O brasileiro está de saco cheio da ‘falta de palavra’ dos políticos, por Sidney Rezende

Não condeno os brasileiros que, de boa fé, acreditaram que as investigações que redundaram no desfecho da Ação Penal 470, o chamado Mensalão, seriam um divisor de águas para impedir que corruptos continuassem saqueando a coisa pública. Lembra-se o que se dizia na época? A Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça prometeram mão forte diante dos escândalos de corrupção mediante compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional, que ocorreu entre 2005 e 2006.

Mais tarde, surge a Operação Lava Jato e o juiz de primeira instância Sergio Moro vira estrela nacional. Os crédulos trocaram suas fotos nos perfis das redes sociais e adotaram a do magistrado do Paraná como exemplo de honestidade a ser seguido. A maioria se convenceu que o caminho sinalizado pela “República de Curitiba” era a prova definitiva que estávamos passando o Brasil a limpo. A história mostrou que não foi bem assim.

Os dias passam, os meses passam, os anos passam e vemos que os políticos continuam roubando, o presidente Michel Temer colhe vitórias preciosas no cumprimento de uma agenda que visa substituir folha corrida por folha de serviços. Ele é até recebido de forma especial pela presidente do Supremo Tribunal Federal. E, velozmente, vão se safando os homens do presidente Moreira Franco, Eliseu Padilha, Romero Jucá, Rodrigo Rocha Loures e, porque não dizer, até Geddel Vieira Lima parece que vai escapar das encrencas que ele e seus amigos do PMDB se meteram.

Lula deverá ser preso e as autoridades criminais caçam outros petistas e, estranhamente, não batem na porta dos tucanos. Justiça capenga, justamente por isso. O povo já percebeu que há um desequilíbrio nas ações policiais e judiciais. Isto não é bom nem mesmo para os pruridos dos brasileiros que confiam na melhora de curto prazo da prática política no nosso país.

Quando se imagina que a palavra dos políticos se fará valer, tudo desanda. Quando se imagina que o país possa mudar de fato já a partir da eleição do segundo semestre, eis que a realidade nos desmente.

Seja algo grave como o movimento do PTB que teve o desplante de botar um moço de apenas 19 anos para liberar milhões para apaniguados. Seja em atitudes mais mesquinhas, como a dos pré-candidatos ao Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), que segundo o jornal O Estado de São Paulo, têm usado aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) para viajar pelo país em favor de suas candidaturas à presidência. A FAB não divulga o valor dos gastos com voos oficiais. Eles alegam que a informação é “sigilosa” e “estratégica”. Segundo o Estadão, 1 voo entre Brasília e Fortaleza, custa cerca de R$ 84.000, conforme cotação de empresa de táxi aéreo com 1 jato médio similar ao da FAB.

Outro dia, o presidente Michel Temer  liberou quase R$ 150 milhões para os grandes meios de comunicação badalarem  a reforma da previdência defendida por Brasília. A cada dia, Temer e seus amigos  só se enrolam em novas histórias duvidosas.

O povo não acredita mais no que dizem os políticos brasileiros e há razões objetivas para isso. Vejam a lista abaixo de como têm sido nossos dias.

Você já se deu ao trabalho de listar os escândalos mais importantes do Brasil nos últimos 7 anos? Buscamos na enciclopédia virtual e fizemos um resumo para você:

Escândalo do Banco Panamericano (2010)
Escândalo do Superfaturamento da Ponte Rio Negro (Estado do Amazonas) (2010)
Caso Erenice Guerra (2010)
Operação Mãos Limpas (Estado do Amapá) (2010)
Operação Uragano (Fraude na Prefeitura de Dourados, e no Governo do Mato Grosso do Sul) (2010)
Operação Carta Branca (Ciretrans de São Paulo) (2011)
Máfia dos Pardais (2011)
Operação Tsunami (Município de Fundão, ES) (2011)
Máfia do Lixo de Maceió (2012)
Escândalo das Licitações no Estado do Rio de Janeiro (empresas Locanty e TOESA) (2012)
Escândalo das Caxirolas (2012)
Escândalo da Clinica Ricardo Iberê Gilson (governo do Estado do Rio de Janeiro) (2012)
Escândalo da Gestão da Massa Falida da Mesbla (2012)
Operação Monte Carlo (Jogos de Azar no Estado de Goiás) (2012)
Operação Ararath (Governo do Estado do Mato Grosso) (2013)
Caso Siemens (e Caso Alstom) (2013)
Operação Cruzamento (fraudes no Detran do Estado do Rio de Janeiro) (2013)
Operação Paralelo 31-S (fraudes em obras públicas no Estado do Rio Grande do Sul) (2013)
Operação Tarja Preta (Medicamentos super faturados em Goiás) (2013)
Mensalinho do Estado do Amapá (2014)
Escândalo do SESI (supersalários pagos a apadrinhados do Partido dos Trabalhadores) (2014)
Escândalo do VLT de Cuiabá (Estado do Mato Grosso) (2014)
Escândalo do Grupo Galileo (falência da Universidade Gama Filho, e da UniverCidade) (2014)
Escândalo do Fundo de Saúde da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – FUSPOM ( 2014)
Caso Paraibacap (denúncia de fraudes em títulos de capitalização, no Estado da Paraíba) (2014)
Operação Lava Jato (Operação da PF, no mega esquema de corrupção da Petrobras, considerado o maior esquema de corrupção do País) (2014)
Operação Zelotes (CARF) (2015)
Operação Acrônimo (Investigação do atual governador do Estado de Minas Gerais, Fernando Pimentel) (2015)
Operação Radioatividade (Escândalo Eletronuclear) (2015)
Operação Politeia (apreensão de diversos carros de luxo do ex-presidente Fernando Collor) (2015)
Operação Pixuleco (Operação da PF, desdobramento da Operação Lava Jato com a prisão de José Dirceu) (2015)
Operação Pixuleco II (Operação da PF, desdobramento da Operação Pixuleco) (2015)
Laep Investments (2015)
Fraudes em licitações na Prefeitura de Resende (Estado do Rio de Janeiro) (2015)
Operação Catilinárias (desdobramento da Operação Lava Jato) (2015)
Operação Choque (corrupção na Eletronorte) (2015)
Operação Crátons (desdobramento da Operação Lava Jato) (2015)
CPI do HSBC (2015)
Operação Desventura (fraudes em prêmios não retirados de loterias da Caixa Econômica Federal) (2015)
Operação Sodoma (Fraudes no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial do Estado do Mato Grosso) (2015)
Operação Nenhures (Certidões de nascimento falsas no Estado de Minas Gerais) (2015)
Operação Vidas Secas (Transposição do Rio São Francisco) (2015)
Operação Greenfield (corrupção nos fundos de pensão) (2016)
Operação Mar de Lama (Fraude em licitações e contratos do Município de Governador Valadares) (2016)
Operação Abismo (2016)
Fraude da Terraplanagem (Estado do Tocantins) (2016)
CPI dos Guinchos (Estado do Espírito Santo) (2016)
Operação Acarajé (2016)
Operação Aletheia (2016)
Operação Tabela Periódica (fraude na ferrovia norte-sul) (2016)
Operação O Recebedor (desdobramento da Lava Jato) (2016)
Operação Boca Livre (Fraude na Lei Rouanet) (2016)
Operação Carcinoma (Governo do Estado de Minas Gerais) (2016)
Operação Esfinge (Fraudes em licitações no Estado do Rio de Janeiro) (2016)
Operação Irmandade (Fraudes na Usina de Angra 3 e Eletronuclear) (2016)
Operação Pripyat (Escândalo Eletronuclear) (2016)
Operação Recomeço (desvio nos Fundos de Pensão) (2016)
Escândalo das laqueaduras no Município de Arraial do Cabo (Estado do Rio de Janeiro) (2016)
Operação Veiculação (escândalos em prefeituras no interior Estado da Paraíba) (2016)
Falência da OI (2016)
Operação Chequinho (ex-governador Anthony Garotinho, do Estado do Rio de Janeiro) (2016)
Operação Calicute (ex-governador Sérgio Cabral, do Estado do Rio de Janeiro) (2016)
Escândalo das Teles (doação de 105 bilhões de reais para empresas de telecomunicações) (2016)
Operação Cartas Marcadas (2016)
Faraônica sede do Tribunal de Contas do Estado de Roraima (2016)
Operação História de Pescador (fraudes no Seguro Defeso, do Ministério da Pesca) (2017)
Escândalo de Superfaturamento em obras na prefeitura de Nova Olinda (Estado do Tocantins) (2017)
Escândalo de corrupção no concurso de Miss Sergipe 2015 (2017)
Escândalo das Tornozeleiras Eletrônicas (fraude na aquisição de tornozeleiras eletrônicas pelo Estado do Rio de Janeiro) (2017)
Denúncia de Fraudes no Fundo do FIES (2017)
Operação Eficiência (recebimentos de propinas pelo Governador Sérgio Cabral, do Estado do Rio de Janeiro, pagas pelo empresário Eike Batista) (2017)
Escândalo do assassinato do prefeito eleito de Piên, em 2016 (estado do Paraná) (2017)
Escândalo da transferência de pontos na CNH (2017)
Caso Confederação Brasileira de Automobilismo (repasse para familiar do presidente da CBA) (2017)
Operação Leviatã (Fraudes na Usina Belo Monte) (2017)
Escândalo da escolha da cidade do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos (2017)
Escândalo das doações para a campanha eleitoral de 2014 (2017)
Operação Research (fraudes em bolsas da Universidade Federal do Paraná) (2017)
Operação Carne Fraca (grandes frigoríficos comercializavam e exportavam carnes vencidas mantidas com ácido sórbico e ácido ascórbico e pagamentos de propinas à fiscais do Ministério da Agricultura) (2017)
Operação Licitante Fantasma (fraudes no Comprasnet, em licitações do Exército, Ministério da Fazenda, Ministério da Agricultura, no Estado do Mato Grosso do Sul) (2017)
Operação Carne Fria (Operação do IBAMA no Estado do Pará, frigoríficos comprando carne de áreas de desmatamento) (2017)
Operação O Quinto do Ouro (denúncia de pagamento de propinas a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) (2017)
Operação Águas Claras (denúncia de desvio de recursos públicos na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos – CBDA) (2017)
Operação Fatura Exposta (denúncia de fraudes em licitações do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia) (2017)
Operação Stellio Natus (denúncia de fraudes no seguro desemprego, envolvendo agentes do Ministério do Trabalho e Previdência Social) (2017)
Operação Perfídia (lavagem internacional de dinheiro por agências de turismo, casas lotéricas e postos de gasolina) (2017)
Operação Bullish (irregularidades em empréstimos do BNDES ao Frigorífico JBS (2017)
Operação Panatenaico (fraudes na construção do Estádio Mané Garrincha, no Distrito Federal) (2017)
Operação Basura conjunto de investigações em andamento pela Polícia Federal do Brasil, com foco em investigar casos de corrupção na administração pública no município de Cabo Frio.

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