Ticiana Farinchon. Foto: SRzd

Ticiana Farinchon

Formada em Jornalismo pela Facha, com pós-graduação em Mídias Digitais. Apaixonada por tecnologia e cultura, tem nos seriados de TV seu maior vício, acompanhando em tempo real tudo o que acontece neste fascinante universo.

Razões para assistir “13 Reasons Why”

Uma série adolescente com temas não necessariamente adolescentes. Assim é 13 reasons why, a nova queridinha dos sériemaníacos.
Derivada do livro homônimo de Jay Asher, a jornada de Hannah Baker traz a tona questionamentos absurdamente modernos e perturbadores.
Pra quem ainda não ouviu falar sobre ela, se é que ainda existem pessoas que nunca ouviram falar dela, vamos lá. Segundo a sinopse, 13 reasons why conta a história de uma adolescente que se suicida, deixando para trás diversas fitas K7 com relatos dos fatos – e das pessoas – que a levaram a cometer um ato tão extremo.
As fitas são destinadas a seus algozes, que devem ouvi-las na íntegra, para descobrir sua porcentagem de culpa. Se não o fizerem, a protagonista deixa uma ameaça: alguém pré destinado vai liberar o conteúdo dos áudios que, de certa forma, incriminam todos os citados.
A série acompanha a audição das fitas por Clay Jansen, amigo de escola de Hannah, por quem, obviamente, já foi apaixonado. Enquanto ele ouve as gravações, do lado de cá nós, espectadores, assistimos às cenas narradas por Hannah, e nos questionamos: como é complicada a vida de uma adolescente. Aliás, é possível ir além, pois as situações vividas por ela não existem só na nossa adolescência. Dependendo da sua personalidade podem se estender por toda a sua vida.
Muitas pessoas reclamaram do andamento das série, usando a expressão “boa, mas arrastada” para defini-la. Discordo totalmente. 13 reasons why é lenta porque precisa ser lenta. O ritmo da história é o reflexo da angústia das vivências de sua protagonista. Não podia ser diferente.
A cada fita que Clay ouve, mais nos aproximamos do universo muitas vezes sombrio das relações humanas. Bullying, assédio moral e sexual, alienação parental. Tudo está presente na vida daqueles personagens.
Ao contrário do que se pode pensar, a série não é destinada somente ao público adolescente. Independente de nossa idade, todos somos levados a pensar qual o nosso papel em nossos ciclos de relacionamentos. Somos vítimas? Somos agressores? Prestamos realmente atenção naqueles que estão ao nosso redor? Nossa confortável posição de omissão pode ter reflexos graves na vida de outros?
Acho válidas e interessantes as colocações dos que são contra a série por considerarem que ela pode funcionar como gatilho praqueles espectadores que sofrem de algum distúrbio mental. Pode sim. Mas os benefícios, ao meu ver, são maiores.
Todos nós somos, de certa maneira, gatilhos e redenção. Qualquer uma daquelas pessoas tinha o poder de interromper a trajetória trágica da protagonista, talvez até com uma só palavra, um só gesto. Falar sobre o tema, estarmos atentos ao que acontece à nossa volta, prestar atenção no outro, tudo isso cabe a nós.
Séries como 13 reasons Why tem a importante missão de nos alertar sobre nós mesmos, sobre nosso papel como seres humanos. Nos alertar sobre a importância de nossos pequenos gestos e palavras para a vida dos que nos cercam. Das consequências deles.
No fundo, no fundo, 13 reasons why não é uma série sobre uma adolescente que não segurou a onda e se suicidou. É uma série sobre as pequenas – e grandes – ações, dela e de terceiros, que a levaram a isso.
Num mundo em que as relações interpessoais estão cada vez mais rasas, essa é, sim, uma excelente opção para pararmos e refletirmos sobre nós mesmos. Para que outros não precisem chegar ao extremo de Hannah Baker.

Nota importante: após a estreia de 13 reasons why houve um aumento de 100% nas ligações para o CVV (Centro de Valorização da Vida), o que mostra a importância de se discutir o assunto.

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