A morte de Hiram Araújo deixa a ‘memória do samba’ mais pobre

Hiram Araújo. Foto: Divulgação

Hiram Araújo. Foto: Divulgação

O pesquisador Hiram Araújo, 87 anos, morreu na noite desta sexta-feira. Historiador de carnaval, pesquisador e médico, ele foi diretor cultural da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e criador do Centro de Memória do Carnaval.

Durante anos, qualquer jornalista que precisasse saber a verdadeira história do samba procurava meia dúzia de pessoas com conhecimento de causa. Eu sacava da minha agenda, de imediato, duas pessoas: Haroldo Costa e Hiram Araújo. Confesso que eu perturbava mais a paz de Hiram do que do Haroldo. Nunca desliguei o telefone sem que ele deixasse perguntas sem resposta.

Já aconteceu de eu ligar duas ou três vezes ao dia, principalmente quando trabalhava na rádio, e nem pensava que um dia o samba e o Carnaval teria uma prevalência no meu exercício profissional.

Hiram Araújo conhecia a matéria que falava. Viveu os bastidores do Carnaval e o pesquisava tudo sobre o universo das escolas de samba. Um apaixonado, evidentemente.

Hiram Araújo começou no carnaval no Departamento Cultural da Imperatriz Leopoldinense. De 1972 a 1978, exerceu o cargo de diretor cultural da Portela. Foi o criador do primeiro curso de jurados e trabalhou como comentarista nas rádios Globo e Tupi. Autor do livro “Carnaval: seis milênios de história”. Em 2012, Hiram foi enredo da Arame de Ricardo.

Certamente a expressão surrada e legítima que mais ouviremos nos próximos dias é que “Hiram fará muita falta”.  É verdade.  Mas prefiro ver sob outro ângulo: graças a Hiram Araújo, Haroldo Costa e alguns poucos pensadores, pela força inexorável do tempo agora veteranos, é que hoje temos um grupo expressivo de garotos inteligentes, criativos e dedicados que prosseguirão o importante trabalho de pesquisa que Hiram eternizou.

Com a morte de Hiram a memória do Carnaval empobrece, mas como a sua vida foi uma inspiração, os jovens talentos de hoje honrarão seu esforço. O samba não morrerá nunca! Hiram nos ensinou isso, também.

Conheça a luta de Hiram Araújo em favor da memória do samba:

Os pêsames demonstram a dor sentida por quem respira o samba diariamente:

“Portela lamenta morte do escritor e pesquisador Hiram Araújo.
O mundo do samba está de luto. Morreu na noite desta sexta-feira, aos 87 anos, o médico, escritor e pesquisador de Carnaval Hiram Araújo. Segundo informações da família, ele estava internado desde a última segunda-feira no Hospital da Lagoa, na Zona Sul, com pneunomia. Nesta sexta, porém, Hiram sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. O local e horário do velório e do enterro ainda não foram divulgados pela família.
Apaixonado por Carnaval, Hiram participou da fundação do primeiro departamento cultural de uma escola de samba, nos anos 60, na Imperatriz. No início da década de 1970, foi convidado para assumir o cargo de diretor cultural na Portela, onde também foi autor de diversos enredos.

Além disso, Hiram Araújo atuou durante muitos anos como diretor cultural da Liesa, catalogando e organizando o acervo audiovisual da entidade.

Escreveu, entre outros livros, o clássico “Carnaval: seis milênios de história”. É também coautor da biografia do lendário Natal da Portela.

O presidente Luis Carlos Magalhães e toda a diretoria da Portela se solidarizam com a família e os amigos de Hiram Araújo neste momento de profundo pesar”.

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Claudio Rocha é Bibliotecário, Pós graduado em História do Teatro e Pesquisador de Carnaval:

“E lá se Foi o Fundador do Primeiro Departamento Cultural de Escolas de Samba, na Imperatriz Leopoldinense!
Ainda Tive a oportunidade e sorte de conhecê-lo e dividir a mesa do Centro de Memória da Liesa algumas vezes com ele! Tinha admiração por seu pioneirismo e cuidado com a memória!
Descanse em paz 😞 “

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Maurício Mattos, do Camarote Rio, Samba e Carnaval:
“Fernando, Beth e filha. Perdi um amigo que ao longo do tempo de convivência no nosso relacionamento, me incentivou nos meus sonhos, que me fez crescer pela vida afora.
Estou consternado e triste com a notícia desse desenlace de um amigo, que marcou a minha história. Um cara brilhante cccrde um inesgotável talento e de generosidade com o ser humano de qualquer tribo.
Junto-me aos amigos, que tiveram a oportunidade de conhecer o seu inesgotável talento na cultura do Samba e das nossas Escolas.
Fernando me informe sobre o funeral e local, com os horários. Com os meus sentimentos para toda a família do Dr. HIRAN ARAUJO”

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