Prêmio SRzd Carnaval 2018: festa e emoção marcam a 11ª edição

Comissão de Frente da Paraíso do Tuiuti no Prêmio SRzd Carnaval 2018. Foto: SRzd/Eliane Pinheiro

Comissão de Frente da Paraíso do Tuiuti no Prêmio SRzd Carnaval 2018. Foto: SRzd/Eliane Pinheiro

O Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio, foi palco de apresentações do 11º Prêmio SRzd Carnaval, que consagrou quem se destacou nos desfiles do Grupo Especial, Série A e Intendente Magalhães. A festa, na noite desta quarta-feira (21), contou com a participação de personalidades e amantes do Carnaval.

O diretor do Carlos Gomes, Afonso Drumond, deu as boas vindas. “A nossa casa está aberta para receber todas as manifestações. O samba é uma das manifestações bem ricas. Bem-vindos e aproveitem bem. Parabéns aos vencedores e a todos os profissionais do samba”, disse. Além do teatro, o prêmio contou com o apoio do Ecad e do Guaracamp.

Para abrir a festa, a Corte do Carnaval subiu ao palco para se apresentar e entregar os prêmios dos melhores que passaram pela Intendente Magalhães no último desfile. O casal de mestre-sala e porta-bandeira Yuri Souza e Bruna Santos, da Unidos da Ponte; os coreógrafos da comissão de frente da Lins Imperial, Natasha Lima e Luiz Carlos Nascimento; e o mestre de bateria da União do Parque Curicica, Yan Pac-Man; receberam os troféus das mãos da Corte.

Em seguida, começou a premiação dos destaques que estiveram na Marquês de Sapucaí pela Série A e Grupo Especial. A primeira apresentação foi de melhor casal da Série A, Rodrigo França e Cintya Santos, da Porto da Pedra. Logo depois, os passistas da Estácio de Sá mostraram no palco por que foram o destaque na premiação animando o público.

Rodrigo França e Cintya Santos, casal de mestre-sala e porta-bandeira da Porto da Pedra, no Prêmio SRzd Carnaval 2018. Foto: SRzd
Rodrigo França e Cintya Santos, casal de mestre-sala e porta-bandeira da Porto da Pedra, no Prêmio SRzd Carnaval 2018. Foto: SRzd

Sob o comando de mestre Demétrius, a bateria da Cubango se apresentou com o intérprete Evandro Malandro, que cantou o samba da escola para mostrar o trabalho da vencedora do prêmio de melhor bateria da Série A. Os ritmistas permaneceram no palco para os quesitos seguintes do mesmo grupo.

Por ter sido escolhido o melhor samba da Série A, os compositores da Inocentes de Belford Roxo, Cláudio Russo e André Diniz cantaram o hino da escola. “Ver o samba protagonista este ano, ver o samba comentado até em agência da ONU, ver o samba voltar a discussão até política é um prazer imenso, porque acredito que ainda dá jeito. Nós somos escola de samba, temos que fazer samba e esse resgate, essa retomada começou este ano. Agradeço aos carnavalescos dos sambas que eu fiz, porque sem eles, sem as grandes histórias, sem a grande pesquisa como teve o Wagner na Inocentes, nós não teríamos grandes sambas”, comentou Russo ao agradecer pelo troféu.

Com quatro prêmios nesta edição, a Viradouro invadiu o palco para celebrar os troféus de melhor carnavalesco (Edson Pereira), melhor comissão de frente, melhor intérprete (Zé Paulo Sierra) e melhor ala de baianas. “Agradeço os prêmios, que são frutos do trabalho de todos. A presidência e a direção da escola agradece aos nossos segmentos, à família Viradouro, à comunidade e ao mundo do samba que, independentemente do vencedor do prêmio X ou Y, o mais importante foi o recado que o samba conseguiu passar no ano de alguns poucos obstáculos, mas que o samba se fortificou, se solidifica e fica claro nossa força como cultura e como espetáculo”, agradeceu o presidente da escola, Marcelo Calil Filho.

Fui muito feliz este ano com a Viradouro. Espero que a escola continue alçando os mais altos voos do Carnaval.

“Fui muito feliz este ano com a Viradouro. Espero que a escola continue alçando os mais altos voos do Carnaval. Este prêmio, e não só todos os outros que virão, eu ofereço a todos vocês que são a resistência do samba. Que nenhum governante, que nenhum prefeito, que ninguém vai conseguir destruir a nossa cultura. Salve o samba. Salve a vocês. Salve ao povo do samba, que jamais deixará o samba morrer”, falou Edson Pereira, que em 2019 fará o Carnaval da Unidos de Vila Isabel.

Que crianças! Que responsabilidade, que profissionalismo!

“São muitas pessoas envolvidas. Agradeço de primeira mão os pais das oito crianças que eu levava para ensaiar na madrugada e que me proporcionaram essa felicidade de trazer crianças para uma comissão de frente, talvez um dos quesitos mais esperados da Avenida, e crianças. Que crianças! Que responsabilidade, que profissionalismo! Dedico a essas crianças esse prêmio SRzd e dedico à comunidade da Viradouro, a minha escola de coração, uma comunidade que é muito guerreira, muito participativa e que está muito feliz com esse regresso ao Grupo Especial. Muito obrigado a todos vocês, obrigado SRzd“, agradeceu o coreógrafo Márcio Moura que mostrou, também no palco da premiação, sua comissão de frente com as crianças, que foram muito aplaudidas pela plateia.

“Agradeço muito ao SRzd. É o terceiro prêmio SRzd que eu ganho. Um em 2015, no Grupo Especial, e este é o segundo consecutivo no Grupo de Acesso. Dedico esse prêmio a vocês, cantores. Dedico a comunidade do Unidos do Viradouro, que é uma escola que tenho um grande apreço, um grande carinho, uma escola que abriu as portas para mim. Agradeço à direção por ter comprado a ideia do Michael (Jackson). A ideia inicial não era essa. Tudo valeu a pena”, falou Zé Paulo Sierra ao receber seu troféu.

A gente vem batendo na trave, mas, quem sabe, a gente vai chegar lá algum dia e nós vamos continuar trabalhando e mostrando todo o trabalho que é feito pela Unidos de Padre Miguel.

Para fechar a premiação da Série A, a Unidos de Padre Miguel fez a festa como vencedora de melhor escola pelo SRzd e também pelo voto popular. “Em nome do nosso presidente Lenilson Leal, nossa comissão de Carnaval, e também do nosso novo carnavalesco João Vitor (Araújo), a gente agradece o prazer de estar aqui ao Sidney, que sempre nos prestigia. Agradeço também a todos os segmentos da Unidos de Padre Miguel e a nossa comunidade, porque é aquela comunidade que faz da Unidos de Padre Miguel ser o que é. Infelizmente, a gente vem batendo na trave, mas, quem sabe, a gente vai chegar lá algum dia e nós vamos continuar trabalhando e mostrando todo o trabalho que é feito pela Unidos de Padre Miguel e, principalmente, por aquela comunidade tão querida. E a vocês do mundo do samba, que nos momentos mais difíceis de nossa escola, estão sempre conosco. Espero que em 2019, nós estejamos alcançando o lugar tão desejado que é o Grupo Especial e podem ter certeza que a Unidos de Padre Miguel não vai desistir. Ela vai continuar investindo no trabalho e no Carnaval que ela tem feito durante todos esses anos”, falou Gilberto Leal, da Unidos de Padre Miguel, que encerrou as apresentações da Série A no Prêmio SRzd Carnaval.

É impossível não se emocionar. [Ciça] Foi um grande professor, pegou a gente – vamos falar a verdade – desacreditado, tomando pancada, e ele acreditou na gente.

Para abrir as premiações do Grupo Especial, a bateria da União da Ilha se apresentou com a participação do intérprete Ito Melodia, cantando o samba da escola, e da rainha de bateria Gracyanne Barbosa sambando à frente dos ritmistas. Gracyanne compareceu à premiação ao lado do marido, o cantor Belo. O momento da exibição da bateria foi de alegria e também de emoção, por conta da recente saída de Mestre Ciça do comando da bateria. “É impossível não se emocionar. [Ciça] Foi um grande professor, pegou a gente – vamos falar a verdade – desacreditado, tomando pancada, e ele acreditou na gente”, falou Marcelo Santos, sendo interrompido por sua própria emoção e aplaudido. “Só agradecer. Agradecer a ele por tudo. Só a gente sabe o que a gente passou nos anos de 2010 para cá até ele chegar e ele nos trouxe a alegria de volta. Hoje a gente tem a nossa bateria num patamar respeitado e eu quero pedir ajuda de todos vocês [se dirigindo aos ritmistas] para a gente conseguir manter a nossa bateria lá em cima. Muito obrigado”, continuou em sua fala emocionada.

O que nós estamos vendo aqui é uma expressão brasileira, essencial de uma mistura cultural que passa, não só pela África, mas por uma série de combinações culturais.

Em seguida, o jornalista Sidney Rezende, diretor do SRzd, aproveitou o momento para fazer um breve discurso. “As lágrimas deles podem servir muito para uma reflexão nossa. O samba dá uma grande lição ao país, mas a gente, às vezes, parece que esquece disso e os problemas parecem muito maiores do que eles são. Digo isso porque o samba não pode ser só essa expressão que nós vimos aqui, que já é enorme, é nobre, especial, é única. O que nós estamos vendo aqui é uma expressão brasileira, essencial de uma mistura cultural que passa, não só pela África, mas por uma série de combinações culturais.

O samba, o Carnaval podem ser realizados com ou sem governo a favor, com ou sem pessoas de entender o que apreciamos aqui e o que vocês realizam. E que as lágrimas de vocês sirvam, sem demagogia alguma, para semear sempre a possibilidade do amanhã.

Acho que as escolas de samba têm uma tarefa agora ainda maior: mostrar que nós podemos ser mais inclusivos, que se tente, apesar de todos os obstáculos, ter mais cursos para população, que a comunidade fique mais próxima através da escola, e fonte geradora de uma força viva. E que cada um de nós possamos levar a seguinte mensagem, creio eu, humildemente, que nós podemos ganhar mais uma, duas, três, quatro pessoas, mais e mais famílias para a causa da paz. A lição que a gente deve levar é a da paz acima de tudo. Levar para sua casa, sua comunidade, seu bairro, para sua empresa, que só podemos embarreirar a violência crescente que temos, as dificuldades com um espírito de paz, construtivo. Se alguém segura um fuzil, se perdeu na vida, ainda sempre se tem esperança de resgatá-lo disso e o samba tem essa energia. Nós temos que parar esse espírito de que a coisa não vai dar certo. Ou a gente levanta e enfrenta todos os obstáculos. O samba, o Carnaval podem ser realizados com ou sem governo a favor, com ou sem pessoas de entender o que apreciamos aqui e o que vocês realizam. E que as lágrimas de vocês sirvam, sem demagogia alguma, para semear sempre a possibilidade do amanhã. No caso se vocês, vejo pelas lágrimas, que Ciça realizou um trabalho semeado nesses anos todos. Quem sabe agora este não pode ser um despertar de daqui para a frente vocês realizarem, com convicção, parte do que aprenderam e parte do que vão descobrir. É assim que eu vejo o samba, o Carnaval, a nossa arte e o Brasil”.

Prêmio SRzd Carnaval 2018 consagrou também os profissionais de Comunicação e Marketing que se destacaram no último ano: Raphael Perucci, Paulo Renato Vaz e Vinicius Ximenes, da equipe da Portela, subiram ao palco para receber o prêmio. “Vi o SRzd nascer. Sou fã desde o primeiro momento muito antes de trabalhar na Portela. Muito obrigado a toda a equipe do site, ao Sidney. Parece fácil, mas divulgar o mundo do samba e o Carnaval é muito difícil. Divido com meus colegas, Paulo Renato e Vinícius Ximenes. Eu pela assessoria e eles dois pelo marketing. Esse prêmio é para os portelenses e para a Portela”, falou Raphael. “Agradeço o SRzd, o inesquecível amigo Marcos Falcon, que acreditou em criar a área de marketing. Peço ao Sidney que esta categoria [de premiação] fique”, disse Paulo Renato. “Cabe a nós da comunicação e marketing agradecer os nossos apoiadores que acreditam em nosso trabalho”, concluiu Vinícius.

Em nome da Liesa, o diretor de Carnaval Elmo José dos Santos deu seu recado durante o evento. “Primeiro queria agradecer o Sidney Rezende e essa equipe maravilhosa do SRzd. Começo agradecendo ao arquiteto deste Universo por esse Carnaval. Falo como sambista que sou. Por tudo o que as escolas de samba passaram e que nossa cultura sofreu”, disse. “Nós temos cada vez mais valorizar o nosso samba e só vamos valorizar se estivermos unidos. Muito obrigado de coração”, finalizou.

O momento mais emocionante da festa foi a apresentação da comissão de frente da Paraíso do Tuiuti, que deixou toda a plateia de pé, acompanhando em silêncio e emocionada a atuação dos bailarinos comandados pelo coreógrafo Patrick Carvalho. “Sou um menino do alto do morro da favela do Cantagalo e, antes de falar qualquer coisa da minha história, da minha verdade, eu quero agradecer a esses guerreiros [bailarinos], esses moleques que compraram essa ideia comigo. Ao Marcelo Augusto que fez toda a cenografia e me ajudou muito. Jack, obrigado. Uma parceria com o carnavalesco não tem como não dar um fruto desse. Ouvir o carnavalesco, dividir com ele é muito importante. Quando pensei nessa comissão de frente, eu estava sentado lá no morro do Cantagalo, que é onde eu vivo, que é onde está a minha raiz. E eu nunca tirei essa coisa da cabeça que livre dos açodes da senzala, mas preso na miséria da favela, eu tinha um grito dentro de mim para dar. Eu sou muito novo. Hoje, eu entro na Avenida, não para competir, mas para dividir com as maiores referências que eu tenho na minha vida, que são meus grandes mestres, Marcelo Misailidis, Jorge, Carlinhos. Esse é meu oitavo ano com comissão de frente entre o grupo B, grupo A e o Especial, mas eu sinto e sei que eu só estou só começando”, disse o coreógrafo.

Está difícil descer e subir o morro. Eu tenho medo de descer e subir aquela comunidade. Me colocaram ali, não perguntaram se eu queria estar ali.

“Queria dizer que tem uma filha minha vindo aí, eu precisava falar para o mundo que eu quero um mundo diferente. Eu quero uma coisa diferente. Então, foi o ano que eu entrei na Avenida para tocar no público, para pedir para o público gritar com a gente, que está difícil viver na nossa cidade, no nosso país. Está difícil descer e subir o morro. Eu tenho medo de descer e subir aquela comunidade. Me colocaram ali, não perguntaram se eu queria estar ali. E esse é o trabalho que começa a minha vida no Carnaval. Sempre vejo que a gente passou dos 100 anos de samba e a gente fala de Noel, Pixinguinha, Cartola. E acho que daqui a 100 anos tudo isso que vocês estão fazendo pelo Carnaval estará escrito no livro dos 200 anos do samba. Obrigado a todos vocês”, falou Patrick, recebendo aplausos emocionados do público.

A agremiação ganhou também em outra categoria: a de melhor carnavalesco, com Jack Vasconcelos. “Obrigado, Sidney e toda a equipe do SRzd. Agradeço em nome da escola. Quero dedicar esse prêmio especialmente aos meus professores, porque só a educação é que nos liberta e dá asas ao homem, só a educação pode nos livrar de todo o tipo de amarra. Chegar ao Grupo Especial, esse ano especialmente, com esse enredo, não seria possível sem a participação e a formação e a orientação que eu sempre tive dos meus professores. Esse prêmio é para todos os professores do Brasil”, agradeceu Jack.

Após a Tuiuti, foi a vez das baianas da Imperatriz se apresentarem. “Agradeço a Luiz Pacheco Drumond, à Liesa”, falou Raul Cuquejo, responsável pela ala.

A Estação Primeira de Mangueira foi agraciada com dois prêmios: melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério e Squel Jorgea, e melhor escola pelo voto popular. Em viagem ao exterior, Squel não compareceu ao evento, mas foi representada por seu par. A verde e rosa fez a festa no palco.

Muito obrigado ao SRzd e, para mim, o meu pai é o melhor do mundo.

Outro que não pôde comparecer foi Wander Pires, que ganhou o prêmio de melhor intérprete do Grupo Especial pela Mocidade. No entanto, ele foi representado por suas “miniaturas”, os filhos, que cantaram o samba da escola de Padre Miguel. “Em nome do meu pai, eu estou muito feliz em receber o prêmio para ele de melhor intérprete. E eu estou muito feliz mesmo. Muito obrigado ao SRzd e, para mim, o meu pai é o melhor do mundo”, falou Vander Pires Filho.

O melhor samba-enredo do Grupo Especial ficou para a Beija-Flor de Nilópolis. Ao lado dos compositores, a porta-bandeira Selminha Sorriso subiu ao palco e se apresentou junto. Ela logo recebeu mais companhia: três meninos da comissão de frente da Viradouro, que venceram o prêmio, correram para mostrar que já nasceram com samba no pé. “Muito feliz de ganhar esse prêmio em um ano que tiveram grandes sambas. Tive oportunidade de assistir todos os desfiles e todos se saíram muito bem na Sapucaí. Receber esse prêmio aqui hoje para mim e para toda a parceria é uma honra muito grande. Foi um Carnaval de superação e, graças a Deus, todas as escolas se saíram muito bem. Foi um belíssimo Carnaval”.

O Acadêmicos do Salgueiro mostrou na Avenida e vai mostrar de novo ano que vem, que nós trabalhamos para sermos campeões.

Prêmio SRzd Carnaval terminou com o Salgueiro, vencedor como melhor passista e com o de melhor escola do Grupo Especial. Antes da apresentação, a presidente da escola, Regina Celi, falou. “Quero agradecer todo mundo e falar para vocês que Carnaval é isso. Um ano uma ganha, no outro, outra perde, e nunca desistir. A gente é muito cobrado que nós temos que ser campeões todo ano. Se nós tivermos que ser campeões todo ano, não existiriam tantas escolas. Eu trabalho para ser campeã. Eu gosto do Carnaval independentemente da escola que ganhou. Respeito todas elas. O Acadêmicos do Salgueiro mostrou na Avenida e vai mostrar de novo ano que vem, que nós trabalhamos para sermos campeões. Se formos, levo a Deus. Se não, vamos correr de novo para buscar o título. Esse troféu, eu falo para você, eu entrego isso para o Alex, porque as pessoas, antes de acreditarem no outro, acreditam em si próprio. Eu acredito no meu trabalho, no trabalho da minha comunidade, eu acredito em todos vocês”.

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