Carnaval/SP

‘Falcatruas e traições, sempre existiram, mas não como nos dias de hoje’

Paisagem. Foto: Ilustração

Ednei Mariano traz novo texto em sua coluna no portal SRzd.

As publicações são semanais, sempre às sextas-feiras, na página principal da editoria do Carnaval de São Paulo. Leia, comente e compartilhe!

Falcatruas e traições, sempre existiram, mas não como nos dias de hoje

O caminhar matutino no Parque da Independência, clareia minha mente e fortalece meu espírito.

Este encontro com a natureza, ver pássaros em sua variedade em seu cantar descontraído, como aquele que é feliz pelo simples fato de viver, é um bálsamo para minhas preocupações do dia a dia.

Na trilha repleta de folhagem rasteira, as árvores gigantescas garantem o frescor do lugar. Naquela manhã, sinto-me em outro mundo, é um banho de energia a envolver este corpo com décadas e décadas de experiência.

Os pensamentos voam e as idéias ficam claras ao lembrar de tantos personagens da nossa dança.

Esses pensamentos me trazem as suas dores, suas decepções. Penso no meu caminhar em dança, de como foi bom, de como respeitei meus adversários de pista, de como incentivei os meus, em minha escola.

Lembro a forma de como juntos lutávamos contra o inimigo comum em nossa época; a falta de recursos. E mesmo assim, nos sentíamos valorizados.

Além disso, era normal o casal começar e terminar sua carreira na mesma entidade. Afirmo, para mim mesmo, quantas dores, quantas decepções foram evitadas.

Como era bom ter o afago da “nega” baiana que defendia nosso corpo com um regado alimentar, tudo feito com amor, porque a gratidão reinava ali.

Falcatruas e traições, sempre existiram. Mas a ganancia e a gula pelo poder, não eram tão intensas como nos dias de hoje.

Atualmente o “10” vem, mas parece que não é alivio, e sim, motivo de preocupação para se manter no cargo. Um elogio é sinal de alerta para muitos, ao contrário de outros tempos.

A garantia de seguir no cargo, era a postura, palavra que parece nula no dicionário da dança nos dias de hoje. Jamais me faltarão palavras de conforto, para elevar os meus e as minhas, em dança, porque minha felicidade foi tanta em meus anos, que hoje ela é combustível para acalentar aqueles que vem até mim.

A felicidade dos meus, será a minha em dobro! Até a próxima sexta-feira, se o Pai Maior assim permitir.

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