Sidney Rezende. Foto: Nicolas Renato Photography

Sidney Rezende

Jornalista, diretor do SRzd e um dos profissionais mais inovadores do país.

O massacre do ambulante e a impunidade

Luiz Carlos Ruas. Reprodução: TV

A agressão física bestial no metrô de São Paulo na noite de Natal que levou à morte o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, 54 anos, revela a dura face da realidade urbana brasileira. O retrato da violência, crueldade, preconceito e certeza da impunidade. O trabalhador foi covardemente agredido por dois homens, por volta das 22h25 do dia 25, e morreu após ser espancado dentro da Estação Pedro II.

Os dois agressores resolveram tirar satisfação após serem flagrados urinando na parede e serem alertados por um travesti para que não fizessem aquilo em via pública. Eles partiram para cima do travesti e o ambulante pediu calma e tentou evitar uma briga. Foi o suficiente para os criminosos perseguirem os dois com o objetivo de agredi-los fisicamente.

O travesti correu e conseguiu escapar. O senhor, mais velho, mais pesado, sem mobilidade, até tentou. Mas não teve a mesma sorte. E foi duramente castigado com socos, chutes na linha da cintura e pisoteamento na cabeça seguidas vezes. Infelizmente, Luiz Carlos não resistiu.

A polícia já identificou os assassinos e agora só falta prendê-los. Quem assistiu a selvageria diz que eles são homofóbicos e, que, pelo menos um deles, parecia alcoolizado.

Primeiro, a polícia tem o dever de prender os criminosos. Segundo, a Justiça precisa ser severa para que sirva de exemplo. Embora, lamentavelmente, saibamos que este é o país da impunidade. São incontáveis os casos absurdos ocorridos no Brasil que mostrou que pobre é a corda mais fraca. Vejamos alguns exemplos retirados do nosso dia a dia:

Um dos homens que botou fogo num índio pataxó, em Brasília, fez concurso para integrar a Polícia Civil. Pressionada, a instituição foi obrigada a reprová-lo na etapa de sindicância de vida pregressa. Ele foi condenado em 2001 por participação no assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos.

O assassino da atriz Daniela Perez, mesmo depois de solto, continuou a denotar perfil agressivo. Guilherme de Pádua, assassino confesso da filha de Glória Perez, é acusado de, sistematicamente, ameaçar a ex-mulher, Paula Maia, 30 anos. O casal se divorciou no meio do ano passado e, desde então, Pádua tem perseguido a esposa.

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Segundo informações de familiares, Paula teve que se mudar para o exterior para fugir do ex-marido, que não estaria aceitando o fim do casamento. Pádua chegou, inclusive, a rasgar os papéis do divórcio e invadir o apartamento da família, em Belo Horizonte. “Ela está com verdadeiro pavor de Guilherme de Pádua”, afirmou a mãe de Paula, Angela Castro.

Cerca de três anos e meio depois de receber voz de prisão ao abordar um juiz em uma blitz da Lei Seca na Zona Sul do Rio, uma agente da operação foi condenada a indenizar o magistrado por danos morais. Luciana Silva Tamburini processou o juiz João Carlos de Souza Correa, alegando ter sido vítima de situação vexatória. Porém, a Justiça entendeu que a vítima de ofensa foi o juiz e não a agente.

Nesta segunda, 27, em Santa Catarina, um magistrado foi preso dirigindo alcoolizado. O nome dele não foi divulgado pela polícia e nem o registro da imagem do juiz foi autorizada. Ele foi liberado pela delegacia sem qualquer problema.

Em Vitória, o juiz Antônio Leopoldo Teixeira, acusado de ser um dos mandantes do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, em março de 2003, até hoje não foi a julgamento. A punição do Tribunal de Justiça do Espírito Santo foi a aposentadoria compulsória. Por esta “punição”, o juiz Antônio Teixeira recebe mensalmente R$ 32 mil.

Juiz Antônio Leopoldo Teixeira. Reprodução: TV
Juiz Antônio Leopoldo Teixeira. Reprodução: TV

 

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