Sírio vítima de xenofobia em Copacabana vai desfilar pela Portela em 2018

Deputado Wanderson Nogueira, Marlon Lamar, Lucinha Nobre, Mohamed Ali, Beth Ferreira e Claudinho Portela. Foto: Raphael Perucci / Divulgação

Deputado Wanderson Nogueira, Marlon Lamar, Lucinha Nobre, Mohamed Ali, Beth Ferreira e Claudinho Portela. Foto: Raphael Perucci / Divulgação

A Portela convidou o sírio Mohamed Ali Kenawy para participar de seu desfile no Carnaval de 2018. O refugiado, que foi vítima de um ataque de xenofobia enquanto vendia esfihas em Copacabana, no início de agosto, esteve com representantes da diretoria da escola, nesta quarta-feira (13), durante a cerimônia em que recebeu o título de cidadão fluminense, na Alerj.

Ao ser homenageado no plenário da Assembleia Legislativa, Mohamed Ali foi saudado pela diretora social da agremiação, Beth Ferreira, responsável por fazer o convite oficial.

“A Portela é solidária ao Mohamed Ali e a todos os que são vítimas de xenofobia diariamente pelo mundo. Por isso, queremos convidá-lo para participar do nosso desfile”, disse a diretora, que representou o presidente Luis Carlos Magalhães na solenidade.

Em seguida, ao receber o diploma de cidadão fluminense das mãos do casal de mestre-sala e porta-bandeira da Portela, Marlon Lamar e Lucinha Nobre, e do deputado Wanderson Nogueira (PSOL), autor da iniciativa, o sírio beijou o pavilhão da campeã e foi bastante aplaudido pela plateia. Ao fim da cerimônia, ele posou para fotos com a comitiva da agremiação, que também contou com a presença de Claudinho Portela, membro da Comissão de Carnaval.

Segundo o presidente Luis Carlos Magalhães, a presença do sírio no desfile reforça o aspecto atual do enredo de 2018, que contará a saga de imigrantes e refugiados em busca de liberdade e paz.

“A grande maioria dos cariocas ficou chocada com o ataque que o Mohamed Ali sofreu. E a Portela marca posição clara contra a xenofobia em seu enredo. Em nosso desfile, a Estátua da Liberdade, grande símbolo de Nova York, representará a mãe dos exilados do mundo inteiro, assim como está no poema que está gravado aos pés da imagem, escrito por Emma Lazarus. Por isso, o Mohamed Ali é muito bem-vindo. Depois de tanto sofrimento que passou, será muito bom poder vê-lo feliz e cantando nosso samba-enredo na Sapucaí”, disse Luis Carlos Magalhães.

Cerimônia na Alerj com a Portela. Foto: Tainá Lima / Cerimonial Alerj
Cerimônia na Alerj com a Portela. Foto: Tainá Lima / Cerimonial Alerj

Feliz com a oportunidade de pisar na Sapucaí pela primeira vez e conhecer o Carnaval, Mohamed Ali agradeceu o convite.

“Aprendi a amar o Rio e o Brasil. Aqui me sinto em casa. Minha vida mudou bastante depois daquele episódio em Copacabana, mas, hoje, me sinto respeitado e querido pelas pessoas. Agradeço muito pelo convite. Vou tentar aprender a sambar”, revelou Mohamed Ali, que esteve na quadra da Portela, em agosto, convidado por uma das parcerias concorrentes ao samba-enredo do próximo Carnaval.

Segunda agremiação a entrar na Sapucaí, na segunda-feira de Carnaval, a Portela buscará o 23º título de sua história com o enredo “De Repente de Lá Pra Cá e Dirrepente de Cá Pra Lá…”, de autoria da carnavalesca Rosa Magalhães.

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srzd



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