sem maiores contratempos, em vários centros do leste e do oeste de Caracas. Para o processo, a MUD habilitou 2.030 “pontos soberanos” em todo o país com 14.404 mesas de votação e credenciou 47.272 pessoas para trabalharem na consulta, que, além disso, conta com cerca de 80 mil voluntários espalhados pelo território.

Cidadãos venezuelanos residentes em países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Omã, Catar e Egito, votaram ontem nas primeiras mesas que foram abertas em todo o mundo para a consulta. No exterior, foram habilitados 667 pontos de votação, distribuídos em 602 cidades de 100 países.

O presidente Maduro disse ontem que o referendo opositor é uma “consulta interna” entre os partidos da “direita” e criticou que ela seja feita “sem cadernos eleitorais, sem biometria, sem auditorias”.

Neste domingo (16) também haverá uma simulação eleitoral das votações previstas para 30 de julho, quando serão escolhidos os redatores da nova e eventual Carta Magna.

Maduro convocou seus partidários a participarem desta jornada prévia à eleição da Assembleia Nacional Constituinte, um processo que a MUD rejeita e quer impedir.

Os opositores afirmaram que vão responsabilizar o governo por qualquer ato de confrontação que possa acontecer durante a jornada de votação”.

As forças políticas do Brasil precisam se entender para que o país não se transforme numa Venezuela. Caso contrário, a crise ficará cada vez mais distante de ser debelada. Estamos brincando com fogo.

Com informações da Agência Brasil

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srzd



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