Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Extraordinário’ emociona sem ser piegas

Jacob Tremblay (Auggie) e Julia Roberts (Isabel) em cena (Foto: Divulgação).

Adaptação cinematográfica do best-seller homônimo de R.J. Palacio, “Extraordinário” (Wonder – 2017) entra em cartaz nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 07. Sob a sensível direção de Stephen Chbosky, de “As Vantagens de Ser Invisível” (The Perks of Being a Wallflower – 2012), o longa promete emocionar a plateia ao dosar com bastante habilidade drama com pitadas certeiras e pontuais de humor que concedem certa leveza a uma trama sobre preconceito e bullying.

 

Colhendo os louros de “O Quarto de Jack” (Room – 2015), Jacob Tremblay vive Auggie Pullman, menino que nasceu com a Síndrome de Treacher Collins e, por esta razão, se submeteu a 27 cirurgias, inclusive plásticas para tratar sua deformidade facial. Educado em casa, algo comum para muitas crianças e jovens dos Estados Unidos, Auggie é obrigado pela mãe a cursar o Ensino Médio numa escola regular, onde terá contato com outras crianças de sua idade, o que causa apreensão em toda a família. Vítima de bullying desde o primeiro instante, o garoto assume a missão de superar cada obstáculo que lhe é imposto, sobretudo para construir amizades no colégio, sempre contando com o apoio do corpo docente.

 

Apresentado como o Sol, Auggie tem a família e seus poucos amigos orbitando ao seu redor por meio de uma trama convencional e um tanto previsível, mas com coadjuvantes aproveitados satisfatoriamente pelo roteiro de Chbosky, Steve Conrad e Jack Thorne. Ao longo de quase duas horas de duração, o espectador é conduzido ao universo do menino não apenas pela sua ótica, mas também de personagens de suas relações, mostrando os sentimentos de cada um diante da realidade de Auggie, como Via (Izabela Vidovic), a irmã mais velha que se sente negligenciada pelos pais, apesar do amor incondicional que nutre pelo caçula.

 

Jacob Tremblay e Noah Jupe (Jack Will) esbanjam química e carisma no longa (Foto: Divulgação).

 

Com um primoroso trabalho de maquiagem, “Extraordinário” tem como principal alicerce a dinâmica de seu elenco. Completamente integrados entre si e bastante à vontade com seus respectivos personagens, os atores apostam na delicadeza e na naturalidade, concedendo o máximo de veracidade possível ao longa que conta ainda com uma pequena participação de Sônia Braga como a mãe da personagem de Julia Roberts.

 

Oferecendo um trabalho de composição complexo e ao mesmo tempo adorável, Jacob Tremblay é o grande destaque da produção, pois consegue equilibrar o drama do personagem com a magia da infância com a destreza de um veterano. Contudo, Tremblay não é o único a chamar a atenção num filme que tem Julia Roberts (Isabel) e Owen Wilson (Nate) no elenco – ambos em atuações corretas. E os outros destaques pertencem ao núcleo infanto-juvenil: Izabela Vidovic e Noah Jupe, que interpreta Jack Will, o amigo de Auggie que surge em cena para mostrar os dois lados de um indivíduo em processo de formação de caráter.

 

“Extraordinário” aborda a necessidade de afeto e respeito nas relações interpessoais em meio ao preconceito de uma sociedade que não sabe conviver com as diferenças. É um filme que tem como mérito o fato de emocionar o espectador sem cometer o pecado da pieguice.

 

Assista ao trailer legendado:

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