Em final do apagão, samba de Xande e Demá vence a disputa no campo do Salgueiro

Regina Celi ao anunciar o samba vencedor. Foto: Max Gomes.

Em meio a um campo de futebol, a escolha de samba do Acadêmicos de Salgueiro tomou ares de decisão de Copa do Mundo. Dentre os três sambas que disputaram a final, o samba 11 de Xande de Pilares, Demá Chagas, Dudu Botelho, Renato Galante, Jassa, Leonardo Galo, Betinho de Pilares, Vanderley Sena, Ralfe Ribeiro se consagrou o vencedor numa noite recheada de emoções e surpresas na quadra da agremiação, localizada no Andaraí. Regina Celi, presidente, foi a responsável por anunciar o resultado já na madrugada do feriado de quinta-feira (12) e fazer grande parte do público “explodir na maior felicidade”, como diz o samba antológico da escola.

Veja o samba campeão.

Após o resultado, compositores da parceria campeã se juntaram ao público e aos intérpretes para entoar, em uma só voz, o samba oficial da agremiação para o Carnaval 2018, quando o Salgueiro apresentará “Senhoras do Ventre do Mundo” na segunda-feira de Carnaval. Dudu Botelho, um dos compositores, ressaltou a qualidade da safra e explicou a sensação de vencer a disputa: “Acho que o Salgueiro teve a melhor safra de sambas dos últimos anos e o resultado é esse aí. Ganhar com o pessoal abraçando o samba e ter a comunidade feliz é a melhor sensação possível. Na verdade, só é bom ganhar se for assim. E é a quinta vez que tenho essa sensação”, comentou.

A FINAL DO APAGÃO

Quadra do Salgueiro sem luz. Foto: Max Gomes.

Tinha tudo pra ser mais uma das belas noites dentro da quadra do Salgueiro. O ambiente decorado com máscaras e adereços de Carnaval, casa cheia, público animado, show de pagode e grande repertório de sambas eram algumas das características da festa até por volta da meia-noite. Contudo, pouco antes de uma da manhã, uma falha de luz pegou todos de surpresa. Enquanto os intérpretes Leonardo Bessa, Tuninho Junior e Hudson Luiz cantavam o samba-enredo do Salgueiro de 1972, quando homenageou a madrinha Mangueira, houve um apagão na quadra. A queima de um transformador em uma das ruas deixou a festa sem iluminação.

Apesar disso, o show continuou. A bateria, acompanhada pela rainha Viviane Araújo, e o público continuaram cantando o samba-enredo. Logo em seguida, puxaram “Malandro Batuqueiro”, samba de 2016, para o delírio de todos os presentes.

O apagão continuou por cerca de 2 horas até que a escola resolveu transferir a disputa para a Vila Olímpica, localizada do lado de fora da quadra. O público, a bateria e as torcidas se espalharam por um campo de futebol. A frente dele, um trio elétrico foi posto para que ocorressem as apresentações. Já passavam das 3 horas da madrugada quando o primeiro samba, da parceria de Rafa Hecht, subiu ao trio. A apresentação sofreu com o clima ainda frio da Vila Olímpica. A parceria de Luiz Pião foi a segunda a passar na noite e contou com Tinga, o “mister” eliminatória no microfone principal. Ao fechar a noite, o samba de Xande de Pilares trouxe a maior torcida e fez a melhor apresentação.

Trio onde ocorreram as apresentações dos sambas finalistas. Foto: Max Gomes.

Perto das 5 horas da manhã, Regina Celi subiu ao trio, pediu desculpas pelo apagão e anunciou o samba 11, da parceria de Xande e Demá, como o vencedor. A festa continuou no campo de futebol até o dia clarear. Ao final, os comentários do público eram de uma noite que ficará marcada na história do Salgueiro.

Ouça o anúncio do samba campeão.

Viviane Araújo ficou a noite inteira, com luz ou sem luz, ao lado da bateria Furiosa e esbanjou simpatia ao tirar foto com os fãs do lado de fora da quadra. A rainha terminou a noite sambando de chinelo e classificou como histórica a final da sua escola: “Eu amei! Foi maravilhoso, histórico! O Salgueiro mais uma vez fez história”, afirmou Viviane.

Hudson Luiz, novo intérprete da agremiação, também comentou o acontecimento e a mudança de local da final: “Eu acho que deu um algo a mais, aumentou a emoção. Toda a atmosfera dessa final foi bem envolvente e cativante”.

REGINA AFIRMA QUE CONTINUARÁ NO SALGUEIRO APÓS O CARNAVAL 2018

Regina Celi acompanhada do casal Marcella e Sidclei. Foto: João Carlos Martins.

O mandato de Regina Celi como presidente do Salgueiro termina após o Carnaval 2018. Contudo, segundo a mesma, não terminará: “Não vai acabar não! Tenho mais quatro anos. Ano que vem vou tentar e vou ganhar. Mais quatro anos de Regina no Salgueiro”, afirmou a mandatária.

Regina também falou sobre a mudança de carnavalesco da escola e ressaltou a confiança no Carnaval do próximo ano: “Simplesmente saíram da escola e tivemos que contratar. Não podemos ficar sem carnavalesco e não existe só o Renato Lage. Tô muito satisfeita com o Alex e vamos apresentar um belíssimo trabalho. Esse enredo já está sendo pesquisado há um ano e meio e tudo foi muito bem pensado, inclusive a escolha do samba, para conseguirmos a nota máxima”.

FESTA OFICIAL DE LANÇAMENTO DO CD SERÁ NO SALGUEIRO

A presidente Regina aproveitou a oportunidade para divulgar, em primeira mão, que a festa oficial de lançamento do CD de sambas-enredo do Grupo Especial 2018 acontecerá no Salgueiro. Segundo ela, o presidente da LIESA, Jorge Castanheira, comunicou o cancelamento da tradicional festa na Cidade do Samba. Veja a entrevista.

NOVO TRIO DE INTÉRPRETES NO CARRO DE SOM

Leonardo Bessa, intérprete do Salgueiro desde 2011, ganhou dois novos companheiros no carro de som: Hudson Luiz e Tuninho Junior. Para Bessa, a experiência não é inédita: “Eu já fiz isso com o Quinho e o Serginho e depois só com o Serginho. Então, não é nada novo pra mim. É sempre um trabalho de muita honestidade e união. Tudo em prol do Salgueiro”.

Já para Hudson, estreante na escola, a expectativa é grande e a divisão do microfone está sendo algo natural: “Eu batalhei muito pra conseguir essa oportunidade, então, não dá pra esconder a felicidade e a emoção. Eu tô muito ansioso! O Bessa é o mais experiente, então, eu acho que ele tem que ser a guia. Nós estamos sempre nos reunindo, ensaiando bastante e tá sendo algo muito natural”.

CASAL EM BUSCA DOS 120 PONTOS

Sidclei e Marcella, casal do Salgueiro. Foto: João Carlos Martins.

Nota máxima em 2016 e 2017, Sidclei e Marcella, casal de mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, já ensaiam e estudam as justificativas visando repetir os 40 pontos dos dois últimos anos: “Já estamos ensaiando sim. Obviamente, após a escolha do samba, aumentamos a frequência. Mas não temos férias, é preparação o ano todo (risos). Nós não somos nota 10, nós conseguimos a nota 10. Temos que nos esforçar para conseguir novamente. Vamos estudar as justificativas dos jurados pra não cometermos os mesmos erros”, afirmou Marcella.

GALERIA DE FOTOS DA FINAL

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