Artigo: Jornalismo de Imersão, o futuro da notícia

Jornais impressos. Foto: Reprodução

Jornais impressos. Foto: Reprodução

O jornalista Ricardo Calil escreveu sua tese de mestrado sobre o fim dos jornais impressos e o desenvolvimento de um modelo chamado de jornalismo de imersão. O SRzd traz para os leitores o estudo dividido em cinco partes, que serão publicadas esta semana. Segue abaixo o primeiro capítulo:

Jornalismo de Imersão, o futuro da notícia

O jornal impresso como conhecemos está condenado a desaparecer no Brasil, em 2027. Esta é a previsão do futurista, consultor de estratégia de mídia e escritor norte-americano, Ross Dawson. Segundo ele, a crise econômica que o jornal impresso está atravessando é sem precedentes na história e muitos periódicos já fecharam às portas porque não conseguiram sobreviver à queda vertiginosa nas vendas. Para Ross Dawson, até 2040 todos os jornais impressos de todo mundo passarão a ter um papel insignificante para os povos. De acordo com o futurista, “os jornais na forma atual tendem a desaparecer, o que não vai acontecer com a notícia no papel, que continuará a existir, mas de maneira variada”. Os Estados Unidos, que são um dos países mais desenvolvidos em tecnologia, encabeça a lista, conforme mostra o quadro I abaixo feito por Dawson da Linha do Tempo da Extinção dos Jornais:

De acordo com Ross Dawson, os jornais impressos no Brasil serão extintos a partir de 2027, sendo primeiro nas regiões metropolitanas e depois nas áreas regionais. Mas porque os jornais estão condenados a extinção? Segundo o pesquisador vários fatores estão contribuindo para isso. Nacionalmente, ele cita a crise na economia, como a disparidade da renda nas regiões urbana e regional, além da baixa taxa de crescimento da economia e a má distribuição de renda. A queda na publicidade e a redução nas vendas, também, são outros fatores econômicos que contribuem para a extinção dos jornais. Para Dawson, os governos deixaram de investir em propaganda e isso atingiu diretamente os jornais. Já na área tecnológica, o pesquisador afirma que o avanço tecnológico das bandas largas da internet, e o desenvolvimento dos celulares e tablets reduziram o interesse pelos jornais. A mudança no comportamentos dos consumidores também é um outro fator nacional para o desaparecimento dos periódicos. Ross Dawson atribui como motivos globais de extinção: o alto custo de impressão e do maquinário, as mudanças na tendência da propaganda, como também o desenvolvimento das plataformas abertas. O avanço na performance dos celulares, dos tablets e dos e-readers, também são fatores importantes neste processo, vide quadro II abaixo:

Ross Dawson afirma ainda que “esta agenda sobre o desaparecimento dos jornais impressos é a melhor estimativa dada as tendências atuais”. Segundo ele, “a intenção da linha do tempo é enfatizar a adversidade do mercado de mídias globais e o caminho encontrado pelos editores para substituir com sucesso os jornais impressos atuais, incluem outros canais de notícias, além de prover notícias personalizadas em papel e entrar em mercados com nichos específicos”.

Jornalismo de Imersão ou uma luz no fim do túnel

Como podemos notar, o avanço tecnológico dos smartphones, tablets e e-readers é apontado como uma das principais causas do desaparecimento dos jornais impressos. O pesquisador americano Ross Dawson afirma, ainda, que serão criados nichos específicos de notícias e que eles vão acabar substituindo os jornais como conhecemos hoje. Um desses nichos é o chamado Jornalismo de Imersão ou Jornalismo Imersivo. Esta nova forma de fazer jornalismo foi criado pela jornalista norte-americana Nonny de La Peña, em 2010, que buscava uma maneira de fazer jornalismo onde as pessoas se importassem mais com a notícia que estava sendo mostrada, uma maneira onde as pessoas participassem mais da notícia, “… que sentissem a notícia em todo corpo e não só na mente”. Numa entrevista para o site Meio & Mensagem (abril 2016) De La Peña afirma que “quando usada adequadamente, a realidade virtual pode certamente ser uma forma nova e mais poderosa de engajar o público em conteúdo jornalístico. E também é, eu espero, uma forma de atingir uma audiência mais jovem num espaço onde eles já se sentem confortáveis. Garotos que já compartilharam a experiência de jogar em ambientes como Minecraft estarão naturalmente inclinados a absorver informação dessa forma mais imersiva”. A primeira experiência com o jornalismo de imersão foi sobre uma fila enorme num banco de alimentos, na Califórnia. A demora na distribuição de alimentos acabou provocando o desmaio e o coma de um senhor que sofria de diabetes. O áudio das pessoas e as fotos eram tão fortes que fez a jornalista experimentar, pela primeira vez, a realidade virtual. A experiência acabou no festival de Sundance, com enorme sucesso. É a própria jornalista que conta numa palestra que fez na TED como foi esta experiência com a primeira matéria em jornalismo imersivo.

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