‘Eles que procurem outra escola’, diz presidente da Portela sobre compositores de escritório

Palestra “Sambas de Enredo: Composição, Competição e Performance”. Foto: Pedro de Oliveira.

Com a presença dos compositores Tiãozinho da Mocidade e Felipe Filósofo, do escritor Luiz Ricardo Leitão e de Luiz Carlos Magalhães, presidente da Portela, a Universidade Federal Fluminense (UFF) realizou a palestra “Sambas de Enredo: Composição, Competição e Performance” na última quarta-feira (8) como parte do seminário “Escolas de Samba: História Pública, Saberes e Arte”. Luiz Carlos contou como se tornou presidente e o desafio em democratizar a disputa de samba. Além disso, enfatizou a sua intenção de sempre valorizar os compositores da agremiação.

“Eles que procurem outra escola”, afirmou Luiz Carlos Magalhães sobre os compositores de samba de escritório.

O presidente também revelou uma curiosidade. Segundo ele, o primeiro samba da história foi da Portela, de 1939: “A liga pode até dizer que não, mas para nós sempre será o samba de 39”, contou.

Tiãozinho da Mocidade, compositor da verde e branco de Padre Miguel, comentou sobre a relação do partido alto com o samba. Falou sobre as diferenças de se compor samba-enredo antigamente e atualmente, ao pôr em lados opostos o samba por inspiração e o samba amarrado à sinopse: “O desfile passa, mas o samba marca, fica”, disse Tiãozinho.

Felipe Filósofo, compositor da Viradouro, analisou o modelo de samba atual e chamou atenção para a falta de ousadia: “A arte não é para os covardes”, pontuou. Além disso, fez a seguinte reflexão: “Seria a Intendente Magalhães um bom lugar para experimentação?” e deu exemplo do seu samba sem verbo composto para a Acadêmicos do Sossego: “É preciso acabar com a ideia do ‘verbocentrismo e dinamitar a estrutura do samba”, afirmou.

Luiz Ricardo Leitão mostrou sambas antigos como forma de reflexão social e resistência (pouco lembrada) frente à ditadura. Exaltou e explicou o estilo de grandes compositores como Silas de Oliveira e Martinho da Vila: “A criatividade não pode ser domada”, afirmou.

O seminário “Escolas de Samba: História Pública, Saberes e Arte” foi organizado pelo Instituto de História e aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de novembro ao oferecer diversas palestras sobre o universo do Carnaval, de forma gratuita e aberta ao público. A equipe do SRzd esteve presente.

VEJA OUTRAS MATÉRIAS SOBRE O QUE ROLOU NO SEMINÁRIO DA UFF:

‘O segmento passista é pouquíssimo valorizado’, afirma musa da Mangueira

Carnavalesca fala da importância do diálogo com segmentos da escola

Mulheres falam da condição feminina no universo das escolas de samba

‘Escola de samba é lugar de convívio social’, afirma integrante do departamento cultural da Portela

Pesquisadores debatem a criação de um enredo no Carnaval

‘É preciso que a gente resista sambando’, afirma autor de livro sobre o Carnaval de Niterói

*em colaboração ao SRzd.

Comentários

srzd



mais notícias