Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Jurassic Park – Parque dos Dinossauros’ completa 25 anos

Dirigido por Steven Spielberg, “Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros” é considerado um marco do cinema americano (Foto: Divulgação).

Chamado por muitos de Rei Midas de Hollywood, Steven Spielberg foi um dos responsáveis pela revolução do cinema comercial americano na década de 1970 por meio de filmes como “Tubarão” (Jaws – 1975) e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (Close Encounters of the Third Kind – 1977). Era uma época em que o público voltava a se interessar por produções de apelo visual, calcadas em efeitos especiais que refletiam o avanço tecnológico da indústria cinematográfica.

 

Tal avanço proporcionou novas possibilidades e mostrou que, assim como George Méliès fizera no início dos anos 1900, quebrando a barreira realidade / sonho e mostrando que o cinema poderia ser mais do que as atualidades reconstituídas dos primeiros realizadores, os cineastas poderiam transformar seus sonhos em realidade. E um destes sonhos, ao menos de Spielberg, era trazer os dinossauros de volta à vida utilizando todos os recursos disponíveis na Hollywood da década de 1990.

 

Desta forma, o homem responsável pela criação do blockbuster com o já citado “Tubarão”, o primeiro filme a superar a marca de US$ 100 milhões em bilheterias mundiais, se inspirou no burburinho em torno da descoberta de um fóssil de inseto contendo DNA de dinossauro e adaptou “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros”, de Michael Crichton, para a tela grande. Orçado em cerca de US$ 63 milhões, valor altíssimo para a época, “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” (Jurassic Park – 1993) arrebatou plateias mundo afora devido ao realismo dos animais extintos há milhões de anos, recriados com recursos de computação gráfica e animatrônicos, como o T-Rex, por exemplo.

 

“Michael Crichton deu vida aos dinossauros no século XX através da ciência. Isso mudou a minha vida e acho que mudou a dele. E assim começou a transformação de ‘Jurassic Park’ em filme”, afirma Steven Spielberg no vídeo “Jurassic World: Reino Ameaçado – O Legado de Jurassic”, divulgado pela Universal Pictures e disponível ao final do texto. “Os filmes ‘Jurassic Park’ realmente têm algo em comum: foram criados por cineastas que amam a arte de fazer cinema”, completa Spielberg, que deixou a finalização do clássico nas mãos de George Lucas para dar início ao projeto de “A Lista de Schindler” (Schindler’s List – 1994).

 

O T-Rex animatrônico é um dos destaques de “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” (Foto: Divulgação).

 

Roteirizado por Crichton e David Koepp, o longa mostra o milionário John Hammond (Richard Attenborough) realizando o sonho de trazer os dinossauros de volta à vida numa ilha que abriga o seu tão sonhado parque temático, o Jurassic Park. Prestes a ser aberto ao público, o parque é apresentado a um grupo de convidados, que inclui paleontologistas e os dois netos de Hammond, mas a visita se torna um pesadelo devido à ganância de um funcionário do local que desencadeia a primeira tragédia da Ilha Nublar.

 

Utilizando a tecnologia a favor do filme, agregando valor a ele, Spielberg acabou criando um divisor de águas no cinema no que tange à superação da barreira realidade / sonho, pois a sensação da plateia era a de que os dinossauros estavam de fato vivendo numa ilha da Costa Rica, preparada para receber visitantes diariamente. E isto rendeu ao longa três estatuetas do Oscar: melhor som, efeitos sonoros e efeitos visuais.

 

Deixando boquiabertos espectadores de todas as idades, “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” se tornou um grande sucesso num período em que não havia o apelo da internet e, portanto, pouco era divulgado, o que impulsionava o elemento surpresa que é quase inexistente nas produções contemporâneas. Com isso, arrecadou pouco mais de US$ 1,02 bilhão em bilheterias mundiais (este valor inclui o faturamento de sua versão 3D, que foi lançada em 2013 e arrecadou cerca de US$ 40 milhões nos Estados Unidos e no Canadá) e abriu caminho para a consolidação de uma franquia que rendeu dois longas nos anos seguintes: “O Mundo Perdido – Jurassic Park” (The Lost World – Jurassic Park – 1997) e “Jurassic Park 3” (Jurassic Park III – 2001), respectivamente dirigidos por Spielberg e Joe Johnston. Porém, as sequências não obtiveram o êxito do original em termos de público e crítica, faturando cerca de US$ 618 milhões e US$ 368 milhões.

 

“Jurassic World – Mundo dos Dinossauros” reverencia o clássico de Steven Spielberg (Foto: Divulgação).

 

Nos últimos anos, a indústria cinematográfica hollywoodiana tem sofrido com a falta de criatividade e originalidade de roteiristas, que veem no passado o meio mais seguro de lucrar no presente. Com isso, uma enxurrada de sucessos ganhou reboots, remakes e continuações. Um desses foi a franquia “Jurassic Park”, que voltou às salas de exibição como “Jurassic World”, uma nova trilogia iniciada com “Jurassic World – Mundo dos Dinossauros” (Jurassic World – 2015), com direção de Colin Trevorrow e produção executiva de Spielberg.

 

O híbrido Indominus Rex é o responsável pela segunda tragédia na Ilha Nublar (Foto: Divulgação).

Protagonizado por Chris Pratt (Owen Grady) e Bryce Dallas Howard (Claire Dearing), “Jurassic World – Mundo dos Dinossauros” mostra a concretização do sonho de John Hammond por meio de outro milionário, Masrani (Irrfan Khan), que transformou a ilha em uma espécie de Disney World dos dinossauros. O que o milionário não desconfia é que sua gana por novas atrações é alvo de interesses escusos de alguns de seus contratados, que veem nos animais uma potente arma de guerra. Em meio a isso, Masrani precisa conter uma crise de proporções ainda maiores que as de Hammond no Jurassic Park, contando com a ajuda de seus funcionários, principalmente Owen e Claire, cujos sobrinhos estão entre os mais de 20 mil visitantes.

 

“É muito raro na história de um cineasta e de um estúdio ter algo que se conecte com o público como ‘Jurassic Park’ fez. Levamos muito a sério a ideia de que precisávamos reapresentá-lo a uma nova geração”, diz Trevorrow no vídeo.

 

Assumindo o tom de reverência ao clássico que o originou, “Jurassic World – Mundo dos Dinossauros” conquistou público e crítica com a voracidade do T-Rex e do Indominus, o híbrido criado no Hammond Creation Lab e responsável por mais uma tragédia na Ilha Nublar. De acordo com o Box Office Mojo, o longa faturou aproximadamente US$ 1,67 bilhão e atualmente ocupa a quinta posição do ranking de bilheterias mundiais de todos os tempos.

 

Bryce Dallas Howard e Chris Pratt em cena de “Jurassic World: Reino Ameaçado” (Foto: Divulgação).

 

Nesta quinta-feira, dia 21, o novo longa da franquia chega às salas de exibição apostando numa história de transição que apresenta o resgate de algumas espécies da Ilha Nublar, prestes a ser devastada pela erupção de um vulcão, e sua chegada ao continente. “Jurassic World: Reino Ameaçado” (Jurassic World: Fallen Kingdom – 2018) é alicerçado no carisma de seus protagonistas, Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, e conta ainda com a participação de um dos astros da trilogia original, Jeff Goldblum, que vive pela terceira vez o cientista Ian Malcolm. É um filme que utiliza a fórmula da série, abordando a ganância e soberba do Homem, mas que tenta levar às telas a discussão sobre a proteção dos animais, sobretudo criados em laboratório.

 

“Desde o início, Reino Ameaçado é uma história de Jurassic bem diferente. Não é mais sobre pessoas resgatando pessoas. É sobre pessoas resgatando dinossauros”, explica J.A. Bayona, diretor de “Jurassic World: Reino Ameaçado”, no vídeo divulgado pela Universal Pictures.

 

Previsto para estrear em 2021, o filme que encerrará a trilogia “Jurassic World” ainda não teve seus detalhes divulgados, mas será dirigido por Trevorrow e não terá nenhum dinossauro híbrido, segundo o próprio diretor.

 

* “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” estreou nos Estados Unidos no dia 11 de junho de 1993, mas só chegou ao Brasil no dia 25 de junho do mesmo ano.

 

Assista ao vídeo “Jurassic World: Reino Ameaçado – O Legado de Jurassic”:

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