Ana Carolina Garcia. Foto: SRZD

Ana Carolina Garcia

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá, onde também concluiu sua pós-graduação em Jornalismo Cultural. Em 2011, lançou seu primeiro livro, "A Fantástica Fábrica de Filmes - Como Hollywood se Tornou a Capital Mundial do Cinema", da Editora Senac Rio.

‘Cinderela e o Príncipe Secreto’: aventura em detrimento do romance

“Cinderela e o Príncipe Secreto” é uma das estreias desta quinta-feira, dia 11 (Foto: Divulgação).

Quando se fala em Cinderela, a primeira lembrança é a da princesa do mundo mágico de Walt Disney perdendo seu sapatinho de cristal na animação clássica “Cinderela” (Cinderella – 1950), de Clyde Geronimi, Wilfred Jackson e Hamilton Luske. Mas a personagem apareceu pela primeira vez na telona ainda no período do Primeiro Cinema (1895 – 1910) em curtas-metragens em live-action de realizadores como George Albert Smith e George Méliès em 1898 e 1899, respectivamente. Nesta quinta-feira, dia 11, a Gata Borralheira volta às salas de exibição no longa animado “Cinderela e o Príncipe Secreto” (Cinderella and Secret Prince – 2018), produzido pela Gold Valley Films.

 

No longa, Cinderela é uma jovem que se arrisca para ajudar um amigo (Foto: Divulgação).

Na história clássica, Cinderela é uma donzela indefesa, escravizada pela madrasta e salva pelo príncipe, apostando no romance como essência de um belo e atemporal conto de fadas, mas esta não é a proposta da animação de Lynne Southerland, que tem em seu currículo de diretora somente o curta “Mulan: 15th Anniversary – The Voices of Mulan II” (Idem – 2013) e o longa “Mulan 2: A Lenda Continua” (Mulan II – 2004), este último dividindo a função com Darrell Rooney. Em “Cinderela e o Príncipe Secreto” não há nenhuma jovem indefesa à espera de salvação. Pelo contrário, há uma jovem que deixa seus sonhos em segundo plano e que chama para si a responsabilidade de ajudar um amigo a recuperar tudo o que lhe foi roubado por uma feiticeira no passado. Desta forma, a trama se desenvolve priorizando a aventura em detrimento do romance.

 

Obviamente, as referências aos contos de fadas e outros sucessos do estúdio do Mickey se fazem presentes nesta animação, como por exemplo, “Branca de Neve e os Sete Anões” (Snow White and the Seven Dwarfs – 1937) e “O Rei Leão” (The Lion King – 1993), sobretudo no que tange à dinâmica entre dois dos três camundongos, remetendo imediatamente a Timão e Pumba. No entanto, o filme bebe da fonte de “Shrek 2” (Idem – 2004) sempre que possível, utilizando, ainda, referências ao seriado “Lost”(Idem – 2004 – 2010) e à franquia “O Senhor dos Anéis” (The Lord of the Rings – iniciada em 2001), adaptação da obra de J.R.R. Tolkien.

 

Apesar de não ser um primor técnico, algo que pode ser observado principalmente nas sequências que mostram os personagens caminhando e que dão a impressão de que seus pés não encostam o chão, “Cinderela e o Príncipe Secreto” não tem medo de se arriscar num mercado dominado por produções de alto orçamento. Não apenas isto, este é um filme que ousa ao tirar de Cinderela o protagonismo esperado para conceder mais espaço ao drama do príncipe, que precisa desesperadamente de sua ajuda.

 

Assista ao trailer oficial:

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