Vitrais: Poeta Jacinto Fabio Corrêa em novo recital solo

Jacinto Fabio Corrêa. Foto: Fernando Garcia

Jacinto Fabio Corrêa. Foto: Fernando Garcia

Em setembro de 2017, o poeta Jacinto Fabio Corrêa deu sequência ao seu trabalho poético, lançando o 13º livro, chamado Fatário, com poemas focados no conturbado momento político brasileiro, nas atuais relações trabalhistas, mas também apresentando poemas de amor, marca registrada de seus outros 12 livros de poemas, 1 DVD e 1 CD (ao lado do cantor e compositor Paulo Corrêa).

Fatário, que significa aquele que acredita na fatalidade, na sorte, no destino, é a base do novo recital solo do poeta: Vitrais, que estreia dia 15 de setembro de 2018, sábado, às 20 horas, no Solar de Botafogo (Rua General Polidoro, 180). “Acredito que esse título resume bem, e poeticamente, o que quero transmitir com o espetáculo: as diversas facetas da liberdade, seja na vida, no trabalho, na política, no amor”.

Com duração de uma hora, o recital segue a tradição de espetáculos bem-acabados do poeta, que contará com trilha sonora original, cenografia e iluminação típicas das peças teatrais. “Meus espetáculos funcionam como monólogos, são histórias que conto por meio de poemas, e preciso da dramaturgia do teatro para isso. O silêncio, a música, as projeções, os focos de luz tudo simboliza uma intenção. Dessa vez, a liberdade de viver. Vitrais é isso: a busca pela liberdade de expressão”. O recital contará com a participação dos poetas Lila Maia, Helena Ortiz e Gabriel Mic. Traz, também, trilha sonora de Paulo Corrêa e quadros de Claudio Moura.

Autor de 13 livros

Carioca, 58 anos, Jacinto vem desenhando uma trajetória particular no cenário da poesia brasileira. Autor de 13 livros de poesia, como O diário do trapezista cego e Cartas ao grande amor, Jacinto se diferencia pela busca do detalhe, tanto em sua poética, como na forma como a expõe: todos os seus livros são independentes e feitos de forma artesanal, com a utilização de colagens, tecidos, madeiras etc. “tudo que seja necessário para a história ser contada da maneira que pede, e para que cada leitor tenha o seu próprio exemplar”, explica o poeta. Seu livro Silenciário exigiu do poeta a aplicação de 18 mil pequenas estrelas espalhadas pelas páginas dos 300 exemplares publicados.

A trajetória do escritor pode ser pelo site www.jacintocorrea.com.br, onde se encontram a história de cada livro, poemas e textos, fotos, críticas e matérias publicadas, além de depoimentos de leitores.
Alguns poemas do autor:

PEDAÇOS (I)

A água do mar é quente,
o lugar é bonito.
Me acorde às cinco.
Eu preciso buscar
o sol pra você.

PEDAÇOS (II)

Seu dicionário é farto
de palavras e explicações
mas nele apenas uma palavra reside.
Aquele que por não saber pronunciar
cresce em seu peito como uma colônia de cupins.

Amor não se mata com silêncio.

NAQUELE DIA

Naquele dia em que palavras
se enroscavam em minha língua
eu te amava largo, mas não sabia dizer.
Naquele dia em que clamei por justiça
e como num milagre ouvi eu te amo grande
eu fui o dia mais feliz da minha vida.

ELÁSTICO

A saudade começa
e quase termina
no mesmo lugar.
Elástico,
que por mais esticado,
jamais se rompe.
Nem que eu desse
a volta ao mundo
eu me perderia de ti.

ORAÇÃO DE TODO DIA

Sem você, a vida faria todos os sentidos
mas eu não poderia dela duvidar
e ainda assim querer vivê-la ao seu lado.

Sem você, os frutos vingariam
mas não haveria a beleza sem remorsos de ver
o cacho de uva morrer de velhice sobre a mesa.

Sem você, o prazer também seria completo
mas não me daria a glória de provocar
o pudor nos deuses mais recatados.

Sem você, os erros não deixariam de acontecer
mas eu não teria como saber
que o perdão vence a distância.

Sem você, o tempo seria como sempre foi
mas em nada me interessariam as horas
que gostamos de perder diante do nada.

Por isso, toda noite, antes de fazê-lo dormir,
sem saber rezar eu rezo duas aves-maria ao pai-nosso
para que a tal eternidade seja mesmo nosso dia a dia.

Jacinto Fabio Corrêa

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