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Armando da Mangueira; tonelada de emoções – parte II

Armando da Mangueira. Foto: Acervo pessoal

Natural de São Paulo, nasceu no bairro do Parque Peruche, na Zona Norte da cidade. Poeta, escritor, pesquisador e sambista. Ao longo de sua trajetória, foi ritmista das escolas de samba Unidos do Peruche e Morro da Casa Verde, além de ser um dos fundadores da Acadêmicos de São Paulo.

As publicações são semanais, sempre às terças-feiras, na página principal da editoria do Carnaval de São Paulo. Leia, comente e compartilhe!

Armando da Mangueira; tonelada de emoções

+ relembre a primeira parte

Amanheço mergulhado entre o vinho e os rascunhos da primeira parte deste especial sobre Armando da Mangueira.

Inspirado pelos primeiros raios de sol, refleti as palavras de Sigmund Freud: “O pensamento é o ensaio da ação”.

Logo eu, um “simples Tupã”, também fui pedir as bençãos de um “Sábio Xamã” para que assim pudesse transpor ao papel uma fração deste nobre sambista.

Um sambista de personalidade marcante e com uma humildade ímpar. Logo o reconhecimento chega através de seu timbre. Ele não usava uma “coroa cravejada de brilhantes”, mas fazia da Avenida o seu reino, sempre saudando aqueles que tanto o aplaudiam: o povo!

Filho de seo Germano, grande sambista e integrante da banda Acadêmicos do Guanabara, militante do samba e cria do terreiro Matildense, o compositor Douglas Germano nos emociona recordando a convivência com Armando:

Como um “Sonho de Candeia” ele fez da Nenê o seu Quilombo e dedicou em sambas todo o seu amor e respeito por este pavilhão.

“Olha o tombo
É samba de conga e tem dendê
Chegou novo Quilombo e o seu nome é Nenê”
(Nenê de Vila Matilde, 1982)

A sambista e ex-presidente da Uesp, Edléia dos Santos, mergulha em seu baú de memórias e relembra:

“Conheci o Armando em 1979, nas eliminatórias do enredo: “Treze, Rei, Patuá”, e ao ouvir aquela voz não tinha como não se apaixonar, ele foi, até agora, o melhor puxador de samba da Nenê. Pois além de sambista ele tinha um olhar clínico para sua comunidade. Como puxador tinha uma forma ímpar de conduzir a escola, demonstrando todo amor e carinho ao pavilhão. Uma pessoa de carisma inigualável, bondade e humildade, um dos maiores poetas do samba do samba paulistano”.

De um plebeu todo enfeitado à um príncipe encantado, temos certeza que ele se identificava como um pobre sonhador, pois igualmente a nós ele fora iluminado pelas luzes de Aruanda, e a consagração veio em plena Marquês de Sapucaí:

“Vai Nenê
Embalando a alegria
E no canto da águia guerreira
Toda altaneira
Cai na folia”
(Nenê de Vila Matilde, 1985)

O cometa passou com a valentia e raça de um Leão do Norte. Ele muda de ares e forma com Eliana de Lima e Jamelão um dos maiores times de canto que uma escola de samba poderia ter.

“Atotô Obaluaê
Atotô Obaluaê
Vem oh claridade
A Peruche canta liberdade”
(Unidos do Peruche, 1988)

No ano seguinte ele desembarca na Barra Funda e se torna campeão. Algo que ele não conquistava desde 1985 com sua “Águia Altaneira”. Porém não teve “Sandollar” que o mantivesse no “Trevo”. Existem relações que o ser humano não sabe descrever e o seu coração o chamou de volta ao lar.

De forma marcante ele entrega sua alma na Avenida para fazer um desfile emblemático, os gritos ecoavam pelas arquibancadas e a energia que pulsava conduzia a todos.

Marcia Inayá, cantora e intérprete que esteve ao seu lado em sua última passagem pela Avenida, assim o definiu: “O melhor compositor que passou na minha querida Nenê”.

No ano 2000 ele conquista o samba-enredo na escola de samba Gaviões da Fiel junto de seu filho José Rifai e dos compositores Alemão do Cavaco e Ernesto Teixeira. Em 2002 é homenageado pela Primeira da Aclimação.

No girar da porta-bandeira, uma luz divina resplandeceu entre as lantejoulas e paetês, quis o destino que o seu primeiro desejo fosse como um espelho refletindo sua imagem para que outros seguissem seus passos.

E desta semente que lhe inspirou fica a esperança que brotem outros geniais poetas para que entre tantas paixões, germinem “Toneladas de Emoções”.

E o som de sua frigideira segue…

 

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