Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Han Solo: Uma História Star Wars’ não faz jus à série que o originou

Principal estreia da última quinta-feira, dia 24, longa decepcionou nas bilheterias (Foto: Divulgação).

Aguardado com expectativa por muitos fãs e desconfiança por tantos outros, “Han Solo: Uma História Star Wars” (Solo: A Star Wars Story – 2018) entra em cartaz no Brasil nesta quinta-feira, dia 24. Exibido fora de competição na última edição do Festival de Cannes, o spin-off da série criada por George Lucas em 1977 tem dividido opiniões.

 

Projeto problemático desde o início, o longa que conta a história pregressa do icônico personagem interpretado por Harrison Ford teve seus diretores, Phil Lord e Christopher Miller, substituídos durante as filmagens. O motivo, de acordo com o que foi publicado à época, “diferenças criativas” entre a dupla e os produtores, principalmente Kathleen Kennedy. Com isso, a Disney colocou o veterano Ron Howard no comando da produção, mas para seguir estritamente o que havia sido pré-estabelecido pelo roteiro assinado por Jonathan e Lawrence Kasdan. Vencedor do Oscar de melhor filme e direção por “Uma Mente Brilhante” (A Beautiful Mind – 2001), Howard refilmou diversas cenas, mas não mexeu no roteiro, que é o ponto mais fraco deste longa.

 

Donald Glover interpreta a versão jovem, e mais debochada, de Lando Calrissian (Foto: Divulgação).

 

A história é simples e mostra o jovem Han Solo (Alden Ehrenreich) fazendo o possível para fugir de Corellia, planeta fabricante de naves, ao lado da namorada Qi’ra (Emilia Clarke). Mas o plano da dupla dá errado e Han acaba servindo ao Império na tentativa de se tornar piloto e conseguir sua própria nave. E é neste período que ele conhece Chewbacca (Joonas Suotamo), Lando Calrissian (Donald Glover) e Beckett (Woody Harrelson), espécie de mentor para ele. Ao lado do trio e de Qi’ra, Han aceita fazer um trabalho para o perigoso Dryden Vos, interpretado por Paul Bettany, o Visão da franquia “Os Vingadores” (The Avengers – iniciada em 2012).

 

Com uma trama previsível e carente de conteúdo que se desenvolve lentamente, causando certo incômodo porque não se sustenta ao longo de 2h15 de duração, o longa utiliza a trilha sonora de forma incessante para tentar conceder grandiosidade onde não há. Isto se deve ao fato de “Han Solo: Uma História Star Wars” fugir à regra da saga e não apresentar nenhuma sequência épica e/ou minimamente empolgante.

 

Falta química à dupla formada por Emilia Clarke e Alden Ehrenreich (Foto: Divulgação).

Apostando no humor, afinal esta é uma produção Disney, o filme tem como único ponto alto a sequência que mostra o primeiro encontro de Han e Chewbacca. Mesmo assim, mais pelo significado do que pela atuação dos atores, sobretudo do protagonista Ehrenreich. Apesar de se esforçar para honrar o legado de Ford, o ator não tem o carisma inerente ao personagem, que perde toda a sua força neste longa. A situação se agrava quando Ehrenreich e Clarke contracenam, pois não há química entre eles, tornando a relação bastante superficial. Aliás, química é algo que falta a este elenco.

 

Tecnicamente impecável e sem mencionar em que período a trama é ambientada, presume-se que seja entre “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith” (Star Wars: Episode III – Revenge of the Sith – 2005) e “Rogue One: Uma História Star Wars” (Rogue One – 2016), “Han Solo: Uma História Star Wars” desperdiçou a oportunidade de se tornar um filme capaz de enriquecer a série e, por esta razão, não faz jus a ela.

 

Assista ao trailer oficial legendado:

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