Pé no chão; samba e bateria são destaques em desfile da Nenê de Vila Matilde

Desfile 2018 da Nenê de Vila Matilde. Foto: SRzd – Wadson Ferreira

Um tema afro e a tradição da Nenê.

Combinação imperdível para o terceiro desfile da noite do domingo (11) dos desfiles das escolas de samba do Grupo de Acesso 1.

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Pela terceira vez em sua história a Nenê de Vila Matilde busca um retorno ao Grupo Especial.

Nestas quase sete décadas de existência de um dos mais respeitados pavilhões do país, além da queda em 2017, teve outros dois dissabores; em 2009 e em 2011.

O terceiro rebaixamento completa o cardápio de um cenário muito diferente da trajetória de glórias da azul e branca da Zona Leste, construída, em boa parte, pelas mãos de Alberto Alves da Silva, o Seo Nenê, eterno baluarte do samba nacional.

A Nenê registra um tabu de 16 anos sem título na divisão de elite. Mas nem todos os dados estatísticos são desfavoráveis para a escola.

Em nenhuma das duas ocasiões passadas, quando esteve no Acesso, lá permaneceu por mais de uma temporada. Para superar esse capítulo adverso, a Nenê apostou na africanidade em 2018.

Sérgio Cardoso foi o responsável por abrir o cortejo matildense, estreante na Vila, assim como boa parte dos profissionais envolvidos no projeto deste ano. A encenação de um ritual africano, com bailarinos usando figurinos diferentes, formou o cenário da exibição.

André Guedes e Edilaine Campos, substituíram Jefferson Gomes e Janny Moreno.

Foram meses de incerteza sobre quem defenderia este digno pavilhão. Mas os Deuses do samba não abandonaram a Vila e trouxeram de volta um dos grandes da nossa dança, que saiu do seu repouso para o deleite de quem gosta da arte.

Cheio de requinte e postura em dança, fez par com a também estreante na azul e branca, e não menos famosa nas rodas paulistanas; a bela e competente Edilaine. Vieram sob a preparação técnica dos olhos aguçados de Hugo Passos. E com a responsabilidade de conquistar os mesmos preciosos 40 pontos garantidos pela escola em 2017.

Montados num belo figurino azul e branco, arrancaram aplausos do povão matildense presente em grande número no Anhembi.

O que se viu na pista, foi fruto da mente criativa e talentosa de Lucas Pinto.

De volta para a azul e branca num reencontro para selar as pazes após desentendimentos de quase uma década atrás. Uma epopeia talvez? Como sugere o próprio enredo?

A epopeia é a mais antiga das manifestações literárias, nela há a presença de um narrador que conta a história passada de terceiros. Os verbos e pronomes quase sempre estão na terceira pessoa. Além disso, os textos épicos pressupõem a presença de um ouvinte ou de uma plateia, que estaria escutando o narrador. A epopeia eterniza lendas e tradições ancestrais que foram preservadas através dos tempos pela tradição oral.

Mas no desenvolvimento, não tratou-se apenas de uma epopeia, e sim, quase de uma tese cultural da história da luta da perpetuação e glória dos cultos africanos no Brasil.

Lucas e sua equipe ainda tinham a missão de reverter o resultado bastante negativo, de responsabilidade dos carnavalesco, em 2017; somando os descontos em alegoria, fantasia e enredo, os três mais penalizados na disputa anterior, foram 2,1 pontos.

Simples e executados com o uso de materiais alternativos, carros e figurinos ganharam soluções criativas para chegar na Avenida, e apontaram alguns problemas de acabamento. O azul e branco da Nenê e de Iemanjá, formaram quase que todo o conjunto cromático do cortejo.

Outro ponto alto do desfile e da própria temporada da Nenê em um ano cheio de transformações, foi o retorno de mestre Pascoal.

Com ele, a volta da tradicional batida matildense, que faz tremer o corpo de quem ouviu a força distribuída nos surdos de marcação e peso da batucada.

Novamente, o samba foi uma das armas da Nenê.

A trilha oficial de 2018 é assinada pelos autores Kaska, Silas Augusto, Vitão, Zé Paulo Sierra, Léo do Cavaco e Luis Jorge e já conquistou uma vitória; o primeiro lugar na enquete SRzd, em votação onde os leitores elegeram o melhor hino do Acesso 1.

Além de uma galeria repleta de clássicas composições no Carnaval de São Paulo, a Nenê tem mantido uma média invejável no quesito. Desde sua última volta para o Especial, em 2013, praticamente gabaritou. O ponto fora da curva, foi justamente no ano passado, quando recebeu duas notas 9,8 dos jurados.

Na Avenida, a bela obra foi defendida pela potência da voz de Agnaldo Amaral, no auge de sua longa caminhada no samba, mesclando técnica e vitalidade.

“… É samba pé no chão, é força pra lutar
É o quilombo azul e branco que não para de cantar
Odoyá! Bate cabeça pra saudar Iemanjá…”

A qualidade musical do desfile proporcionou excelente harmonia, canto forte dos componentes e evolução com pequenas variações de andamento ao longo da Avenida.

De olho no relógio!

A Nenê de Vila Matilde encerrou seu desfile com 58 minutos

A apuração das notas atribuídas pelos jurados para os nove quesitos avaliados nos desfiles de 2018 serão conhecidas na tarde da próxima terça-feira, dia 13 de fevereiro, com cobertura do portal SRzd.

Foi assim no último concurso

(décimos perdidos pela Nenê de Vila Matilde, por quesito, em 2017 – considerando os descartes)

A performance da escola nos últimos cinco Carnavais

Curiosidade

Prêmio SRzd Carnaval SP 2018

Na manhã da próxima terça-feira (13), na página principal da editoria de Carnaval do SRzd em São Paulo, será divulgado o resultado da sétima edição do prêmio. A votação para os internautas estará disponível após o encerramento da apresentação da última escola do Grupo de Acesso 1.

Agora é com você leitor! O SRzd quer saber a sua opinião. Vote e participe!

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